
Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
Nos últimos três anos na NHL, temos assistido claramente ao passar da tocha.
O domínio de determinados jogadores está a chegar ao fim, e começam a aparecer novos craques que ocupam as posições de destaque, que outros ocuparam durante uma década, ou mais.
Mas verdade seja dita, não são todos os anos que entram talentos geracionais no draft pool.
Na verdade, é muito raro aparecer um jogador que tenha impacto imediato na NHL, quanto mais que se torne um dos melhores, ou mesmo o melhor jogador da liga antes de fazer 25 anos.
Quando um jogador de 18 anos entra na NHL, o seu corpo ainda não desenvolveu por completo, o salto competitivo das minors para as majors é incomparável a qualquer um que tenha feito antes, e acima de tudo, muitas vezes mentalmente a pessoa não está preparada para assumir tão grande responsabilidade.
Foto de capa: NHL
Artigo Redigido por Pedro Gonçalves de Andrade
Em primeiro lugar vou definir o que considero um talento geracional: Um jogador com este nível é um jogador que se espera ser o fator diferenciador de uma equipa boa, para uma equipa vencedora.
Um jogador que para além de conquistar feitos individuais, é peça chave em levar a equipa à Stanley Cup. Nos últimos 15/16 anos, quando penso nesses jogadores há três que eu considero deste nível, e todos eles têm no mínimo uma Stanley Cup.
O jogador que de 2006 até 2015 foi considerado o melhor da liga, Sidney Crosby ao longo da sua carreira fez um total de 1325 pontos com 486 golos e 839 assistências em 1039 jogos, colocando-o na 35ª posição de total de pontos ao longo da sua carreira, sendo o segundo desta lista de jogadores no ativo.
Junta a esta estatística dois Art Ross Trophy (2007;2014 [Para os menos familiarizados este troféu é atribuído ao jogador que lidera a tabela dos pontos no final da época regular]); dois Hart Memorial Trophy (2007;2014 [O jogador mais valioso da liga]); e entre outros mais, dois Conn Smythe Trophy (2016/2017 [Atribuído ao jogador mais importante dos Playoffs]).
Levou a sua equipa à vitória na Stanley Cup por três vezes (2009/2016/2017), e alcançou tudo isto com graves lesões pelo meio, a maior parte relacionadas com traumatismos cranianos.
Sidney Crosby is a wizard with the stick. 🔮
Which goal was the best? #NHLFaceOff pic.twitter.com/aR7XmBD0js
— NHL (@NHL) January 14, 2021
Em segundo lugar, não podemos falar de talentos geracionais sem falar de Alex Ovechkin. O avançado russo foi possivelmente o maior e melhor goleador da NHL desde que foi drafted em 2004.
Está em 36º na lista de pontos ao longo da carreira com 1320 pontos divididos em 730 golos e 590 assistências em 1197 jogos.
Conquistou o Art Ross Trophy em 2007, o Hart Trophy por três vezes (2008/2009/2013), e possivelmente de forma mais impressionante o Maurice “Rocket” Richard Trophy (atribuído ao melhor goleador da época regular) por umas alucinantes nove vezes, incluindo quatros anos consecutivos.
Conquistou “apenas” uma Stanley Cup em 2018, onde também ganhou o Conn Smythe Trophy.
Alex Ovechkin (@ovi8) has 20 goals in a season for the *checks notes* 16th time in his career. 🔥 pic.twitter.com/51qC6bPYlv
— NHL (@NHL) April 9, 2021
Por fim, em terceiro lugar, e possivelmente o meu preferido dos três, Patrick Kane.
O wing dos Estados Unidos está neste momento na 66ª posição na lista de pontos totais ao longo da carreira com 1088 pontos em 1029 jogos, estando estes pontos divididos em 404 golos e 684 assistências.
Em termos de conquistas individuais está um pouco abaixo dos outros dois fenómenos do desporto, com um Art Ross Trophy e Hart Trophy em 2016, e um Conn Smythe em 2013.
Contudo, tem o mesmo número de Stanley Cups que Crosby, tendo conquistado o troféu em 2010, 2013, 2015.
Sendo que o motivo pelo qual nem os seus Chicago Blackhawks, nem os Pitsburg Penguins de Crosby se terem conseguido afirmar como uma Dinastia (uma equipa que domina por completo a Stanley Cup durante pelo menos três anos) foi a competição entre eles.
Ainda que tanto os Boston Bruins como os L.A Kings foram campeões durante o domínio destes dois jogadores.
GOAL NUMBER 400 FOR PATRICK KANE!#Blackhawks pic.twitter.com/xYsPIYuszN
— NHL on NBC Sports (@NHLonNBCSports) March 1, 2021
Patrice Bergeron, Steven Stamkos, Eric Staal e Ryan Getzlaf são outros jogadores que durante o mesmo período de tempo estiveram lá em cima, e lideraram a sua equipa à vitória, mas mesmo assim estão um furo abaixo destes três extraterrestres.
