All Blacks reconquistam Rugby Championship

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No centésimo duelo entre ambos, a Nova Zelândia (All Blacks) garantiu a vitória sobre a África do Sul e, por consequência, revalidou o título do Rugby Championship.

Apesar da vitória, a Nova Zelândia nunca teve o jogo controlado – não só no que diz respeito ao resultado, mas também no que toca à qualidade do rugby apresentado.

Não obstante o domínio nos capítulos da posse e do território, os All Blacks mostraram alguma falta de lucidez na tomada de decisão, o que, consequentemente, se traduziu em oportunidades desperdiçadas. Sem bola, os Neozelandeses (sobretudo George Bridge) somaram diversos erros nas bolas altas, o que deu origem ao ensaio de Sbusiso N’Kosi.

Do outro lado, a África do Sul realizou uma exibição muito competente, principalmente sem a oval em seu poder. Os Springboks apresentaram uma line speed agressiva, capaz de limitar a utilização do espaço ao adversário.

Esta estratégia acabou por se revelar profícua uma vez que, para além do controlo da profundidade do Rugby da linha de três quartos adversária, os campeões do mundo impuseram muitos erros de handling aos All Blacks – ora em jogo aberto, ora no contacto.

Já com bola, os Sul Africanos raramente se mostraram perigosos. Raras foram as vezes em que tal sucedeu, mas, quando aconteceu, o grande responsável foi Faf de Klerk. O médio de formação soube ler o jogo e aproveitar o espaço no eixo mais profundo do campo, de forma a colocar o adversário sob pressão.

No breakdown, a África do Sul conseguiu atrasar a saída de bola da Nova Zelândia, o que, de certo modo, se refletiu na dificuldade que os kiwis tiveram em alargar o seu jogo. Ainda assim, foi neste capítulo que os All Blacks conquistaram a penalidade que garantiu a vitória, já nos minutos finais. Quinn Tupaea foi o responsável pelo turnover, sendo que Jordie Barrett não desperdiçou o pontapé aos postes.

A jornada apenas ficou completa com novo embate entre Austrália e Argentina. Tal como na semana passada, os Wallabies levaram os Pumas por vencidos, sem grandes dificuldades.

Nos primeiros quarenta minutos, os australianos dominaram o jogo em todos os aspetos, criando múltiplas oportunidades – muitas destas desperdiçadas. Além do mais, foi com aparente facilidade que a seleção anfitriã do torneio ganhou a linha da vantagem aos Sul Americanos. Samu Kerevi mostrou-se sempre explosivo no ataque à linha, tal como Andrew Kellaway, que foi capaz de encontrar múltiplos espaços na defesa adversária.

Já a Argentina teve muitas dificuldades em implementar o seu jogo à mão, apostando diversas vezes em jogar ao pé, acabando por tirar pouco partido deste aspeto. A falta de organização na linha atrasada resultou em zero quebras de linha da vantagem durante os oitenta minutos de jogo.

Ainda para mais, a capacidade de retenção de bola da Austrália teve uma ação primordial em desgastar o pack avançado contrário e aproveitar o espaço concedido pelos Argentinos.

Por último, Jordie Barrett e Samu Kerevi são, na minha opinião, os jogadores da jornada. O primeiro não só foi decisivo na penalidade que garantiu o primeiro lugar aos All Blacks, mas também se mostrou um jogador muito interventivo ao longo do jogo, procurando explorar os canais mais próximos do ponto de contacto. Já Samu Kerevi foi uma ameaça constante à linha argentina, quer pelo seu poderio físico, quer pela sua imprevisibilidade.

Foto de Capa: All Blacks

Artigo revisto por Andreia Custódio

Marco Minelli
Marco Minellihttp://www.bolanarede.pt
Natural de Lisboa, mas de origem italiana, a sua paixão é o Rugby. Está inserido na modalidade enquanto jogador e árbitro.                                                                                                                                                 O Marco escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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