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NHL: O peso das expectativas

Tiago Pinto Martins · 8 min

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Cabeçalho modalidadesHá uma equação que descreve na perfeição o grau de felicidade dos adeptos de uma determinada equipa. Não sei qual será, não sou matemático, mas sei que nela terá que existir uma relação directa entre os resultados obtidos e as expectativas iniciais. Quanto maiores as expectativas, melhores têm que ser os resultados para manter a fanbase de bem com a vida.

Os adeptos mais contentes da NHL neste momento têm que ser os dos New Jersey Devils. São de longe a equipa com maior diferença entre as expectativas iniciais, que passavam apenas por serem mais competitivos, e os resultados obtidos, líderes da difícil Divisão Metropolitana ao virar do quarto de época. Também contentes têm que estar os adeptos dos Tampa Bay Lightning e St. Louis Blues. Apesar de expectativas altas, os resultados ultrapassam-nas em larga escala. Mas não é destas equipas que vamos falar esta semana. Vamos antes olhar para o extremo oposto da escala da felicidade.

Primeiro Período: Adeptos sem consolo.

É fácil apontar para os Arizona Coyotes como uma das equipas que mais tristezas dá aos seus adeptos. Últimos na liga com apenas 11 pontos em 22 jogos, os Coyotes tornaram-se esta semana na primeira equipa da história a estar 20 jogos sem ganhar um único jogo no tempo regulamentar. Não é o tipo de recorde que se deseja. Ainda assim, os Coyotes estão longe de ter a fanbase mais desesperada. Não esquecer a importância das expectativas. As que recaíam sobre os Coyotes não eram muito grandes. Os resultados são muito maus, mas há motivos para ter esperança. Por exemplo, Clayton Keller é um dos sérios candidatos ao Calder. O prémio de adeptos mais desconsolados tem que ir para uma de duas equipas: Montreal Canadiens ou Edmonton Oilers.

Os Canadiens têm protagonizado uma autêntica novela mexicana desde o início da época. Começaram muito mal, recuperaram um pouco e estão a passar novamente por uma fase má. Tiveram a desonra de ser a primeira equipa a perder com os Coyotes no tempo regulamentar, ainda por cima em casa. No jogo seguinte, com uma óptima oportunidade para dar um pontapé na crise contra os rivais de Toronto, foram goleados por 6-0, novamente em casa. Não são só os resultados. Fora do gelo, as coisas não correm melhor. Carey Price voltou a esconder uma lesão da equipa e não joga há quase 3 semanas. Já se fala em reconstrução, o que seria uma volta de 180 graus de uma equipa que há quatro meses andava a trocar jovens promessas por jogadores feitos.

Ser francófono não está a valer de muito a Claude Julien Fonte: NHL
Ser francófono não está a valer de muito a Claude Julien
Fonte: NHL

Os Oilers são a equipa com maior diferença entre expectativas e resultados. Depois da boa performance nos playoffs da época passada, com mais um ano da maturação de Connor McDavid, todos esperávamos ver os Oilers no topo da tabela. Essas eram as expectativas. 16 pontos, 7 vitórias em 20 jogos e penúltimo lugar na Conferência Oeste é a realidade. A última derrota foi particularmente dolorosa, um 6-3 em Dallas, onde McDavid esteve em todas. Pontuou em todos os golos dos Oilers, mas esteve no gelo em cinco dos seis golos dos Stars, com responsabilidade directa em dois deles. Adivinhem sobre quem recaíram as críticas? McDavid está sujeito à crítica como qualquer outro, até merece pelas suas recentes performances defensivas, mas ele não é principal problema. Falta um elenco secundário que complemente a sua genialidade. McDavid é um prodígio, mas não faz milagres. Força, adeptos do Oilers e Canadiens. Muita força.

Segundo Período: NHL, daqui fala Houston.

