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Super Rugby Aotearoa: O que esperar desta competição

Marco Minelli · 6 min

Foto: Super Rugby

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O Rugby está de volta mas, desta vez, num formato diferente do habitual. O Super Rugby, competição na qual militam equipas de diversos países (África do Sul, Argentina, Austrália e Nova Zelândia, uma vez que o projeto dos Sunwolves do Japão terminou), adotou uma estratégia diferente, “imposta” pela pandemia, apelidada de Aotearoa, isto é, Nova Zelândia, em Maori.

A conferência neozelandesa continuará, tendo a competição a duração de dez semanas. Cada equipa disputará oito jogos (dois jogos contra cada franquia, um em casa e outro fora), sendo estes realizados nos estádios de cada clube. É de realçar que o que foi jogado no Super Rugby perderá efeito. Este será um novo início do torneio, com um modelo ligeiramente diferente.

Sendo este um torneio com um caráter diferente do habitual, foram revistos alguns aspetos que dizem respeito às leis do jogo.

Como tal, foi criada a lei do Golden Point. Caso, no fim dos 80 minutos de jogo, este esteja empatado, serão jogados outros dez minutos. A equipa que pontuar primeiro vencerá o jogo e ficará com os quatro ou cinco pontos da vitória.

Um outro aspeto está relacionado com a expulsão de um jogador. Esta lei visa substituir o jogador que viu o cartão vermelho passados 20 minutos da infração cometida. A lei referente aos cartões amarelos, por sua vez, não sofrerá nenhuma alteração.

O Comité de Arbitragem enumerou, também, algumas das prioridades que os árbitros devem ter no breakdown. Sendo assim, o portador da bola, quando placado, não poderá realizar nenhum movimento secundário que não seja passar ou disponibilizar a bola. Na placagem, os árbitros vão pedir aos placadores para saírem o mais rápido possível, dando assim mais dinâmica ao jogo. Por último, os juízes de jogo serão mais rigorosos no que ao fora de jogo diz respeito. A defesa terá de estar “claramente” em jogo de modo a que a equipa atacante tenha mais espaço para usar a bola.

O Rugby está finalmente de volta e com o melhor que há neste desporto, os dérbis neozelandeses. O pontapé de saída será dado no dia 13 de junho e o primeiro jogo colocará frente a frente os Highlanders e os Chiefs, em Dunedin.

Vejamos, agora, o que esperar de cada uma das cinco equipas da Nova Zelândia que compõe esta competição.

BLUES

Os últimos anos não têm sido nada fáceis para a franquia de Auckland, mas, pelo que vimos antes da paragem da competição, a situação parece estar a reverter-se. Desde logo, a contratação de Beauden Barrett – que, ao que tudo indica, se vai estrear logo na primeira jornada frente aos Hurricanes, clube que representou durante oito temporadas – trouxe muita expectativa e trará, seguramente, muita qualidade.

Segundo a imprensa neozelandesa, Dan Carter, aos 38 anos, também fará parte do plantel dos Blues. Stephen Profeta lesionou-se e o lendário médio de abertura chegará como seu substituto. A notícia foi dada pelo treinador no grupo de WhatsApp da equipa e veio a público através do Stuff (órgão de comunicação social neozelandês). Com Carter na posição de médio de abertura e Barrett na defesa, os Blues têm, a meu ver, condições para lutar pela vitória na competição.

Até ao momento da paragem, uma das surpresas mais sonantes da competição foi Mark Telea. O três quartos ponta contava com cinco ensaios (segundo melhor marcador) e 729 metros percorridos, fazendo do próprio o jogador com mais distância percorrida com a oval nas mãos. Além disso, nos Blues, era ele quem tinha mais quebras de linha e offloads.

A expectativa é muito alta no regresso à competição para os homens de Leon McDonald. Apesar de, nas temporadas transatas, os Blues terem mostrado muitas dificuldades nos jogos frente às outras franquias neozelandesas, o quarto lugar que ocupavam no Super Rugby e os retornos de Barrett e Carter aos relvados – desta vez com a camisola dos Blues – levam a acreditar que esta temporada possa ter um desfecho diferente das últimas.

