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Na sequência do ano mais atípico da história da modalidade, o Snooker procura restabelecer a normalidade possível, com o foco da World Snooker a incidir sobre dois importantes pontos: calendário e assistência. E o Campeonato do Mundo de 2021 traz ótimas notícias em respeito a ambos!
Em 2020, os amantes da modalidade tiveram que aguardar até 31 de julho para verem as bolas a rolar nos mantos verdes das mesas de oito pés do Crucible Theatre. Em 2021, contudo, o Mundial volta a ser jogado na Primavera – decorre de 17 de abril a 3 de maio -, marcando o regresso da prova máxima do Snooker mundial à época a que os amantes deste desporto se habituaram anos a fio.
Por falar nos adeptos da modalidade e em regresso… Era a notícia mais desejada e foi confirmada a sete de abril pelo Governo Britânico e pela World Snooker: habemus público! O Crucible vai acolher assistência em todas as etapas da fase final do Mundial, começando com uma taxa máxima de 33% nos 16-avos de final, 50% nos oitavos e 75% nas fases seguintes até à grande final de dois e três de maio, que poderá receber – em ambos os dias e nas quatro sessões previstas – as 980 pessoas que constituem a lotação máxima do mítico edifício no centro de Sheffield.
Não obstante a importância do público, os intervenientes principais são os jogadores. Assim, quem são os 32 afortunados que vão gladiar pela maior honra do Snooker mundial e pelas 500 mil libras guardadas para o grande vencedor? Vamos descobrir nesta antevisão.
O vencedor, esse, será desvendado já no mês de maio. O Campeonato do Mundo de Snooker 2021 arranca sábado, 17 de abril, às 10 horas, com as honras de abertura a pertencerem ao campeão em título (manda a tradição) – Ronnie O´Sullivan defronta o estreante Mark Joyce.
Previsão de vencedor: Neil Robertson
OS PRIMEIROS 16 A DIZER “OLÁ, CRUCIBLE”
Como já é sobejamente conhecido, os jogadores que compõem o top-16 do ranking mundial após o penúltimo evento de ranking antes do Campeonato do Mundo têm entrada direta na fase final do mesmo, evitando a necessidade de disputar as quatro rondas de qualificação que o precedem.
Desta feita, a benesse assistiu 15 dos 16 jogadores que já a haviam tido no Mundial transato. Apenas Stuart Bingham, campeão do Mundo em 2015, caiu do top-16 de julho passado para cá, vendo-se obrigado a jogar qualificações. Em sentido contrário, Anthony McGill voltou a ver o seu nome no rol de jogadores com entrada direta nos 16-avos de final, após duas épocas consecutivas a participar nas qualificações (com sucesso em ambas as ocasiões).
Dos 16 em causa, sete já se sagraram campeões do Mundo – Ronnie O´Sullivan (seis vezes campeão e atual detentor em título), John Higgins (quatro), Mark Williams (três), Mark Selby (três), Neil Robertson (uma), Judd Trump (uma) e Shaun Murphy (uma). Os holofotes, com naturalidade, sentem-se atraídos para estes sete nomes.
No entanto, há três jogadores no top-16 que ainda procuram construir e cimentar o seu legado e que prometem marcar a modalidade na próxima década, pela qualidade apresentada e pela idade – o escocês Anthony McGill, de 30 anos, o inglês Kyren Wilson, de 29 anos e que foi finalista do Campeonato do Mundo de 2020, e, talvez acima de todos, Yan Bingtao, que, aos 21 anos, está já pela segunda vez em sequência entre os 16 nomes com entrada direta no Crucible (a que acresce uma participação com entrada pelos Qualifiers).
Ronnie O´Sullivan, todavia, granjeia grande parte das atenções. O “Rocket” prepara-se para defender o título conquistado em agosto passado e igualar as sete conquistas da prova máxima de Stephen Hendry. Além disso, o facto de o génio inglês não haver sido um campeão inédito em 2020, a Maldição do Crucible vai manter-se (pelo menos) por mais um ano.
Seria um ponto extra de atração, mas nem por isso perde interesse a competição por que mais anseiam os praticantes e os adeptos do Snooker.
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OS 16 GLADIADORES VINDOS DAS QUALIFICAÇÕES
128 jogadores, 16 vagas, quatro rondas. Para alcançarem a fase final do Campeonato do Mundo, os magos dos panos verdes têm que sobreviver aos qualifiers (que, este ano, decorreram de cinco a 14 de abril) – as três primeiras rondas com jogos à melhor de 11 (vence o primeiro a conquistar seis frames) e a quarta e última ronda à melhor de 19 (o vencedor é o primeiro a arrecadar 10 frames).
