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Foi em Belgrado, capital da Sérvia, que se jogou o derradeiro torneio ATP 250 que antecedeu o nosso Estoril Open. O “Novack Ténis Center” foi palco para uma competição que já não “via a luz do dia” desde 2012, sendo que o último nome a ter triunfado no torneio balcânico havia sido o italiano Andreas Seppi. Foi portanto com muita espectativa que se deu este retorno à “nata” do ténis mundial no fantástico complexo que conta com 14 courts , sendo que uma dezena são no “pó de tijolo”, superfície que foi utilizada para a prova, com os restantes em piso rápido que funcionam como uma espécie de courts de treino.
A competição, após muito tempo sem se realizar, apresentava um elenco de grande nível! A encabeçar a lista de inscritos figurava o nome do número um mundial Novack Djokovic, grande ídolo local, irmão de Djordje , diretor do evento, sendo o grande favorito a arrecadar o troféu que já havia conquistado em três ocasiões. No entanto não seria o único a partir com aspirações a tal: Matteo Berrettini, segundo pré-designado e número 10 da hierarquia individual masculina era outro nome a ter em conta apesar de disputar somente o segundo torneio, após a conclusão do Open da Austrália. Como terceiro cabeça-de-série tínhamos o surpreendente russo, Aslan Karatsev que em menos de um ano passou de um perfeito desconhecido a membro do Top trinta mundial. A fechar o lote de quatro grandes favoritos a poderem arrecadar o troféu, num torneio que se jogava sem publico e com juízes de linha em court, algo que nem sempre se tem verificado por conta da pandemia, estava mais um dos muitos sérvios contemplados com o convite para participar no torneio, Dusan Lajovic, membro do Top 40 mundial e número dois sérvio após o rei Djoko.
Quanto à participação portuguesa estava entregue a João Sousa, número 105 mundial, que já havia ultrapassado a primeira ronda da fase de qualificação, como já aqui lhe demos conta.
JOÃO SOUSA COM SEGUNDA CHANCE, TERMINA AFASTADO
O tenista de Guimarães defrontou na ronda de acesso ao quadro principal QP, o francês Arthur Rinderknech que estava na posição 128 do ranking. Contudo o gaulês revelou-se sempre mais esclarecido e acima de tudo muito mais tranquilo e confiante, batendo o lusitano em 1h41m, pelos sets diretos de 7-5 e 6-4.
The match between Taro Daniel and Joao Sousa had ended in favour of Daniel. 👏
Taro Daniel vs. Joao Sousa 7 6 – 5 3#SerbiaOpen2021 #Day2 pic.twitter.com/YWETTGrzN7— Serbia Open Official (@SerbiaOpen2021) April 20, 2021
Apesar de ter cedido no encontro de acesso ao torneio propriamente dito e quando já estava de malas aviadas para viajar para solo pátrio, onde tem entrada direta assegurada no único evento luso a figurar na alta roda do ténis mundial, o Estoril Open, foi informado que fruto da desistência do especialista do piso, o uruguaio Pablo Cuevas, teria uma segunda oportunidade. Chance essa que seria disputada frente a outro competidor nas mesmas circunstâncias, o nipónico Taro Daniel, que militava no posto 126 do ranking. O melhor tenista Português de todos os tempos parecia bem encaminhado para atingir pelo menos os 1/8 de final, até porque Daniel não contava com resultados de monta em quadros principais de há dois anos para cá. Tudo parecia estar a correr a seu favor, visto que o vimaranense se adiantara para 4-2 e dispunha de oportunidade para dilatar essa margem. Só que voltou-se a ver um João Sousa muito hesitante, frustrado e sem capacidade física de aguentar as jogadas mais longas de fundo do court . Por outro lado, o asiático extremamente calmo e bastante “sólido” contrariou o favoritismo do lusitano fechando um primeiro parcial, no qual havia estado atrás com duas quebras de serviço de desvantagem, por 7-5. Já com o coração a levar a melhor face à razão o atleta que reside em Barcelona cederia o seu serviço logo de entrada, sendo que esse break prevaleceria, infelizmente, até ao final de um duelo que ainda foi interrompido pela chuva, com o marcador a assinalar um segundo parcial de 5-2 favorável ao tenista japonês. No reatamento , Sousa ainda conquistou o seu jogo de serviço, contudo já seria tarde demais, visto que Daniel fechou mesmo a contenda em pouco mais de 1h30m, com a segunda partida a ficar resolvida pelo parcial de 6-3.