Esta semana veio a público uma reunião entre Gary Bettman, comissário da NHL, e Tilman Fertitta, o dono dos Houston Rockets. O propósito da reunião foi avaliar as possibilidades de Houston vir a receber uma equipa de hóquei no gelo. Quando questionado sobre essa possibilidade, Gary Bettman afirmou não haver planos imediatos, mas admitiu que “se Houston expressar interesse em ter uma franquia da NHL, nas condições certas, é algo a considerar”.

Uma nova expansão, tão perto do nascimento dos Vegas Golden Knights, é difícil de prever, já a deslocalização de uma equipa já existente é outra história. Esta notícia aparece numa altura em que várias equipas estão com problemas em arranjar novos pavilhões. New York Islanders, Arizona Coyotes, Calgary Flames e Ottawa Senators estão com situações indefinidas. Os Islanders e os Coyotes são problemas crónicos. Em relação aos Flames, as negociações estão totalmente paradas, depois de Naheed Nenshi, mayor de Calgary que se opunha à utilização de dinheiros públicos para a construção de um novo pavilhão, ter sido reeleito. Como quem não quer a coisa, Gary Bettman introduziu também os Ottawa Senators nesta conversa ao afirmar que o Canadian Tire Center está a chegar ao fim do seu ciclo de vida e que a equipa precisa de ter um pavilhão mais perto do centro da cidade. Esta tem sido a principal causa apontada para as fracas assistências dos jogos dos Senators. Bettman repetiu várias vezes que não ameaça ninguém, mas o timing desta reunião é, no mínimo, suspeito.

O Toyota Center é a casa dos Houston Rockets, mas foi construído também a pensar no hockey Fonte: The Athletic
O Toyota Center é a casa dos Houston Rockets, mas foi construído também a pensar no hockey
Fonte: The Athletic

Quanto a Houston, parece um candidato muito válido. A NHL olha para três coisas essenciais quando avalia potenciais novas equipas: proprietário, recinto e mercado. Tilman Fertitta adquiriu os Houston Rockets em Setembro por $2.2 biliões de dólares e desde o início admitiu que pretendia ter uma equipa da NHL a jogar no mesmo recinto. Ele é dono de uma das maiores empresas na área da restauração nos EUA. Pavilhão também já há. O Toyota Center tem espaço para acolher 17500 pessoas e está capacitado a receber jogos de hóquei. Por último, o mercado, e é aqui que esta possibilidade se torna muito interessante para a NHL. Houston é a quarta maior cidade dos EUA, apenas atrás de Nova Iorque, Los Angeles e Chicago. Não há nenhum mercado maior na América do Norte onde a NHL não esteja. Por tudo isto, é fácil de ver que, apesar de ter chegado bem depois de Seattle e Quebec City, Houston passou a ser a favorita a ser a próxima cidade a ter uma equipa da NHL.

Terceiro Período: Rough stuff.

Estava a ser um início de temporada muito calmo. Sem muitas lutas, sem suspensões e sem confusões. Disse bem, estava. Esta semana voltámos a provar um bocadinho do “old time hockey”. Primeiro, houve line brawl na goleada por 8-2 dos Detroit Red Wings aos Calgary Flames, situação propícia a este tipo de acontecimento. Tudo começou numa luta entre Luke Witkowski e Brett Kulak, com o jogador dos Red Wings a dar uns safanões extra já com o seu adversário no chão. Os Flames não gostaram, como é óbvio. Quando Witkowski estava a ser conduzido pelos árbitros para os balneários, Matthew Tkachuk deu-lhe um toque na perna. Witkowski voltou para trás e o circo começou. Tudo a dançar aos pares, com preciosa ajuda dos jogadores que estavam no banco. Até os guarda-redes se envolveram, apesar de Jimmy Howard se ter mostrado muito mais à vontade do que o jovem Jon Gillies.