Não coloco Toews, Malkin e Backstrom nesta lista porque eram os colegas de equipa dos três jogadores que aprofundei, contudo considero os três sem dúvida alguma, foras de série. Durante dez anos foi Crosby, Kane e Ovechkin e depois vinham os jogadores de elite.
Agora que estabeleci o que são talentos geracionais, vou partir para aquilo que estou com medo que aconteça no futuro.
Ao olharmos para a lista de atuais jogadores da NHL, e ouvirmos os principais comentadores norte americanos do desporto, reparamos que neste momento há dois jovens jogadores que já estão acima destes três, não só a idade pesa, como num desporto de tanto contacto físico as lesões são mais frequentes ou então a fuga ao contacto prejudica um pouco o seu jogo.
Estes dois jogadores que eu falo são Connor McDavid e Auston Mathews, com 24 e 23 anos respetivamente não há dúvida que tomaram o manto de Crosby e Ovechkin.
Num lado temos o playmaker que é largamente considerado o melhor jogador de hóquei gelo no mundo, do outro um goleador nato que em cinco épocas, duas das quais caricatas e mais curtas devido à pandemia, já tem 199 golos e conquistou em 2021 o seu primeiro Maurice “Rocket” Richard Trophy.
Por sua vez, McDavid já conta com 574 pontos em 407 jogos; três Art Ross Trophys (2017/2018/2021) e dois Hart Trophy (2018/2021).
Estamos sem dúvida a assistir ao aparecer de mais dois monstros da NHL, contudo estou com medo… Medo de que o talento de McDavid seja desperdiçado.
Quando se tem um jogador como este na equipa é preciso construir bem à volta dele, e se assim não for feito das duas uma, ou McDavid acaba numa lista de os melhores jogadores que nunca ganharam a Stanley Cup e por isso nunca se vai juntar a Crosby, Gretzky e Lemieux como um dos melhores de todos os tempos e o seu estatuto como o melhor do seu tempo fica ameaçado.
Ou então, sai da equipa e cria o seu legado noutro lado, tornando assim os Edmonton na equipa que desperdiçou o melhor jogador do seu tempo.
Between the legs 🏒
Top cheese 🧀
Lights the lamp 🚨Connor McDavid ranks some of the top plays of his @EdmontonOilers career, starting with this razzle-dazzle goal vs. the Stars.
Through My Eyes presented by @adidasCA pic.twitter.com/lJwHBDVlfb
— Sportsnet (@Sportsnet) May 7, 2020
O que mais incomoda neste desperdício dos Oilers é a quantidade de primeiras escolhas que tiveram nos últimos 10 anos e mesmo assim não conseguem sequer chegar a final de conferência.
Vamos ver um bocadinho a fundo as suas primeiras escolhas no draft desde 2010.
Nesse ano foram buscar Taylor Hall, um dos jogadores mais procurados da sua geração, em 2017/2018 teve uma das suas melhores épocas, mas foi incapaz de continuar com a boa forma.
Este ano nos playoffs foi uma peça importante para os Bruins e assinou novo contrato que o vai manter em Boston.
Em 2011 os Oilers foram buscar Ryan Nugent-Hopkins. Ainda em Edmonton, RNH simplesmente não se desenvolveu para o jogador de elite que se esperava, mas é um bom contribuidor ofensivo, um jogador bastante útil capaz de oferecer profundidade ao plantel.
Com a primeira escolha de 2012 escolheram Nail Yakupuv, um avançado russo.
Sempre foi esperado que o seu desenvolvimento fosse mais demorado, contudo, ao fim de quatro épocas de desilusão foi trocado para St.Louis e duas épocas depois, sem equipa na NHL optou por voltar para a Rússia, onde continua com dificuldade em desenvolver o seu jogo.
Aqui noto o primeiro padrão, três primeiras escolhas seguidas numa altura pré sorteio, ou seja, os Oilers ou ficaram em último lugar durante três anos consecutivos, ou trocaram para ficar com a primeira escolha e ficar com estes jogadores que escolheram.
Três avançados que se esperavam ser marcadores de elite, apenas um deles conseguiu ter uma equipa desse nível, e foi já fora de Edmonton.
Sendo que apenas Yakupov foi uma real bust (jogador que se esperava muito, foi escolhido cedo no draft mas não se desenvolveu como esperado) vamos ver que outros jogadores, sobretudo defesas porque era o que a equipa precisava na altura, podiam ter escolhido esse ano: Morgan Rielly, Matt Dumba e Jacob Trouba.
