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Super Rugby Aotearoa: Hurricanes reabrem luta pelo título

Marco Minelli · 4 min

Super Rugby Aotearoa: Hurricanes reabrem luta pelo título
Foto: Super Rugby NZ

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Corria o ano de 2016 aquando da última vitória dos Hurricanes no terreno dos Crusaders. Desde então, a franquia de Christchurch não mais perdeu na condição de visitada. Passados quatro anos e 36 jogos, os Crusaders voltaram a perder em casa, precisamente contra o conjunto da capital, naquela que foi, curiosamente, a primeira derrota de Scott Robertson no Orangetheory Stadium, desde que assumiu a função de treinador principal em 2017.

Num jogo de tudo ou nada para os Hurricanes, a equipa de Jason Holland, de modo a contrariar o poderio ofensivo da linha de três quartos dos Crusaders, apresentou uma line speed veloz e agressiva, mas, mesmo assim, os Crusaders conseguiram tirar partido da profundidade do seu jogo, acabando, desta forma, por criar espaço nos canais exteriores. Este componente acabou por se revelar mais frutífero na segunda parte, uma vez que a franquia da casa apostou num jogo à mão, dando mais liberdade ao seu médio de abertura para atacar o espaço e a profundidade.

Outro aspeto a destacar do Rugby da franquia de Christchurch é a formação ordenada. Neste domínio do jogo, os Hurricanes foram completamente dominados. A ausência de Tyrel Lomax e a lesão de Fraser Amstrong nos minutos iniciais dificultou a tarefa do pack avançado dos Canes neste capítulo.

À semelhança do seu adversário, os Hurricanes também apostaram num jogo largo, aproveitando a capacidade de finalização de Wes Goosen. Aliada a esta qualidade, esteve, mais uma vez, a capacidade de encontrar espaços na linha defensiva contrária de Peter Umaga-Jensen e Ngani Laumape.

Já Jordie Barrett, realizou uma exibição de grande qualidade, não só pela sua frieza nos pontapés aos postes, mas também pelo turnover que conquistou a escassos segundos do final do encontro. Ainda assim, o seu jogo ao pé deixou muito a desejar, tendo o ganho territorial, ou tático, sido praticamente nulo.

Os Hurricanes foram a equipa com menos bola e território, mas, apesar desta inferioridade, conseguiram aproveitar as oportunidades que tiveram, algo que não tinha ocorrido nas jornadas anteriores, visto que a tomada de decisão ou o último passe não estavam à altura. Prova de tal domínio são os 592 metros percorridos pelos Crusaders, número claramente superior aos 292 metros da equipa de Wellington. Ainda assim, a abordagem ao breakdown dos Hurricanes revelou-se mais eficaz, tendo, os Crusaders, perdido cinco rucks.

Com esta vitória, os Hurricanes reabrem a luta pelo título, colocando, desta forma, pressão sobre o rival de Christchurch, que vê Blues e Hurricanes aproximarem-se na tabela classificativa.

Já na ilha norte, mais precisamente em Auckland, o ciclo de derrotas dos Chiefs parece não ter fim. Já são sete consecutivas, sendo este o pior registo de sempre da franquia de Hamilton.

Quase um ano depois, Beauden Barrett voltou à sua posição natural, mostrando que é claramente superior a Otere Black, na medida em que oferece mais imprevisibilidade à linha de três quartos, isto é, ora é explosivo no ataque à linha da vantagem, como também é capaz de abrir espaço na defesa contrária e de fazer o offload.

Já a entrada de Aaron Cruden ao intervalo trouxe mais dinâmica ao jogo dos Chiefs, tendo este participado no ensaio de Alaimalo, precedido de uma boa combinação entre o médio de abertura e Anton Lienert-Brown. Além do mais, não cometeu os erros de Kaleb Trask, uma vez que conseguiu assegurar progresso territorial nas penalidades, ao contrário do jovem, que cometeu erros de palmatória nas mesmas, acabando por não colocar pressão nos Blues, ao oferecer a bola ao adversário.

Os Blues pecaram no capítulo disciplinar, sendo penalizados em 15 ocasiões, número que contrasta com as seis faltas cometidas pelo conjunto de Warren Gatland. Os Chiefs aproveitaram a indisciplina do adversário para o colocar sob forte pressão.

Já instalados nos cinco metros dos Blues, os Chiefs não foram capazes de fazer o ensaio da vitória, devido à ação defensiva de Josh Goohue, que garantiu a vitória para os Blues. A legalidade do turnover do segunda linha deixou muitas dúvidas, sobretudo acerca da sua posição corporal.

Apesar da vitória e do caráter mostrado nos minutos finais, a equipa de Leon McDonald, para se confirmar como candidata ao título, terá de ser capaz de gerir o jogo de uma forma mais eficaz, principalmente no capítulo disciplinar.

Por último, Peter Umaga-Jensen e Rieko Ioane são, a meu ver, os jogadores da semana. O centro dos Hurricanes mostrou, mais uma vez, que é um jogador exímio no ataque ao espaço. O centro dos Blues, por seu turno, está a responder muito bem no retorno à posição de segundo centro. Correu 51 metros com a oval nas mãos, bateu quatro defesas e quebrou a linha da vantagem em duas ocasiões.

Foto de Capa: Super Rugby NZ

Artigo revisto por Joana Mendes

Marco Minelli

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