Cabeçalho modalidadesNão há nada mais humano do que procurar culpados quando as coisas correm mal. De certa maneira, é terapêutico, sentimo-nos em controle da situação se formos capazes de explicar os motivos do fracasso. É também inteligente, porque, apesar de muitas vezes incitado pela emoção, este é sempre um momento de análise, que pode servir como tónico de mudança.

No entanto, essa atribuição de culpas é, muitas vezes, mal direcionada. Na NHL, há a tendência de apontar o dedo à estrela da companhia, quando os resultados não aparecem. “Uma equipa só é tão boa quanto o seu melhor jogador” é uma frase muitas vezes repetida neste desporto. Mas será justo? Por muito bom que ele seja, será um único homem suficiente para causar o colapso de uma equipa?

Primeiro Período: Quem merece que lhe apontem o dedo?

Connor McDavid e Jack Eichel são dois gémeos separados à nascença, desportivamente falando. Selecionados um a seguir ao outro no draft de 2015, chegaram à liga com a responsabilidade de retirar Edmonton Oilers e Buffalo Sabres da lama. Dois anos passaram e tudo está na mesma. Oilers e Sabres deambulam pelo fundo da tabela. Quem fica com as culpas? As estrelas, pois claro, ainda por cima miúdos, neste caso. McDavid tem 20 anos e Eichel tem 21. É justo? Não. É fácil apontar o dedo, mas o que é fácil quase nunca é certo.

Os Sabres são um daqueles casos de eterno potencial adiado. Desde 2015 que andamos a dizer “cuidado com os Sabres, este ano é que é” e nada. Os números de Eichel não são extraordinários. Sete golos em 24 jogos dá uma média inferior à da época passada, quando marcou 24 golos em 61 jogos. Ainda assim, a sua produção em 5-contra-5 não mudou muito, o que caiu radicalmente foi o powerplay. Na época passada, Eichel fez 24 dos seus 57 pontos no powerplay. Este ano tem apenas um até ao momento. Mas este não é um problema individual. Quem tem que responder por isso é Phil Housley, o treinador da equipa desde junho, que conseguiu transformar o melhor powerplay da liga na época passada (8.7 golos/60 minutos) no segundo pior (4.3 golos/60 minutos).

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Fonte: NHL
Fonte: NHL

Connor McDavid está na mesma posição, com o peso adicional de ser um dos melhores do mundo. Já tínhamos falado dos Oilers na semana passada, eu sei, mas o circo continua. Mais uma semana, mais duas derrotas embaraçosas, uma goleada por 8-3 em St. Louis e uma derrota por 3-1 frente aos Sabres de Eichel. Pelo meio, ganharam outros dois jogos, mas isso não chega. Os Oilers precisam de ganhar terreno rapidamente. Mais uma vez, McDavid foi o principal alvo das críticas, principalmente o seu jogo defensivo. A crítica até é justa em momentos, mas este não é um problema fundamental. A verdade é que os Oilers estão mais fracos que o ano passado. McDavid está a caminho dos 100 pontos, tal como na época passada, mas a produção ofensiva da equipa piorou (passou de 2.96 golos por jogo para 2.67). Adeptos e media deviam olhar mais para cima, para quem manda. Desde de que chegou a Edmonton, Peter Chiarelli trocou Taylor Hall, Jordan Eberle, Nail Yakupov e uma primeira ronda no draft (que acabou por ser Matthew Barzal) para reforçar uma defesa que mesmo assim é a quinta pior da liga. Hall lidera os New Jersey Devils em pontos, Eberle vai a caminho dos 60 pontos, Yakupov tem tudo para passar a barreira dos 20 golos pela primeira vez na sua carreira e Barzal é um dos mais fortes candidatos a rookie do ano. Com estes quatro, talvez McDavid não tivesse que marcar ou assistir em quase metade dos golos dos Oilers.