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Tiago Pires | “Lutar, Lutar e lutar”: O lema de uma lenda das pranchas

Diogo Rodrigues · 4 min

Tiago Pires | “Lutar, Lutar e lutar”: O lema de uma lenda das pranchas
Foto: Associação Nacional de Surfistas (ANS)

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Tiago Pires nasce em Lisboa, a 3 de março de 1980, no bairro de Alvalade. Desde jovem que Saca vivia entre os dias de aulas e de ajuda aos pais durante a semana e os de adrenalina e diversão aos fins de semana. Cedo se percebeu que tinha um especial fascínio pelas ondas clássicas, revelando apetência para domar os tubos da Ericeira, onde cresceu.

Mostrava que iria desenhar de forma geométrica um futuro promissor, esboço este que parecia descrever sobre o mar. A paixão foi crescendo e amadurecendo, com o então menino a evidenciar-se pela beleza do seu Surf.

A LUTA POR UM SONHO, QUE SE JULGAVA INALCANÇÁVEL

Com 13 anos, começa a trabalhar para o grande objetivo: uma inédita presença entre os melhores do mundo no WCT (World Men´s Championship Tour), uma espécie de liga dos campeões do desporto.

É com 14 anos que inicia o seu percurso, conquistando vários títulos nas categorias de Sub-13, Sub-14 e inclusivamente grandes classificações entre os escalões etários mais velhos, algo bem revelador de toda a sua qualidade fruto de horas de treino despendidas naqueles finais de semana épicos na sua Ericeira.

A PRIMEIRA CONQUISTA ENTRE PORTAS E O CONTATO COM JOSÉ SEABRA

Pelos 16 anos, conquista o seu primeiro troféu no circuito nacional, na praia de Super Tubos, em Peniche, tornando-se no mais jovem de sempre a levantar a prancha em competições portuguesas desta modalidade.

É neste mesmo ano, durante a realização da prova que o consagrou como um jovem fadado a voos maiores, que Saca conhece o mentor de toda a carreira, José Seabra. Juntos vão construindo as bases para arquitetar um projeto, que teria como meta colocar o lisboeta no WCT, algo inimaginável, dada a falta de tradição do país na variante.

A INTERNACIONALIZAÇÃO DE “SACA”

Em 1997, a “dupla maravilha” aposta na participação em certames internacionais, com Tiago a obter a vitória numa prova de bastante nomeada disputada em Hossegor, França, vencendo entre outros Dean Morrison, um grande nome das ondas a nível mundial.

No ano seguinte classifica-se no 2.º lugar nos campeonatos do mundo juniores, realizados em solo australiano, escrevendo assim mais uma página para a modalidade em termos nacionais.

Dois anos volvidos, vence o Campeonato do Mundo em Portugal, destinado a não profissionais (ISA), o que faz com que tenha acesso  na temporada seguinte a competir na segunda divisão do Surf a nível mundial, o World Qualifying Series (WQS). Estava dado o primeiro passo para se operacionalizar a almejada e histórica presença no WCT, onde nunca ninguém a falar a língua de camões havia colocado a prancha.

No início do milénio, Saca passa a integrar o léxico do Surf mundial, conseguindo boas prestações no circuito, nomeadamente: a vitória na praia de Miramar, em Vila Nova de Gaia, bem como o segundo lugar em Bali na longínqua e bela Indonésia. Resultados que lhe valeriam a distinção de “Rookie” do ano, prémio atribuído por uma revista Norte Americana, especializada na modalidade.

 

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O OBJETIVO DE TODA UMA VIDA E, POSTERIOR, TRAJETÓRIA ENTRE A ELITE “SURFÍSTICA”

Após vários anos em que Saca, embora estivesse muito perto por variadas temporadas da qualificação para o WCT, as lesões foram-lhe roubando esse desidrato. Apesar disso destacam-se as vitórias em 2002 no Japão, o terceiro lugar no Havai em 2003 e em 2005 o triunfo em casa em Ribeira D’Ilhas, na Ericeira.

Finalmente seria dois anos mais tarde, ao atingir o quinto posto no WQF, que conseguiria a promoção ao WCT.

Na primeira temporada  entre a elite conclui na 36.ª posição, tendo de cumprir parte da mesma no circuito de qualificação. Mesmo assim fica na memória a prestação obtida no Rip Curl Pro, na Indonésia, onde se classifica no degrau mais baixo do pódio.

No ano seguinte consegue o 31.º posto à geral, com destaque para os vice-títulos em França e na Austrália.

É em 2010 que assina a melhor classificação entre a nata, 14.ª posição, rubricando uma primeira metade de temporada sensacional com vários Top 10, merecendo a menção de atleta mais regular no decurso da referida época.

O NASCIMENTO DO FILHO, O ABANDONO DA COMPETIÇÃO E A INSPIRAÇÃO PARA OS DEMAIS

É aos 35 anos e depois de mais de uma década a competir entre os melhores que Saca anuncia em conferência de imprensa realizada numa loja de artigos de Surf na Ericeira o fim da carreira a nível profissionais. Acompanhar o crescimento do filho era a razão principal para a retirada, contudo, o mar continuaria a estar presente na sua vida: “temos de saber quando parar” ouviu-se nessa noite.

Tiago Pires foi uma inspiração para nomes como Vasco Ribeiro, Kikas e Nicolau Von Roup, continuará a ser para outros jovens, pois, deixará um legado difícil de igualar, merecendo um lugar no “panteão” do desporto nacional.

Diogo Rodrigues

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