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A tradição da NHL diz que, quando chega a altura de renegociar o contrato, um jogador deve pensar no bem da equipa, deve estar disposto a fazer um desconto à casa para libertar verba que possa ser reinvestida no reforço do plantel. Esta semana Drew Doughty e Erik Karlsson quebraram essas expectativas. A dois anos do fim dos seus contratos, dois dos melhores defesas da NHL deixaram uma coisa bem clara: não vão fazer descontos.
Primeiro Período: O teaser da free agency de 2019.
Numa entrevista dada a Craig Custance do The Atletic, Drew Doughty foi o homem cândido que todos conhecemos e fez algumas afirmações sinceras quanto ao seu futuro. “Vou conversar com o Karlsson durante o processo, tentar perceber a quantia que ele pretende e, depois, ver a quantia que eu pretendo”, disse o defesa dos Los Angeles Kings. “Não sei se ele vai renovar com os Senators. Não sei se vou renovar com os Kings. Nunca se sabe o que pode acontecer”.
Drew Doughty e Erik Karlsson são os dois cabeças de cartaz da free agency de 2019. A eles juntam-se Oliver Ekman-Larsson (Arizona Coyotes), Tyler Myers (Winnipeg Jets), Ryan McDonagh (New York Rangers) e Ryan Ellis (Nashville Predators), naquele que pode vir a ser um dos melhores grupos de free agentes das últimas décadas. Quão raro é ter dois candidatos perenes ao Norris disponíveis na free agency (possivelmente três, se colocarmos Ekman-Larsson nesse nível)? É inédito.
Doughty e Karlsson sabem bem o poder que têm e vão utilizá-lo. “Neste momento, acho que nos vamos seguir pelo contrato do P.K. Subban”; disse Doughty. “Acho que tanto eu como o Karlsson merecemos mais do que isso”. P.K. Subban é o defesa da NHL com um cap hit mais elevado ($9 milhões de dólares). Doughty deixou claro na entrevista que pretender passar a ser, juntamente com Karlsson, o defesa mais bem pago da liga, falou até em fazer o mesmo pelos defesas que Mike Babcock fez pelos treinadores, inflacionando os salários para toda a classe.

Fonte: NHL
Confrontado com as declarações de Doughty, Karlsson seguiu a mesma linha. “Eu vou ter aquilo que mereço, nem menos um cêntimo, não interessa para onde vá”, disse o defesa sueco ao Ottawa Sun. “Temos que perceber que, quando vamos para a mesa das negociações, estamos a tratar de negócios, das duas partes, não podem ser só os donos.” Não é de estranhar a sincronia, já que Doughty e Karlsson são agenciados pela mesma empresa.
A bola está do lado das equipas, embora estas só possam começara a negociar com os jogadores a partir de julho do próximo ano, um ano antes do fim do contrato. Os Kings ainda têm algum peso em excesso deixado por Dean Lombardi. Isso não será um impedimento para renovar com Doughty, mas tornará mais difícil construir uma equipa competitiva à sua volta. Quanto aos Senators, são do conhecimento público os problemas financeiros do dono, Eugene Melnyk, e não sabemos se estará disposto a abrir a carteira. Há que considerar também o contexto competitivo da equipa. Depois de terem chegado à final da Conferência Este na época passada, os Senators estão a nove pontos dos playoffs. Só Sabres e Coyotes têm menos vitórias no tempo regulamentar. Karlsson, que, ao contrário de Doughty, nunca ganhou a Stanley Cup, pode querer-se mudar para um sério candidato ao título.
Segundo Período: Ray Shero continua a reconstruir os Devils
Os Anaheim Ducks adquiriram Adam Henrique e Joseph Blandisi dos New Jersey Devils, por troca com Sami Vatanen. A equipas também trocaram terceiras rondas no draft, embora os Devils só recebam a deles se Henrique renovar com os Ducks. É difícil dar a vitória a qualquer uma das equipas nesta troca. Ambas tinham necessidades, que supriram a um custo razoável.
Em Henrique, os Ducks têm uma aposta a curto e a longo prazo. Esta troca foi impulsionada pela vaga de lesões, que os tem obrigado a usar Chris Wagner e Derek Grant com os dois principais centros. Henrique é um upgrade automático nesta situação, mas, mesmo depois do regresso de Ryan Getzlaf e Ryan Kesler, o luso-descendente será uma adição importante para a segunda metade da temporada, que se espera muito exigente. Os Ducks estão atualmente em sexto lugar na Divisão Pacífico, três pontos atrás dos wild cards.

