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Roland Garros: o fim de uma era?

Duarte Pereira da Silva · 3 min

Rafa Nadal Roger Federer

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cab ténis

As vitórias de Novak Djokovic, que venceu pela primeira vez em Roland Garros Rafael Nadal; Andy Murray, que, curiosamente, também venceu pela primeira vez David Ferrer em terra batida, e ainda a derrota de Roger Federer perante Stan Wawrinka, que também nunca tinha ganhado a Federer em Roland Garros, marcam o fim de uma era na história do ténis.

Novak Djokovic VS Rafael Nadal

Novak Djokovic entrou bastante forte no encontro e rapidamente se adiantou para 4-0 na primeira partida. No entanto, e como é apanágio do espanhol, Nadal rapidamente recuperou dos 2 breaks de desvantagem e igualou a partida a 4 jogos. A primeira partida, que viria a cair para o lado do sérvio, por 7-5, viria a decidir-se em pequenos detalhes, de resto, como todo o encontro, na minha opinião.

O espanhol, que, mesmo perdendo o encontro, realizou o melhor encontro da temporada de terra batida, voltou a tremer em momentos importantes no segundo set: quando servia a 4-3, apesar de ainda ter salvado break points, voltou a sofrer o break e colocava Djokovic a servir para o fecho da segunda partida; o sérvio não tremeu e acabaria mesmo por se colocar a vencer por 2 sets a 0.

No terceiro set, Nadal, que pareceu acusar a derrota do segundo set, não mais conseguiu perturbar Djokovic. O sérvio, como é normal, começou a jogar mais solto e parecia estar em estado de graça. Terminava, desta forma, a invencibilidade de Nadal frente a Djokovic em Roland Garros.

Numa análise mais técnica, penso que a “ausência” da direita paralela de Rafael Nadal, que tantas vitórias lhe deu perante o sérvio, combinada com a agressividade de Djokovic, foram a chave para o triunfo do número 1 mundial. Será desta que o pupilo de Boris Becker vence Roland Garros?

Andy Murray VS David Ferrer

Andy Murray, que chegou a Roland Garros após realizar a sua melhor temporada em terra batida – conquistou 2 titulos no pó de tijolo, Munique (ATP250) e Madrid (Masters100) – voltou a realizar uma excelente exibição. David Ferrer nunca pareceu ser capaz de incomodar verdadeiramente o escocês.

No 1º set, Murray, que até chegou a salvar 1 set point, esteve sempre bastante confortável. O escocês chegou a dispor do seu serviço a 5-3 para vencer o primeiro set, mas só foi capaz de concretizar a sua superioridade no tie-break (7-4).  No segundo set, a superioridade do escocês foi ainda mais evidente. Murray, sempre bastante agressivo, dominou por completo a segunda partida e coloca-se, tal como Djokovic, a vencer por 2 sets a 0. Ferrer parecia não ter armas no seu jogo que fossem capazes de perturbar minimamente o escocês.

Quando nada o fazia prever, e após o escocês desperdiçar uma vantagem de 3-0, na terceira partida, David Ferrer nunca baixou os braços, alias, como é habito, e conseguiu mesmo vencer o terceiro set por 7-5. No entanto, e, diga-se, com toda a justiça, Andy Murray voltou a elevar o seu nível de jogo e venceu com toda a autoridade o quarto set por 6-1. Foi a primeira vez na sua carreira em que o escocês bateu David Ferrer em terra batida.

Djokovic e Murray, num encontro que será uma reedição da final do Australian Open 2015, vão disputar, na sexta-feira, um lugar na final do Grand Slam parisiense.

Andy Murray e Novak Djokovic reeditam, desta forma, a final do Australian Open 2015 Fonte: Facebook Oficial de  The Guardian
Andy Murray e Novak Djokovic reeditam, desta forma, a final do Australian Open 2015
Fonte: Facebook Oficial de The Guardian

O fim de uma era ?

As derrotas de Rafael Nadal, frente a Djokovic, e de Roger Federer, perante Stan Wawrinka, marcam o fim de uma era na história do ténis (embora Rafa já tenha vindo negar tal coisa). O espanhol e o suíço, nos últimos tempos, não têm sido capazes de superiorizar-se aos restantes jogadores de top do circuito. Contudo, nada apaga o que ambos fizeram pela modalidade. Rafael Nadal é, sem margem para dúvidas, o melhor jogador de todos os tempos em terra batida e também um dos melhores de sempre, e Roger Federer é, na minha opinião, o melhor jogador da história da modalidade.

Um grande obrigado a Federer e Nadal por tudo aquilo que fizeram e, não tenho duvidas, continuarão a fazê-lo, seja dentro ou fora do campo. No meu caso, e com certeza terão sido para milhões de praticantes por todo o mundo, exemplos a seguir.

Duarte Pereira da Silva

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