Finalizada esta participação o vimaranense concentra agora todas as atenções numa prova que conquistou em 2018 e que todos esperam que funcione como um “boost” de confiança, pois todos desejamos que Sousa volte aos lugares cimeiros do ranking, sendo que em casa poderá aproveitar para retomar as boas sensações.
AS SURPRESAS CHEGARAM AO SEGUNDO DIA
Foi logo no segundo dia de competição que começaram “a cair” os primeiros resultados surpreendentes! Com o afastamento de um dos tenistas que mais tem ascendido na classificação no presente ano competitivo, Sebastian Korda, antigo vencedor de Roland Garros ainda no escalão júnior, a ceder em três parciais para o esloveno Aljaz Bedene, atleta que já representou a Grã-Bretanha. A maior experiência competitiva do seu oponente levou a melhor, visto que após mais de 2h30m de um feroz duelo, tudo se resolveu num sempre imprevisível tie-break favorável a Bedene, por 7-5. Com Korda a denotar aí, muito cansaço, sendo bastante precipitado em algumas opções por ele tomadas.
Aljaz Bedene won against Sebastian Korda!#SerbiaOpen2021 #Day2 pic.twitter.com/cjxPysyLss
— Serbia Open Official (@SerbiaOpen2021) April 20, 2021
Já o outro “tomba gigantes” deste dia, seria o transalpino, fora dos 90 primeiros da classificação ATP, Gianluca Mager, que levou a melhor por 6-4 e 6-3 face ao local Laslo Dere, nono cabeça-de série, com o italiano a atuar a um nível bem superior ao que a sua posição na tabela indicava, revelando-se muito acutilante e agressivo, deixando pelo caminho um atleta que tem na terra batida a sua superfície de eleição, sendo mais um do país local a dizer adeus ao torneio.
O terceiro dia de evento, ficaria marcado pelas estreias de três dos cinco cabeças-de-série principais da competição: Novak Djokovic superaria sem quaisquer problemas o sul-coreano número 84 da classificação individual , Soon Woo Kwon por contundentes 6-1 e 6-3. Matteo Berrettini aplicou igual receita ao compatriota Marco Cecchinato, com Filip Krajinovic a seguir-lhes as pisadas, rumo aos quartos!
O derradeiro dia de qualificação para a antepenúltima fase do certame seria marcado por algumas “quedas” de atletas de quem era esperado bem mais! O primeiro a capitular foi o quarto pré-designado, Dusan Lajovic, que perderia num duelo em que todos os pontos foram extremamente “caros” frente ao argentino Federico Delbonis, um verdadeiro terráqueo! Já Daniel continuava a surpreender eliminando desta feita o Top 40 mundial John Millman em três longos sets, forçando o australiano a cometer mais de quarenta erros diretos, com o japonês a seguir em frente. Quanto ao russo, Aslan Karatsev, também não ganhou para o susto, visto ter sentido extremas dificuldades para se “livrar” de um super combativo Aljaz Bedene, com a sua passagem a ficar somente confirmada após um tie-break de último set.
Num dia em que o sol ia banhando o complexo balcânico, era hora de se jogarem as contendas alusivas aos ¼ de final, com os três mais cotados ainda em prova.
O primeiro a entrar em court era Matteo Berrettini que defrontava o local Filip Krajinovic, sendo que o italiano mostrara grande nível tendo em conta que apenas competia pela terceira prova na presente temporada. Sempre com maior intensidade e intencionalidade no seu jogo, fruto de uma quebra em cada um dos parciais fez com que o local não lhe oferece-se grande oposição, com o resultado a fixar-se num duplo 6-4.
Seguidamente assistiu-se a mais um dia no escritório! Para Djokovic, dada a sua superioridade, face ao oitavo maior favorito à conquista do torneio, o seu bem mais jovem compatriota de apenas 21 anos, Miomir Kecmanovic que foi literalmente “atropelado”, com Djoko a triunfar levando pouco mais de 1h por 6-1 e 6-3. Com uma atuação que deixava bem claro que estava pronto para vencer literalmente em casa!
No terceiro encontro da jornada foi tempo de Karatsev confirmar o seu enorme favoritismo, perante um Gianluca Mager que fez o que pode , no entanto, o atleta de leste levou a melhor por 6-1 e 6-4, sendo que o italiano apenas ofereceu alguma réplica na segunda partida, quebrando de entrada o bem mais categorizado contendor. Contudo e após um ligeiro hiato de concentração o soviético soube voltar a aplicar-se de modo a dar a reviravolta.