CHIEFS

Até à paragem da competição, os Chiefs somaram quatro vitórias e duas derrotas, encontrando-se assim no quinto lugar da tabela classificativa.

Desde o início da época, houve diversos regressos a esta franquia da cidade de Hamilton, como os de Aaron Cruden e Warren Gatland. Tudo apontava, também, para o retorno do cotado segunda linha Brodie Retallick, mas o próprio acabou por rejeitar, dizendo que quer aproveitar a paragem imposta pela pandemia para deixar o corpo recuperar.

A meu ver, Gatland tem à sua disposição um plantel de grande qualidade, que mistura experiência e juventude. Quinn Tupaea e Naitoa Ah Kuoi são jovens de grande qualidade a ter em atenção neste campeonato. O primeiro oferece fisicalidade e capacidade de ataque à linha da vantagem ao setor recuado, enquanto o segunda linha é, por sua vez, um bom transportador de bola e um saltador de nível.

CRUSADERS

Os tricampeões do Super Rugby são, claramente, os favoritos para vencer esta competição. Nos seis jogos realizados perderam apenas um, diante dos Chiefs. O clube de Christchurch é o histórico vencedor da competição, contando com dez títulos em 25 edições.

Scott Robertson lidera um plantel recheado de jogadores de classe mundial. Em termos defensivos, é a equipa que mais placagens realizou, com destaque para Tom Christie, que soma 111.

Apesar de terem perdido jogadores como Matt Todd, Kieran Read, Owen Franks e Ryan Crotty, os Crusaders continuam a ser a melhor equipa do Super Rugby, com um jogo muito dinâmico, físico e complexo em termos técnicos e táticos. De acrescentar ainda que Sam Whitelock está de regresso.

HIGHLANDERS

Fonte: Pulse Energy Highlanders

O clube de Dunedin estava a realizar uma época muito abaixo do esperado, contando, nos sete jogos realizados, com apenas uma vitória e um empate.

Aaron Mauger apostou fortemente em Josh Ioane a primeiro centro e em Mitch Hunt na posição de médio de abertura. A meu ver, esta mudança não se revelou profícua uma vez que Josh Ioane não reúne as características de um centro. Este é um jogador muito criativo, dotado de uma grande inteligência tática e de uma capacidade técnica acima da média.

À linha atrasada vai chegar Nehe Milner-Skudder, resta saber em que condição. O ponta, que foi campeão do Mundo em 2015, não joga desde Novembro de 2018 devido a uma série de lesões, o que o levou a não se transferir para o Toulon, conforme tinha sido acordado no mesmo ano.

O pack avançado, por sua vez, tem mostrado muitas dificuldades nas fases estáticas. No que ao alinhamento diz respeito, apenas conseguiu garantir a bola em 83% das ocasiões em que a introduziram, sendo este um dos piores registos na competição no que toca a esta fase estática. Já na formação ordenada, os Highlanders têm o terceiro pior registo.

HURRICANES

A franquia da capital (Wellington) vai contar com um regresso de peso. Refiro-me ao flanqueador Ardie Savea. O melhor terceira linha do Mundo recuperou da lesão que sofreu em Novembro, na meia final do campeonato do mundo. O nome “Savea” tem circulado muito na imprensa local, na medida em que o irmão de Ardie, Julian, é também uma possibilidade para reforçar os Canes, ao dizer que não tenciona continuar em Toulon e quer voltar para o seu país natal.

Os Hurricanes têm, a meu ver, a melhor terceira linha do Super Rugby. Du’Pleesis Kirifi e Devan Flanders são dois jovens de grande nível que encaixariam muito bem numa terceira linha com Ardie Savea a ocupar a posição central.

Já a linha de três quartos perdeu toda a magia de Beauden Barrett, mas Fletcher Smith tem-se exibido a um bom nível. Os homens orientados por Jason Holland jogaram dois dérbis esta época. Bateram os Chiefs num jogo absolutamente fantástico e saíram derrotados em casa pelos Blues.

Foto de Capa: Super Rugby

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Marco Minelli

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