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As apostas e previsões para a época ATP de 2021

Pedro Marques dos Santos · 9 min

As apostas e previsões para a época ATP de 2021
Foto: ATP Tour

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Os primeiros torneios do circuito masculino de ténis (ATP) já tiveram lugar – com Hubert Hurkacz e Alex de Minaur a vencerem em Delray Beach e Antalya, respetivamente -, mas pode-se afirmar que apenas agora, no arranque de fevereiro, é que os motores começam a carburar e a temporada arranca a todo gás, durante a estadia dos melhores tenistas do mundo na Austrália.

Com a maioria dos atletas a começar a desconfinar após a quarentena obrigatória na chegada ao país, a expectativa em relação ao que a nova época nos vais oferecer não poderia ser maior, especialmente se tivermos em conta que o Open da Austrália, o primeiro Grand Slam do ano, está já aí à porta. Antes disso, contudo, há ainda torneios ATP 250 para ganhar ritmo e a segunda edição da ATP Cup, competição de seleções que conta com os principais nomes da modalidade.

Nesse sentido, e antes que nos escape a oportunidade de fazer umas previsões que vão certamente ser contrariadas no futuro, fomos buscar a bola de cristal para tentar antever aquilo que vai acontecer no mundo do ténis ao longo de 2021.

Desde apostas para os principais torneios da temporada – estamos a assumir que nenhum deles vai ser cancelado devido à pandemia -, o que esperar do tenistas portugueses, da “Next Gen” e outros acontecimentos de relevo, este é o artigo que devem guardar nos favoritos para mais tarde fazerem a comparação com o que realmente aconteceu e constatar que, porventura, não percebemos assim tanto disto como pensamos.

Foto de Capa: ATP Tour

OPEN DA AUSTRÁLIA

Fonte: ATP Tour

Aposta Segura – Novak Djokovic: São já oito os títulos na Austrália, pelo que seria estranho não colocar o sérvio como o principal favorito para o primeiro Grand Slam da época, que é também aquele em que goza maior sucesso. A caminho de superar o recorde de semanas na liderança do ranking, que ainda pertence a Roger Federer, esta vai ser mais uma oportunidade para o número um mundial se voltar a aproximar dos eternos rivais na contabilidade de Majors no currículo. Não sabemos em que forma vai começar a época, mas é raro Djokovic não se apresentar na sua melhor versão nestas competições.

Possível Surpresa – Nick Kyrgios: Seria, de facto, uma enorme surpresa ver o australiano conquistar já daqui a umas semanas o seu primeiro Grand Slam, até porque está sem competir praticamente desde o início da pandemia. Contudo, a jogar “em casa” – e sabe-se que vai haver espectadores nas bancadas do Open da Austrália -, um Kyrgios focado e em boa condição física pode ser um sério problema para qualquer sério candidato ao título.

ROLAND GARROS

Fonte: ATP Tour

Aposta Segura – Rafael Nadal: Qualquer outro nome que colocássemos aqui seria quase um desrespeito ao legado do espanhol na terra batida de Paris. Seja em que altura do ano o torneio se dispute e independentemente das bolas utilizadas, o número dois do mundo vai ser, salvo alguma lesão ou uma pouco provável quebra de forma e confiança nessa fase da época, o principal favorito à vitória, como sempre.

Possível Surpresa – Dominic Thiem: Apontar o austríaco como uma surpresa parece um contrassenso se pensarmos que já foi finalista do torneio em duas ocasiões e que ganhou, entretanto, o seu primeiro Grand Slam, no entanto, o domínio avassalador de Nadal na prova faz com que qualquer vencedor que não o espanhol seja, por si só, uma surpresa, e nesse capítulo, Thiem é quem está na linha da frente para suceder ao “Rei da Terra Batida”.

WIMBLEDON

Fonte: ATP Tour

Aposta Segura – Novak Djokovic: Devido ao domínio dos “Big Three” nos Grand Slam, torna-se bastante difícil apontar qualquer outro nome à vitória como uma aposta segura. Por isso, e tendo em conta o panorama atual do circuito, também na relva o favoritismo recai em Djokovic. Será, assim, outra oportunidade clara de aproximação ao número de Majors de Nadal e Federer.