Todos estes foram escolhidos na primeira ronda, e apesar de apenas Rielly se poder considerar um defesa elite, os outros dois são mais que capazes de ser um principal defesa da equipa.
Vamos continuar a esmiuçar as últimas duas primeiras escolhas dos Edmonton. Leon Draisaitl em 2014 e Connor McDavid em 2015.
Um jogador de elite, e o melhor jogador da atualidade. Ou seja, algo muito semelhante que os Penguins tinham em 2005 em Crosby e Malkin, o que falta então é o quê?
Nas cinco épocas de McDavid e Draisaitl apenas passaram à primeira ronda uma vez, e apenas chegaram a primeira ronda duas vezes. Com 24 anos Crosby já tinha chegado e perdido uma final da Stanley Cup, como já tinha conquistado a sua primeira.
E eu não acho que McDavid seja pior que Crosby na sua idade, o que acho é que o elenco secundário não é assim tão bom.
Os Oilers acabaram de trocar por Duncan Keith, vamos ser honestos, Keith é uma sombra do defesa vencedor que foi nos Blackhawks, nenhum dos guarda-redes tem o perfil para ser vencedor.
No ataque até acredito que a equipa esteja bem construída, muito talento capaz de contribuir no ataque, e bons jogadores para defender e fechar o jogo quando necessário.
A meu ver o que falta aos Oilers é um Keith de há dez anos atrás, possivelmente Darnell Nurse pegará nesse manto, e verdade seja dita, teve uma excelente época regular, contudo vacilou nos playoffs.
Faço aqui novamente um apelo aos Oilers, não desperdicem um talento geracional, McDavid pode ser um dos melhores de sempre, mas para isso precisa de ganhar, e isso não vai conseguir fazer sozinho.

No que toca a Matthews acho o problema outro. Os Maple Leafs são o perfeito exemplo de como reconstruir uma equipa.
Tudo o que tinham de valor mandaram embora, apostaram na juventude e no seu sistema de desenvolvimento da AHL (American Hockey League), o escalão secundário da NHL por assim dizer.
E mal tinham estes jogadores prontos para atacar a taça, fizeram umas adições chave, como a de John Tavares, Joe Thornton, Jason Spezza, Jake Muzzin, T.J Brodie e com Campbell na baliza, existe plantel para ser favorito à vitória.
O que falta aos Toronto é muito mais grave. O problema dos Toronto é psicológico, não são capazes de passar a primeira ronda, e deixo aqui a ousada previsão, quando conseguirem passar serão campeões SE nenhum dos seus jogos for a jogo sete.
FOUR goals in your FIRST game?
Yeah, that’s a big Welcome to the NHL Moment, Auston Matthews (@AM34). pic.twitter.com/ZDAXq8EY9Y
— NHL (@NHL) October 12, 2019
Não é compreensível como um dos melhores planteis da liga com jogadores como Marner, Nylander, Matthews, Rielly e os outros mais experientes que mencionei não passar da primeira ronda dos playoffs.
A única justificação que encontro para estes três anos seguidos de derrotas em jogo sete é um problema psicológico em Toronto.
Contudo, acredito que o consigam inverter, e para esse efeito volto a fazer o paralelismo com Ovechkin e os Capitals, durante anos foram vistos como uma equipa que não era capaz de conseguir chegar à final, e quando o conseguiram não deixaram escapar a oportunidade e o russo finalmente teve a sua mais que merecida taça.

Por fim, vou falar de um terceiro jogador, que me sinto obrigado a falar como um destes talentos geracionais.
E fazendo um último paralelismo com os anteriores, vejo bastantes semelhanças deste jogador e Patrick Kane.
Nikita Kucherov pode ser uns anos mais velho que Matthews e McDavid, mas conta já com um uma época com 128 pontos na época regular que lhe valeu um Art Ross Trophy e um Hart Trophy, mas acima de tudo conta com duas Stanley Cup, liderou a sua equipa em pontos nos playoffs nos dois anos, e só não levou o Conn Smythe Trophy porque Hedman e Vasilevskiy foram um mindinho mais importante que ele na conquista dos troféus consecutivos.
E se por acaso os Tampa Bay conquistarem o seu terceiro troféu no mesmo número de anos, não só serão a mais recente Dinastia do desporto, como ser ão a primeira desde os Islanders em 1980 a 1984.
Como disse anteriormente acho que o domínio dos Blackhawks e dos Penguins é posto em causa uns pelos outros. Como Kucherov, a meu ver, se solidifica como um dos melhores do seu tempo.
Game-winning goal with seconds left from Nikita Kucherov (@86Kucherov).
Pretty easy choice for Shot of the Night! 👏 #StanleyCup
NHL x @JagermeisterUSA pic.twitter.com/QD7wFGBlYO
— NHL (@NHL) September 10, 2020













