Publicidade

Palavras de guarda-redes

Tiago Pinto Martins · 7 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho modalidades

Os guarda-redes são bichos estranhos, cada um tem as suas manias muito pessoais, mas todos eles são corpos externos à equipa. Há o mundo da equipa, onde todos trabalham em conjunto, e depois há o mundo solitário do guarda-redes, que luta a sua luta individual, contra os seus vilões individuais. Por isso, quando um guarda-redes tem algo a dizer sobre o desempenho dos seus colegas, eles ouvem com atenção. É porque alguma fizeram para perturbá-lo no seu mundo.

Primeiro Período: Frustração em Toronto.

Fredrik Andersen, o estoico guarda-redes dos Toronto Maple Leafs, não mediu as palavras no fim da dececionante derrota por 3-2 frente aos Philadelphia Flyers, um jogo em que os Leafs deixaram escapar uma vantagem de dois golos no terceiro período. “Temos que perceber quem se quer comprometer a jogar para a equipa”, disse o dinamarquês sem apontar nomes. Deixou também no ar a ideia de que há mais jogadores descontentes no balneário. “Sim, não sou só eu, há outros no banco também. É frustrante não estar no powerplay e ver aquele tipo de jogada”, uma alusão clara ao segundo golo dos Flyers, em shorthand, que deu início à reviravolta. Quem é que não estava nesse powerplay? Auston Matthews.

A frustração já se espalhou para fora do balneário. Os resultados não ajudam. A vitória sobre os Ottawa Senators, no passado sábado, foi a primeira registada no tempo regulamentar desde 28 de Dezembro. Mas o que custa mais a processar é a falta de golos de uma equipa que, no início do ano, parecia ser imparável do ponto de vista ofensivo. No mês de Janeiro, os Leafs só marcaram três ou mais golos duas vezes, as duas contra os Senators. Desapareceu a velocidade, a magia e a criatividade. Os Leafs são agora uma equipa previsível e passiva. O pior é que parece ser intencional.

Mike Babcock, treinador dos Toronto Maple Leafs Fonte: NHL
Mike Babcock, treinador dos Toronto Maple Leafs
Fonte: NHL

Leo Komarov é o terceiro jogador com mais minutos no mês de Janeiro, subindo quase três em relação ao início da temporada, apesar de ter apenas 13 pontos em 49 jogos. Roman Polak está de pedra e cal na defesa e a jogar minutos importantes.  Não é só por aí que se percebe que há intenção, é também pelas declarações de Babcock. Após a derrota no prolongamento frente aos St. Louis Blues, jogo em que os Leafs marcaram apenas um golo, Babcock disse sobre o lance que decidiu a partida: “If you cheat for offense, you lose.” Perdeste 2-1, Mike. O problema é o um, não o dois.

Felizmente para os Leafs, a concorrência pelo terceiro lugar na Divisão Atlântica está bem longe, mas a tendência não deixa de ser preocupante. Se a esterilização do ataque dos Leafs é intencional, qual é o objetivo? Ensinar a equipa a defender melhor? Como é suposto os jovens aprenderem se estão a ser preteridos em favor dos veteranos? São perguntas a que Babcock terá que responder até ao fim da época regular. Ele pode ser o treinador mais bem pago da liga, mas não está imune a críticas, especialmente se os adeptos acharem que a equipa não está a aproveitar todo o seu potencial.

Segundo Período: Luta aberta na Divisão Atlântica

Quem tem aproveitado a debilidade dos Leafs são os Bruins, que estão agora na segunda posição na Divisão Atlântica e com uma margem confortável sobre a equipa de Toronto. De facto, os Bruins tem estado em tão boa forma que já nem olham para trás, olham sim para frente, para o primeiro lugar na divisão, ocupado atualmente pelos Tampa Bay Lightning. Parecia impossível há umas poucas semanas, mas os Bruins podem mesmo dar luta pelo título de divisão. Os Lightning têm neste momento uma vantagem de cinco pontos, mas os Bruins têm dois jogos por disputar. Ganhando esses dois jogos, o que não parece difícil dada a dinâmica que a equipa vem demonstrando nas últimas partidas, ficam a um ponto apenas da liderança.

Pela primeira vez esta temporada, os Ligtning parecem humanos. A vitória de ontem sobre os Chicago Blackhawks pôs fim a uma série de três derrotas consecutivas. Estão sem Victor Hedman e Ondrej Palat devido a lesão, Steven Stamkos não marca há nove jogos e Andrei Vasilevskiy, um dos favoritos ao Vezina, sofreu quatro golos ou mais em cinco dos últimos seis jogos. Esta mini-crise abriu uma brecha para os Bruins. A equipa de Boston venceu os últimos três jogos e pontua há 16 partidas consecutivas. A última vez que perderam um jogo no tempo regulamentar foi no dia 14 de Dezembro de 2017, estavam nessa altura a 14 pontos dos Lightning.