Fonte: NHL
Com a emergência de jovens como Nico Hischier, Jesper Bratt e Miles Wood, os Devils sentiram que tinham margem para cederem Henrique. Também têm um jovem de grande valor a despontar na defesa, Will Butcher, mas este é um sector que Ray Shero procurava reforçar há bastante tempo. Os Devils foram uma das equipas mais interessadas em Kevin Shattenkirk na última free agency. Há que dar crédito ao trabalho de Shero. Por Henrique e Adam Larsson, o GM dos Devils sacou Taylor Hall e Sami Vatanen, a juntar a outros bons negócios, como Kyle Palmieri e Marcus Johansson.
Terceiro Período: O descalabro dos Flyers
Os Philadelphia Flyers são a equipa em pior forma na NHL. A equipa treinada por Dave Hakstol amealhou 10 derrotas consecutivas, o que a deixa no último lugar da Divisão Metropolitana, já a oito pontos de distância dos playoffs. Não é de estranhar que os adeptos estejam a pedir a cabeça do treinador.
Ron Hextall saiu em defesa do seu treinador e afirmou não estar sequer a considerar dispensar Hakstol. Certamente, o GM dos Flyers olha para esta série de derrotas de maneira otimista e vê uma equipa jovem, a mais jovem da NHL, com muito ainda para crescer. No entanto, não é isso que se tem verificado. São os veteranos e os jogadores de topo que têm arrastado a equipa, enquanto que os jovens estão a estagnar, como é o caso de Travis Konecny. O canadiano, que fez 28 pontos na sua época de estreia, leva apenas nove pontos em 27 jogos.

Fonte: NHL
Despedir Hakstol não irá resolver nada. Numa equipa tão jovem, a única solução é o tempo, deixar os miúdos crescer. Não é a mudar de treinador que se cria o ambiente propício ao desenvolvimento. No entanto, fica claro que Hakstol não é solução a longo prazo para os Flyers. Ele vem apresentando resultados mais desapontantes de ano para ano. Há exatamente um ano atrás os Flyers atravessavam uma série de 10 vitórias consecutivas. Desde essa altura até agora, venceram apenas 29 dos 77 jogos realizados. Esta é a realidade que, mais cedo ou mais tarde, Ron Hextall terá que confrontar.
Prolongamento: Lesões entre os postes
Estamos a chegar a uma altura da temporada em que começa a ser demasiado tarde para recuperar de qualquer contratempo, por isso, não há pior altura para perder um jogador chave por lesão. Não há jogador mais chave no hóquei no gelo que o guarda-redes.
Esta semana três equipas perderam os seus guarda-redes titulares por lesão: Chicago Blackhawks, Edmonton Oilers e Pittsburgh Penguins. Esta perda vem em péssima altura para todas elas, mas talvez nenhuma se vá ressentir tanto como os Hawks. Crawford estava a fazer uma época extraordinária, registando uma percentagem de defesas de 93%. Têm sido as exibições de Crawford a evitar um descalabro completo da equipa de Chicago. Os Blackhawks são a 3ª equipa que mais remates permite ao adversário e precisam de um guarda-redes de alto nível para ganharem jogos. Ainda por cima, Anton Forsberg não tem convencido com suplente.

Fonte: NHL
A lesão de Cam Talbot é mais um prego no caixão da temporada dos Oilers. A ausência é, pelo menos, de duas semanas e chega numa altura em que os Oilers mostravam sinais de melhoria. É difícil não considerar a quantidade de hóquei que Talbot tem jogado como responsável parcial pela lesão. Talbot participou em 89% dos jogos dos Oilers na época passada (73 em 82) e, este ano, ainda só tinha falhado três. O suplente, Laurent Brossoit, não inspira confiança. Desde a lesão de Talbot, os Oilers perderam 6-4 contra os Toronto Maple Leafs e venceram os Calgary Flames por 7-5, num jogo em que quase deixaram escapar uma vantagem de 5-1.
Os Penguins são a equipa menos preocupada com a lesão do seu guarda-redes titular. Primeiro, porque são uma boa equipa e essas têm sempre menos com o que se preocupar. Segundo, porque a equipa parece estar finalmente a entrar nos eixos, ao vencer os últimos quatro jogos. Terceiro e último, porque têm um suplente à altura. Tristan Jarry foi titular em duas dessas quatro vitórias e registou o primeiro shutout da sua carreira no 3-0 contra os Buffalo Sabres.
Estrelas da Semana
Primeira Estrela: Blake Wheeler (Winnipeg Jets)
O ala dos Winnipeg Jets terminou a semana com 10 pontos (dois golos e oito assistências) em quatro jogos. Na vitória por 5-0 sobre os Ottawa Senators, Wheeler marcou um golo e fez três assistências, tornando-se no primeiro jogador a fazer quatro ou mais pontos em três jogos esta temporada. Wheeler está em quarto na lista de melhores pontuadores da NHL, com 35 pontos em 27 jogos.
Segunda Estrela: Carey Price (Montreal Canadiens)
A profecia continua a cumprir-se. Desde o regresso de Carey Price, os Montreal Canadiens só sabem vencer. Quatro jogos, quatro vitórias. Price até resolveu os problemas ofensivos da equipa. Os Canadiens, que tinham um dos piores ataques da liga, marcaram 16 golos nos últimos dois jogos, duas goleadas históricas sobre os Detroit Red Wings (6-3 e 10-1).
Terceira Estrela: Radek Faksa (Dallas Stars)
Os Stars estão a passar por uma espécie de revival. Depois de um começo de época desanimador, os Stars levam uma série de cinco derrotas consecutivas, que os fez subir ao primeiro wild card e os deixou a dois pontos do terceiro lugar na Divisão Central. Radek Faksa é parte integral nesta série vitoriosa, ao marcar cinco golos nos últimos quatro jogos, incluindo um hat-trick na vitória por 3-0 sobre os Vegas Golden Knights.
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Foto de Capa: NHL