Felizmente ninguém se aleijou, mas houve consequências. A liga não podia deixar passar esta situação em claro. Para começar, Witkowski levou uma suspensão automática de 10 jogos por ter reentrado no rinque depois de já ter saído por ordens da equipa de arbitragem. Os Red Wings não ficaram nada contentes, mas a regra é clara. Depois de sair, não pode voltar a entrar, mesmo que a porta esteja aberta, como foi o caso. Para os Flames não se ficarem a rir, a liga decidiu dar também um jogo de suspensão a Matthew Tkachuk por ter sido o agente provocador. Apesar de novinho, Tkachuk começa a ganhar fama como um dos agitadores da NHL, a chegar perto de nomes como Brad Marchand e Tom Wilson. Contas finais: 111 minutos de penalidade, 5 expulsões e 11 jogos de suspensão no total.

O dérbi de sábado entre Montreal Canadiens e Toronto Maple Leafs também esteve perto de virar para a violência. Já no terceiro período, com os Leafs a vencerem por 3-0, Nazem Kadri foi placado por trás e contra as bordas por Max Pacioretty. Duas penalidades na mesma jogada, os árbitros podiam ter escolhido qualquer uma, decidiram-se por nenhuma. O resultado foi o esperado. Mal regressou ao rinque, Kadri foi atrás do primeiro Canadien que lhe apareceu pela frente. Problema: foi Shea Weber, um homem com 1 metros e 93 centímetros e 107 quilos de peso. Weber, com a ajuda de Jordie Benn, respondeu prontamente assaltando Kadri. Vendo-se a ser atacado por dois adversários, Kadri encolheu-se e a coisa ficou por ali. A equipa de arbitragem pode agradecer aos anjinhos ninguém se ter magoado. A responsabilidade recai toda nos seus ombros por não terem marcado a penalidade inicial sobre Kadri.

Houve mais jogadores a portarem-se mal. Radko Gudas, pois claro. O defesa dos Flyers quase decapitou Mathieu Perreault com o seu stick e foi expulso da partida contra os Winnipeg Jets. Os 10 jogos de suspensão são curtos, tendo em conta a gravidade da situação e a reincidência de Gudas. Também Austin Watson dos Nashville Predators foi suspenso por 2 jogos devido a uma placagem contra as bordas sobre Dominic Toninato. O jogador dos Colorado Avalanche saiu lesionado daquele que foi o seu primeiro jogo na NHL.

Estrelas da Semana

 

Primeira Estrela:

Teuvo Teravainen (Carolina Hurricanes) – Cinco golos e cinco assistências em 4 jogos? Yep, isso chega para ser primeira estrela da semana. A produção do jovem finlandês tem sido essencial na recuperação dos Hurricanes que agora estão apenas a um ponto dos wildcards. No meio desses 10 pontos está o primeiro hat-trick da carreira na vitória por 5-1 sobre os Dallas Stars.

 

Segunda Estrela:

Frederik Andersen (Toronto Maple Leafs) – Dois jogos, 75 defesas, nenhum golo sofrido. Semana perfeita para o guarda-redes dos Leafs, mas esta estrela tem retroactivos. Os Leafs estão numa série de seis vitórias consecutivas, quatro das quais obtidas na ausência de Auston Matthews, e Andersen foi essencial. Nessa série, o dinamarquês foi titular em cinco jogos e apenas uma vez sofreu mais do que 2 golos.

 

Terceira Estrela:

Brayden Schenn (St. Louis Blues) – Será que finalmente estamos a ver a concretização do potencial de Brayden Schenn? A mudança de Philadelphia para St. Louis está a fazer maravilhas ao centro de 28 anos que agora integra uma das melhores linhas da NHL, ao lado de Vladimir Tarasenko e Jaden Schwartz. Esta semana, Schenn fez seis pontos em três jogos, incluindo o golo da vitória no prolongamento contra os Vancouver Canucks. Esse golo aumentou para sete o número de jogos consecutivos de Schenn a pontuar.

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Foto de Capa: NHL

 

 

 

Tiago Pinto Martins

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