Rangers batem de frente com a realidade

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Cabeçalho modalidadesJeff Gorton e Glenn Sather puseram as cartas na mesa. Numa comunicação oficial aos adeptos, os homens fortes dos New York Rangers anunciaram a mudança de rumo. “À medida que nos aproximamos do trade deadline, estaremos focados em adicionar jogadores jovens e competitivos que combinem velocidade, habilidade e carácter. Isso significa que perderemos alguns rostos familiares, caras de que todos gostamos e as quais respeitamos”, diz a declaração. A reconstrução do plantel está em marcha e os adeptos estão avisados.

Primeiro Período: A atitude correta.

Todos os nomes estão em cima da mesa. Os Rangers não têm um plantel particularmente novo, por isso é difícil ver algum dos seus melhores jogadores a resistirem a este processo, que poderá demorar vários anos. Rick Nash e Michael Grabner são os nomes mais fáceis de apontar, mas até Mats Zuccarello, Ryan McDonagh e mesmo Henrik Lundqvist podem estar disponíveis. Quem poderá também não resistir às mudanças é Alain Vigneault. Quando perguntado sobre o futuro do treinador, Jeff Gorton recusou-se a responder.

Alain Vigneault, treinador dos Rangers Fonte: NHL
Alain Vigneault, treinador dos Rangers
Fonte: NHL

Para os adeptos dos Rangers, este é o primeiro embate com a realidade da NHL pós-salary cap. Já não é possível ser como os Red Wings dos anos 90, perder um jogador de elite apenas para encontrar outro e continuar a ser a melhor equipa da liga. Desde o salary cap até ao sistema de pontuação, tudo contribui para que a NHL seja uma liga de ciclos. Uma equipa constrói um plantel bom o suficiente para competir, tenta ganhar na pequena janela em que consegue manter esse grupo unido e depois, quando já não é capaz, deita tudo abaixo e começa outra vez.

Não dá para fugir a esta realidade. A diferença entre as equipas é feita pela rapidez com que percebem que o seu ciclo terminou. Quão mais cedo se aperceberem disso, mais cedo podem começar a reconstruir para tentar de novo. Mas também há aquelas equipas que estendem o seu ciclo ao máximo, à espera de um milagre ou, se quisermos ser mais cínicos, apenas à espera da receita de bilheteira dos playoffs. Parecendo que não, quatro casas cheias sem ter que pagar um cêntimo aos jogadores, ainda é dinheiro, mas cheira a burla. Até pode resultar durante um período, mas, a longo termo, enganar os clientes é uma péssima estratégia de negócio. Os Rangers decidiram ser honestos.

E podiam não o fazer. Estão a três pontos dos playoffs. Havia uma forte possibilidade de conseguirem lá chegar, mas sabem que não têm o que é preciso para lutar pelo título. Para isso têm de começar tudo de novo. Os Rangers disputaram 129 jogos consecutivos nos playoffs, apenas os Pittsburgh Penguins têm mais, desde a introdução do salary cap. Ganharam um President’s Trophy, foram três vezes à final da Conferência e uma à final da Stanley Cup. É preciso ter coragem para fechar este ciclo aos primeiros sinais de declínio, basicamente pondo um fim ao sonho dos Rangers, ganharem um título com Lundqvist. A declaração serve de agradecimento e aviso aos adeptos. Vêm aí tempos difíceis, mas este é, a longo prazo, o melhor caminho para a equipa.

Tiago Pinto Martins
Tiago Pinto Martinshttp://www.bolanarede.pt
Nice guy, tries hard, loves the game" é a bio do bi-campeão da Stanley Cup Phil Kessel no Twitter, mas podia, com a mesma precisão, descrever o Tiago. Deixou-se deslumbrar pela NHL quando, em adolescente, viu dois adultos ao soco em cima de patins pela primeira vez. Desde entanto, cresceu e passou a apreciar outros aspectos deste magnífico desporto. Espera transmitir esta paixão a outras pessoas.                                                                                                                                                 O Tiago escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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