Logo na primeira ronda, o primeiro encontro de sonho e também a primeira desistência. O marroquino Amine Amiri estava escalado para defrontar David Lilley, mas desistiu por motivos pandémicos. O foco, no entanto, estava centrado na partida entre Stephen Hendry, regressado da aposentadoria, e Jimmy White. O inglês e o escocês marcaram os anos 90 da modalidade (White mais na transição dos `80 para os `90).
Hendry foi sete vezes campeão mundial – cinco delas consecutivas; White foi seis vezes vice-campeão mundial – cinco delas consecutivas. Embate entre dois ídolos do povo. O mais titulado da era Crucible vs o melhor jogador da história da modalidade a não sagrar-se campeão do Mundo. Reedição das finais dos Mundiais de 1990, 1992, 1993 e 1994. Níveis elevados de entusiasmo, mas… muita parra, pouca uva – ou muita media, pouca qualidade, na versão moderna.
Jogo pouco conseguido de ambos, com Hendry a levar a melhor (6-3). Ausência de surpresas dignas de registo na restante primeira ronda. Na Ronda Dois, dois destaques: Hendry perde por 6-1 frente a Xu Si (que viria a ser eliminado na negra na ronda seguinte) e Alan McManus é derrotado por 6-3 por Bai Langning, anunciando de seguida o ponto final numa carreira de 31 anos. “Mr. Angles”, alcunha do escocês de 50 anos, teve assim o chinês de 18 anos como derradeiro adversário.
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Na terceira ronda, nota para as eliminações de Michael Holt, Tom Ford, Joe Perry, Ben Woollaston, Matthew Stevens Mark King e Thepchaiya Un-Nooh. Este último caiu às mãos de Igor Figueiredo, o brasileiro que procurava ser o primeiro sul-americano a entrar no Crucible como jogador.
Não há jogadores lusitanos no circuito mundial, mas, como dizia Fernando Pessoa, “a minha pátria é a língua portuguesa”. E falou-se duplamente português no Instituto Inglês do Desporto, edifício em Sheffield que acolheu as qualificações. Além de Figueiredo, também Alexander Ursenbacher, luso-suíço, procurou o seu lugar à sombra do Crucible.
Ambos alcançaram a última ronda. Ursenbacher começou na segunda ronda – bateu por 6-2 Lukas Kleckers e Martin O´Donnell por 6-5 até ser derrotado por 10-4 pelo “The Captain”, Ali Carter. Figueiredo disputou as quatro rondas – aplicou 6-0 a Farakh Ajaib e 6-5 a Robbie Williams e a Un-Nooh. Na última ronda, foi batido por Mark Joyce, por 10-7.
Na quarta ronda, destaque ainda para as eliminações de Zhou Yuelong, Graeme Dott (campeão mundial em 2006) e Ryan Day. Pela positiva, importa mencionar a resiliência de Mark Davis – o experiente inglês foi para a segunda sessão a perder por 7-2, mas carimbou a presença no Crucible com um 10-8.
No jogo de cartaz do Judgement Day (último dia de decisão das qualificações), Luca Brecel foi derrotado por Stuart Bingham (10-5) e Zhao Xintong e Sam Craigie proporcionaram a única negra desta ronda – vitória (10-9) do inglês., que se junta a Mark Joyce como os estreantes no Crucible.
O SORTEIO DOS 16-AVOS
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Primeira metade do quadro
Ronnie O´Sullivan (1) vs Mark Joyce (26)
Anthony McGill (16) vs Ricky Walden (24)
Ding Junhui (9) vs Stuart Bingham (17)
Stephen Maguire (8) vs Jamie Jones (32)
John Higgins (5) vs Tian Pengfei (28)
Mark Williams (12) vs Sam Craigie (30)
Mark Allen (13) vs Lyu Haotian (29)
Mark Selby (4) vs Kurt Maflin (20)
Segunda metade do quadro
Neil Robertson (3) vs Liang Wenbo (22)
Jack Lisowski (14) vs Ali Carter (19)
Barry Hawkins (11) vs Matthew Selt (23)
Kyren Wilson (6) vs Gary Wilson (18)
Shaun Murphy (7) vs Mark Davis (25)
Yan Bingtao (10) vs Martin Gould (21)
David Gilbert (15) vs Chris Wakelin (31)
Judd Trump (2) vs Liam Highfield (27)
Nota: números de cabeças-de-série não refletem ranking mundial
O CALENDÁRIO
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16-avos-de-final (à melhor de 19; 10-0 a 10-9): 17 a 22 de abril
Oitavos-de-final (à melhor de 25; 13-0 a 13-12): 22 a 26 de abril
Quartos-de-final (à melhor de 25): 27 e 28 de abril
Meias-finais (à melhor de 33; 17-0 a 17-16): 29 de abril a 1 de maio
Final (à melhor de 35; 18-0 a 18-17): 2 e 3 de maio
Foto de Capa: Sheffield Theaters
Colaboração especial de João Vicente