Possível Surpresa – Roger Federer: Ainda que pelo estatuto que possui, Roger Federer seja sempre um candidato em Wimbledon, a verdade é que a sua condição física é, nesta fase, uma completa incógnita. Sem competir desde o Open da Austrália, em janeiro de 2020, e com uma operação pelo meio, o seu regresso apenas deve acontecer já no regresso do circuito à Europa. Dito isto, não seria a primeira vez que o suíço regressava de lesão para ganhar mais um Grand Slam, mas, entretanto, passaram mais alguns anos.

OPEN DOS ESTADOS UNIDOS

Fonte: ATP Tour

Aposta Segura – Djokovic e Nadal: O registo de vitórias de ambos no último Grand Slam do ano é semelhante, pelo que neste caso optamos por dar igual probabilidade de chegarem ao título aos dois crónicos favoritos. Tudo vai depender de quem chegar em melhor forma a esta fase da época. Dito isto, o US Open será, muito possivelmente, o Grand Slam mais propenso a ser ganho por um tenista menos credenciado.

Possível Surpresa – Daniil Medvedev: O russo, para além de já ter sido finalista em 2019, tem desenvolvido o bom hábito de atingir um nível de forma estratosférico no final da temporada, como comprovam o número de títulos acumulados há duas épocas e na ponta final de 2020, pelo que, mais do que uma surpresa, a vitória nos Estados Unidos seria o confirmar das credenciais que conquistou nos últimos anos. Medvedev parece, mais do que qualquer outro tenista da nova geração, ser o que está mais perto de conquistar um Major.

ATP FINALS

Fonte: ATP Tour

Aposta segura – Dominic Thiem: O torneio mais complicado de prever, não só pela incerteza inerente aos oito tenistas que o vão disputar, mas sobretudo pela variedade de vencedores e finalistas que tem proporcionado nas últimas épocas, para as ATP Finals optamos por apostar na continuidade da tradição de novos vencedores e apontamos o austríaco para levar o título de final de época para casa, depois de duas finais perdidas de forma consecutiva.

Possível Surpresa – Andrey Rublev: Foi um dos melhores na temporada de 2020, pelo que se mantiver a forma esta época vai certamente assegurar a presença no último torneio do ano. A sua estreia nas ATP Finals ficou aquém das expectativas, mas para se voltar a qualificar, Rublev vai ter forçosamente de ganhar rodagem contra os nomes mais fortes da modalidade, pelo que deve chegar mais preparado para o nível de exigência da prova nesta segunda passagem.

NEXT GEN

Seis jovens para manter debaixo de olho – Com os “Big Three”, e uma boa parte dos principais nomes da modalidade, a já bem dentro da veterania, cada vez mais é importante começar a olhar o futuro para perceber aqueles que vão estar debaixo dos holofotes quando os nomes do costume saírem de cena.

Jannik Sinner é um dos mais promissores tenistas da atualidade. 36º da hierarquia mundial, o italiano foi o vencedor da última edição das Next Gen Finals, em 2019, e venceu, entretanto, o seu primeiro título ATP, em Sofia, na época passada. Do mesmo país, Lorenzo Musetti, com apenas 18 anos, saltou para a ribalta ao bater, de forma consecutiva, Stan Wawrinka e Kei Nishikori no Masters 1000 de Roma. Já depois disso, estreou-se a vencer torneios Challenger e numa meia final de um torneio ATP, em Sardenha.

Ainda com 17 anos, mas já com três títulos Challenger no currículo, Carlos Alcaraz é já encarado como a próxima coqueluche do ténis espanhol e o natural sucessor de Nadal. No Brasil, as esperanças viram-se para Thiago Seyboth Wild, que venceu, de forma inesperada, o ATP do Chile, na altura ainda com 19 anos.

