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Higgins bate Trump em jogo de loucos. Ding também caiu nos Quartos

Diogo Reganha · 5 min

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Mais uma eliminatória concluída e estão definidas as Meias-de-Final do Campeonato do Mundo de Snooker, que se iniciam já esta Quinta-Feira.

Ali Carter vinha motivadíssimo dos Oitavos-de-Final, onde eliminou Ronnie O’Sullivan com todo o mérito. Depois do Rocket, Carter tinha pela frente outro dos membros da classe de luxo que iniciou a sua carreira em 1992, Mark Williams. O galês tinha deixado para trás Robert Milkins e Jimmy Robertson nas eliminatórias anteriores e entrava neste jogo com esperança de voltar às Meias-de-Final do Campeonato do Mundo. Williams já tinha atingido essa fase em cinco ocasiões, tendo a primeira sido em 1998 (há 20 anos!) e a última em 2011.

Mark Williams fez pela vida e começou o encontro logo com uma entrada de 135 pontos, adiantando-se no marcador. O encontro entrou numa toada de muito equilíbrio, com os frames a serem divididos de forma semelhante entre Carter e Williams, até ao momento em que o resultado era 8-7 a favor de Williams. Nesta fase, o galês que já foi campeão do mundo em duas ocasiões (2000 e 2003) conseguiu vencer três frames consecutivos e, com o resultado em 11-7, encostou Ali Carter às cordas. Carter ainda conseguiu reduzir para 11-8, mas Williams acabaria por vencer o encontro por 13-8 e apurar-se assim para as Meias-de-Final da competição sete anos depois.

Mark Williams apurou-se para as Meias-de-Final depois de eliminar Ali Carter
Fonte: World Snooker

Ali Carter não escondeu o descontentamento pela eliminação, mas recordou que foi infeliz no sorteio: “apanhei um campeão do Mundo na primeira ronda (Graeme Dott, 2006), outro na segunda ronda (Ronnie O’Sullivan, campeão em 2001, 2004, 2008, 2012 e 2013) e mais outro agora nos quartos (Williams em 2000 e 2003)”.

Já Mark Williams mostrou-se satisfeito e confiante para o que resta do torneio, afirmando que “é muito bom, sete anos depois, voltar a umas meias-finais. Estou nas nuvens, e faltam dois jogos. Estranhamente, sinto-me confiante e relaxado. Isto está bom para continuar. Parece que estou nos meus bons velhos tempos malta, já não me sentia assim há muito tempo”.

E é bom que Williams esteja nos “bons velhos tempos” como o próprio refere porque não se preveem facilidades no encontro das Meias-de-Final, onde o galês terá pela frente Barry Hawkins. E que Campeonato do Mundo se encontra a fazer Hawkins. Depois de deixar para trás Stuart Carrington e o prodígio chinês, Lyu Haotian, Barry Hawkins tinha pela frente outro chinês bastante mais habituado a estas andanças: Ding Junhui, que também vinha apresentando um nível elevadíssimo neste torneio e até era visto por muitos como favorito a ganhar esta eliminatória.

No entanto, Barry Hawkins esteve em grande e andou sempre na frente do resultado, chegando a vencer quatro frames consecutivos, e acabou por ser muito superior ao chinês. O resultado final foi 13×5 a favor do inglês, que assim se apura para as Meias-de-Final da competição pela quinta vez nos últimos seis anos.

Barry Hawkins esteve em grande nível e deixou Ding Junhui pelo caminho
Fonte: World Snooker

Do outro lado do quadro, defrontavam-se o inglês Kyren Wilson e o norte-irlandês Mark Allen. Wilson tem vindo a fazer uma carreira num crescimento progressivo e depois de ter sido eliminado na primeira ronda do campeonato do mundo em 2014 e ter caído nos Quartos-de-Final em 2016 e 2017, sonhava agora atingir pela primeira vez um apuramento para as Meias-de-Final.

Sonhava e vinha demonstrando um nível de jogo suficiente para isso. Que o digam Matthew Stevens e Jamie Jones, que caíram aos pés do inglês nas primeiras duas rondas. Mark Allen seria, teoricamente, um desafio mais difícil, mas Wilson voltou a passar o desafio com distinção. O encontro até esteve empatado 4-4, mas depois, tacada após tacada, Wilson foi crescendo e ganhando frames consecutivos, fechando o encontro com 13-6 a seu favor.

Como não podia deixar de ser, após o encontro, o inglês mostrou-se muito satisfeito com a sua evolução e ainda aproveitou para revelar o clima de fair-play que impera na modalidade: “Atingi um objetivo profissional e pessoal que tinha, chegar às meias-finais do Mundial. É um sentimento muito especial, ir jogar já apenas com uma só mesa montada no Crucible (até aos Quartos-de-Final disputam-se dois jogos em simultâneo). Uma nova experiência, vai dar-me enorme gozo. Uma palavra para Mark Allen: foi ao meu camarim no fim dar-me um abraço e desejar-me que ganhe isto e boa sorte. Acreditem ou não, fazemos amigos no circuito”.

Kyren Wilson atinge as Meias-de-Final do Campeonato do Mundo pela primeira vez
Fonte: World Snooker

Se em todos os jogos até aqui descritos houve emoção e snooker de muita qualidade, o melhor ainda estava para chegar. Judd Trump e John Higgins, quarto e quinto da hierarquia mundial à entrada para este torneio, realizaram aquele que foi até ao momento o jogo do torneio.

Trump arrancou forte e passou boa parte do encontro na frente do marcador. Esteve a vencer por 4-1, 7-3 e 11-9, por exemplo. Mas, por muito desfavorável que seja o resultado, nunca se pode dar o jogo como encerrado quando do outro lado está um senhor chamado John Higgins. Tal como acontece com Ronnie O’Sullivan e Mark Williams, os anos parecem não passar por Higgins. Estes três começaram a carreira há mais de 25 anos e ainda aí estão no topo do snooker mundial.

Após o 11-9, festejado por Trump de modo efusivo, Higgins esteve a um nível incrível, venceu três frames consecutivos, colocando o jogo num 12-11 a seu favor. Trump recuperou e empatou o encontro a 12, levando para a negra o jogo mais esperado destes Quartos-de-Final. Aqui notou-se o respeito mútuo dos jogadores e a pressão existente em cada tacada.

Acabou por acontecer o mais lógico, Higgins, muito mais experiente nestas andanças (foi o sexto encontro de Higgins no Crucible que foi resolvido na negra, com cinco vitórias a favor do escocês), acabou por lidar melhor com a pressão e vencer o encontro por 13-12, apurando-se para as Meias-de-Final da competição pela nona vez e continuando na luta para vencer novamente o título que já conquistou em quatro ocasiões (1998, 2007, 2009 e 2011). Já Trump, aos 28 anos, volta a ver adiado o sonho de ser campeão do mundo.

Nas Meias-de-Final, que se iniciam já esta Quinta-Feira, John Higgins defronta Kyren Wilson e Mark Williams enfrenta Barry Hawkins, em jogos à melhor de 33 (vence o primeiro a conseguir conquistar 17 frames).

Calendário das Meias-de-Final do Campeonato do Mundo
Fonte: Diogo Reganha (Bola na Rede)

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Diogo Reganha

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