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Fiji: O arquipélago do Rugby

Marco Minelli · 4 min

Foto: Fiji Rugby

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Localizadas no Pacífico Sul, as Ilhas Fiji têm como imagem de marca as suas ilhas tropicais e o Rugby. Nesta modalidade, os fijianos representam uma das melhores seleções do mundo na variante Sevens e, no que ao Rugby de 15 diz respeito, ocupam a 11.ª posição do ranking mundial da World Rugby.

A partir de 1874, Fiji passou a estar sob a alçada da coroa britânica. Chegaram os ingleses e, pouco tempo depois, chegava também um desporto inglês, mais precisamente, o Rugby. Calcula-se que o jogo tenha aparecido no arquipélago em 1880. Na época, era praticado, maioritariamente, por expatriados e europeus. Mais tarde, em 1904, foi criada a primeira competição doméstica de clubes.

O Rugby ia-se desenvolvendo cada vez mais, até que, nove anos depois da criação de um torneio nacional, apareceu o primeiro clube formalmente organizado, de nome Pacific Club. O seu aparecimento deveu-se a um neozelandês, PJ Sheehan. Com o surgimento de clubes e competições, criou-se uma entidade organizadora do Rugby local, conhecida hoje como Fiji Rugby Union.

Apesar de ser uma modalidade muito importante nas Ilhas Fiji, o Rugby não fica imune aos problemas financeiros que se vive no país
Fonte: Fiji Rugby

Decorria o ano de 1924, quando a seleção nacional de Fiji realizou o seu primeiro test match. Defrontou Samoa, num jogo que, curiosamente, foi disputado às sete da manhã, de modo a que os samoanos pudessem ir trabalhar após a partida e os fijianos, por sua vez, seguissem viagem para Tonga. Os visitantes (Fiji) acabariam por vencer por 6-0.

Terminada a contextualização histórica do desporto rei fijiano, conheçamos, agora, a realidade nacional e internacional do mesmo.

No que toca ao Rugby interno, existe um campeonato nacional disputado pelas doze províncias do país, a Skipper Cup. Nesta competição, em 2019, foram oferecidos 50 mil dólares fijianos (o equivalente a aproximadamente 20 mil euros) a todos os clubes, com a finalidade de contratar 25 jogadores e duas equipas, uma técnica e uma médica.

Apesar desta competição interna, os nomes mais sonantes, em termos de clubes, no Rugby fijiano não jogam no campeonato nacional, como é caso do Fijian Drua, franquia profissional que atua no National Rugby Championship, isto é, no campeonato nacional australiano. Deste clube saiu, por exemplo, Frank Lomani, internacional fijiano e atual jogador dos Melbourne Rebels. De notar também a existência de um segundo clube profissional, o Fijian Latui, que compete no Global Rapid Rugby, torneio composto por seis clubes do eixo Ásia-Pacífico.

A nível internacional, tem sido na variante Sevens que os Flying Fijians se têm destacado. Foram diversos os títulos conquistados, entre os quais, quatro World Rugby Sevens Series, dois mundiais e uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016.

Para a história ficará Waisale Serevi, jogador natural de Suva, considerado o melhor de sempre nos 7’s. The King of Sevens, como ficou conhecido, somou 1310 pontos em 160 jogos no circuito mundial. Como treinador da seleção de Rugby de 7 fijiana, Serevi conquistou um circuito mundial e uma medalha de bronze nos Commonwealth Games de 2006.

Já no Rugby de 15, Fiji é considerada uma seleção do tier 2. Como tal, compete no segundo escalão da região do Pacífico, mais concretamente, na Pacific Nations Cup, prova que os fijianos já venceram em cinco ocasiões.

Os Flying Fijians participaram nas oito edições do mundial, sendo que, em 2007, chocaram o mundo oval ao deixar o País de Gales fora dos quartos de final. Neste célebre jogo, os britânicos foram derrotados por 38-34. Os homens do Pacífico Sul viriam a ser eliminados na ronda seguinte, ao perder 37-20 frente à África do Sul.

No campeonato do mundo do ano transato, realizaram grandes exibições frente a seleções do tier 1, como País de Gales e Austrália. Apesar disso, serão recordados por uma derrota histórica frente ao Uruguai.

O Rugby fijiano reúne as características próprias do estilo de jogo da zona do Pacífico. Tem uma forma de jogar muito física, que oferece espetáculo ao jogo, através de bump offs e de placagens dominantes. Já a linha de três quartos também tem a sua espetacularidade, com os offloads e os side steps de jogadores como Semi Radradra e Josua Tuisova. Apesar de todas estas qualidades, a indisciplina no processo defensivo tem manchado muitas atuações fijianas nos últimos anos.

Embora este arquipélago da Polinésia tenha jogadores de grande qualidade, creio que a falta de recursos financeiros tem sido um dos entraves à modernização do desporto nestas pequenas ilhas e, acima de tudo, tem impedido estas nações (Fiji, Samoa e Tonga) de se afirmarem ainda mais no Rugby internacional. Esta é uma das causas que leva muitos jogadores fijianos a representar outras nações das quais têm descendência ou obtêm nacionalidade através da residência, como é o caso de Sevu Reece, Joe Cokanasiga, Samu Kerevi, Virimi Vakatawa, entre muitos outros.

Em tom de conclusão, as Ilhas Fiji têm-se mostrado cada vez mais competitivas dentro do terreno de jogo. Fora do campo, a realidade é diferente. As dificuldades económicas refletem-se nas condições desportivas, num país em que cerca de 35% da população vive abaixo do limiar de pobreza.

Foto de Capa: Fiji Rugby

Artigo revisto por Joana Mendes

Marco Minelli

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