Sebastian Korda, o americano que já deu um ar da sua graça esta época ao chegar à final de Delray Beach, e Hugo Gaston, que deliciou todos com os seus amorties frente a Stan Wawrinka e Dominic Thiem em Roland Garros, são outros tenistas a ter em conta para a nova época.

TÉNIS PORTUGUÊS

Fonte: ATP Tour

João Sousa e Pedro Sousa – Depois de uma época desapontante para João Sousa, o arranque de 2021 não está a ser melhor, ao ficar de fora do Open da Austrália por ter estado recentemente infetado com o coronavírus, o que nos impediu de ter pela primeira vez três portugueses em simultâneo no quadro principal de um Grand Slam. Ainda assim, espera-se que João Sousa recupere o nível e suba um pouco a sua posição dentro do Top 100.

Por sua vez, Pedro Sousa, se as lesões assim o deixarem, deve ter um estadia mais prolongada no Top 100 e garantir dessa forma uma participação mais assídua em torneios de categoria ATP. Ambos podem ter uma palavra a dizer na próxima edição do Estoril Open – se esta se realizar.

Frederico Silva e João Domingues – Frederico Silva começou a época da melhor forma ao ultrapassar a fase de qualificação do Open da Austrália e deu seguimento aos bons resultados que apresentou na fase final de 2020. Ainda que a sua presença se deva manter maioritariamente em torneios Challenger, esta pode ser uma boa temporada para o número quatro português ameaçar a estreia no Top 100. Mas tal como Pedro Sousa, está bastante dependente da sua condição física e da ausência de lesões.

Já João Domingues, que caiu na primeira ronda da qualificação para a Austrália, precisa de encontrar a mesma consistência exibicional que lhe permitiu vencer os seus dois títulos Challenger, uma vez que os seus resultados não têm impressionado desde a retoma das competições. Pode, dessa forma, somar mais uns torneios desta categoria ao seu currículo.

Gastão Elias e Nuno Borges – Tal como acontece com outros tenistas portugueses, as lesões têm prejudicado de sobremaneira a carreira de Gastão Elias. Na sua melhor forma, é jogador de Top 100, mas não tem tido a continuidade de competição e resultados que lhe permitam manter-se numa posição mais condizente com o seu valor. Espera-se que tenha uma participação mais constante em torneios Challenger durante 2021.

Nuno Borges é, sem sombra de dúvidas, o futuro do ténis português. A colecionar títulos na categoria mais baixa do circuito masculino quase por diversão, este ano deve ver o maiato apostar nos Challenger e subir gradualmente o seu ranking para almejar, num futuro próximo, competir em palcos maiores.

A TER EM CONTA

Fonte: ATP Tour

Último ano de Federer no circuito? – Com 40 anos e um historial de lesões e operações a aumentar de forma gradual, não seria muito surpreendente se esta acabasse por ser a última época do suíço ao mais alto nível. A sua justificação para a ausência no Open da Austrália indicia, precisamente, que a sua prioridade já não é o ténis, o que é perfeitamente aceitável e compreensível.

Nadal ultrapassa Federer em Grand Slams? – No seguimento da aposta em Nadal para voltar a ganhar Roland Garros, a possibilidade do espanhol ultrapassar o seu rival e amigo e se isolar como o tenista com mais Majors conquistados esta época é bastante elevada.

Murray a exceder expectativas? – Mais um desejo, do que uma aposta, espera-se que 2021 proporcione a um dos grandes campeões ainda em atividade resultados e exibições mais condizentes com o seu estatuto. Não é totalmente claro até que ponto a sua condição física lhe vai permitir grandes feitos nesta fase terminal da carreira.

Um novo campeão do Grand Slam? – Depois de Thiem ter “aberto a torneira”, deseja-se que esta época traga mais novidades ao nível de vencedores de Majors. Seja Medvedev, Alexander Zverev, Stefanos Tsitsipas ou outro nome menos esperado, a imprevisibilidade é sempre bem-vinda ao desporto e o circuito masculino de ténis está há muito sedento dela.

Pedro Marques dos Santos

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