Adam McQuaid, Noel Acciari e Patrice Bergeron Fonte: NHL
Adam McQuaid, Noel Acciari e Patrice Bergeron
Fonte: NHL

Não está mau para uma divisão que todos dávamos como decidida há umas poucas semanas. E a luta promete aquecer. Bruins e Lightning ainda só se defrontaram uma vez esta época, com os Bruins a vencerem por 3-2. Ainda há três confrontos diretos para disputar e cada vez mais parece que serão esses jogos a decidir a Divisão Atlântica. Para já, a aposta segura ainda é nos Lightning, mas não devemos menosprezar a impressionante recuperação dos Bruins, uma equipa que começou a temporada com 11 derrotas nos primeiros 17 jogos.

Terceiro Período: A quase impossível transformação dos Avalanche.

Passamos agora dos Bruins, uma das equipas em melhor forma na NHL, para os Colorado Avalanche, a equipa em melhor forma na NHL. Com a vitória de ontem sobre os Toronto Maple Leafs, os Avalanche quebraram a barreira dos dois dígitos, já não perdem há 10 jogos consecutivos. O hockey é uma coisa maravilhosamente imprevisível. Colorado, a equipa que fez uma das piores temporadas de que há registo em 2016/17, tem a série vitoriosa mais longa de 2017/18. Os Avanlanche ocupam neste momento o segundo wild card e podem aspirar aos playoffs, o que é incrível tendo em conta a posição em que se encontravam há menos de um ano. Com 27 vitórias, já têm mais cinco do que aquelas que registaram em toda a época transacta, e já amealharam mais 9 pontos, isto quando ainda têm quase metade dos jogos por disputar.

Perguntaram aos jogadores dos Avalanche qual é a grande diferença em relação ao ano passado e a resposta é clara: a ausência de Matt Duchene. Primeiro, foi Erik Johnson a deixar subentendido. “Da maneira como as coisas correram no ano passado, o mais fácil seria abandonar o navio. Mas o núcleo duro quis ficar aqui em Colorado e encontrar soluções”. Nathan MacKinnon foi mais direto. “Ajudou bastante (a saída de Duchene). Agora toda a gente que cá está quer cá estar, o que é muito bom”. Não sei qual a diferença de ambiente dentro do balneário, mas é-me difícil acreditar que a perda de um jogador, mesmo tendo ele uma presença cancerígena, possa explicar isoladamente a melhoria estrondosa dos Avalanche.

Nathan MacKinnon em ação Fonte: Sportsnet
Nathan MacKinnon em ação
Fonte: Sportsnet

Se quisermos ser mais analíticos, e menos dramáticos, facilmente encontramos dois “culpados”: Nathan MacKinnon e Jonathan Bernier. Bernier pegou nas rédeas da equipa quando Semyon Varlamov se lesionou. Desde aí, venceu 10 dos 11 jogos, com uma percentagem de defesas absurdas de 95.7%. Isto é fantástico, mas pouco sustentável. O mesmo não pode ser dito de MacKinnon. Desde que entrou na liga em 2013 esperamos que ele exploda. Este é o seu ano. Se a temporada acabasse hoje, MacKinnon faria o segundo melhor registo da sua carreira com 59 pontos. Não terá dificuldades em bater o seu recorde de 63 pontos numa temporada. O objetivo já tem que ser outro, os olhos estão já postos na barreira dos 100 pontos. Na série de 10 vitórias dos Avalanche, MacKinnon tem 19 pontos, oito golos e 11 assistências. Ele sim, é o verdadeiro responsável. 2017/18 é a época em que Nathan MacKinnon passou de “muito bom” a “bestial”.

Estrelas da Semana

Primeira Estrela: Nathan MacKinnon (Colorado Avalanche)

Com tudo o que dissemos em cima sobre MacKinnon, já estavam a adivinhar que ele seria a primeira estrela da semana. Mais alguns números para perceberem a dimensão da época que ele está a fazer. MacKinnon é o segundo jogador com mais pontos na NHL, apenas atrás de Nikita Kucherov dos Tampa Lightning, mas é o que tem mais pontos desde o início do mês de Dezembro, 31 pontos em 23 jogos para ser mais preciso.

Segunda Estrela: Connor Hellebuyck (Winnipeg Jets)

Apesar de só terem marcado dois golos, os Winnipeg Jets terminaram a semana com duas vitórias, muito graças às exibições de Hellebuyck. Ele parou 59 remates do adversário, sofreu apenas um golo e quase ficava sem um olho. Hellebuyck está no top-10 em todas as estatísticas que importam e merece a sua primeira presença no All Star Game no próximo fim de semana.

Terceira Estrela: Brad Marchand (Boston Bruins)

O ala dos Boston Bruins foi o jogador com mais pontos esta semana na NHL, com dois golos e cinco assistências. Ele, Patrice Bergeron e David Pastrnak formam uma das melhores linhas da liga. Estes três são responsáveis por 59 dos 150 golos marcados pelos Bruins. E são ainda melhores defensivamente. Em mais de 500 minutos de 5-contra-5, os Bruins sofreram apenas 8 golos com Marchand no gelo. Por outro lado, marcaram 34.

Tiago Pinto Martins

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.