Já no último duelo desta fase, Taro Daniel voltou a surpreender afastando Federico Delbonis, em três disputadas partidas. Com o nipónico a revelar : um querer, uma garra e uma capacidade de luta que fazem deste atleta que não tem uma “pancada” verdadeiramente desquilibrante, ser capaz de ombrear com jogadores bem mais credenciados do que ele. Agora seguir-se-ia desafio muito complicado diante de Berrettini nas meias!
A CONFIRMAÇÃO DE UMA ESTRELA
A primeira meia final apresentava um suculento menu, visto que Novak Djokovic, número um do Mundo encontrava o fantástico Aslan Karatsev, que estava a revelar-se muito bem em terra, isto após ter sido dos melhores do Mundo na presente temporada nos hard corts! Saliente-se que ambos se tinham já defrontado nas meias finais do Open da Austrália com o sérvio a emergir vitorioso.
O set inicial começou com o russo a ceder logo de entrada o seu serviço, com Novack a granjear uma liderança de 3-0, que parecia indicar que talvez Karatsev fosse acusar a solenidade de tamanha disputa. Só que tal não se confirmou, numa contenda que viu à semelhança dos encontros decisivos metade da lotação do court ser preenchida por espectadores. Desde aí o atleta de Moscovo foi sempre melhor, apesar de ter consentido nova quebra ao oponente, quando estava na frente por 5-3, de seguida replicou o mesmo no serviço do melhor do Mundo, fechando o primeiro parcial por 7-5.
Na segunda partida, o nível foi ainda mais alto com Karatsev a assinar o primeiro desequilíbrio no placard adiantando-se para 4-3, no entanto, e por mais mérito de Djoko do que propriamente por demérito deste, acabou derrotado por 6-4 na segunda contenda. Por isso, fomos contemplados com um derradeiro set em que ambos jogaram ao seu melhor nível! Com cerca de oitenta minutos de pura classe e nos quais se praticou, na minha opinião, o nível de ténis mais alto de toda a época até ao presente momento! Num encontro em que ninguém merecia sair de cena, mas visto que tal não era possível foi o russo a triunfar, salvando 23 pontos de break em 28 enfrentados que ao cabo de 3h27m, duelo mais longo da temporada, se excetuarmos as provas do Grand Slam, que Karatsev levou a melhor por 6-4 no derradeiro parcial.
In the semifinal matches of the single category, the best tennis player in the world, Novak Djokovic, failed to make it to the finals, as he was defeated by the Russian Aslan Karatsev 2-1 in a tennis spectacle after three hours and 25 minutes of great fighting. 😲 pic.twitter.com/leCYbfWP9z
— Serbia Open Official (@SerbiaOpen2021) April 24, 2021
Deste modo ficou demonstrada a capacidade que o soviético tem de atuar a nível semelhante nas superfícies mais lentas, depois do que fizera em piso rápido.
Já no outro encontro que teria a fasquia altamente elevada, o mesmo acabou por ser mais disputado do que esperaria. Apesar de concluído o primeiro set, tal não parecer possível, dado que Taro Daniel era esmagado por Matteo Berrettini em menos de 30m por 6-1. No entanto e mesmo em desvantagem por um break na segunda partida, o japonês não atirou a “toalha” ao chão, conseguindo quebrar, um até então incontestado domínio de Berrettini, no seu golpe de saída com tudo a ficar adiado para um tie-break. Aí, contra todas as previsões e com um esforço hercúleo, acabou por conseguir conduzir o duelo a uma terceira partida, arrecadando-o por 7-5.
No terceiro parcial e rendido à sua condição física, o asiático, como se diz na gíria tenística acabou por “rebentar”, uma vez que não conseguiu vencer mais nenhum jogo. Sendo assim o terceiro set ficaria selado por 6-0, contudo Daniel rubricou uma semana em Belgrado que já mais apagará da memória!
UMA FINAL EM QUE PREVALECEU A MAIOR EXPERIÊNCIA
A grande final da prova, prometia muito espetáculo uma vez que estariam frente a frente, respetivamente o segundo cabeça-de-série Matteo Berrettini que teria do outro lado da rede Aslan Karatsev, o terceiro pré designado.
A disputa pela conquista da prova teria as nuvens como assistentes, mas felizmente sem influenciarem no normal desenrolar do duelo. Quem iniciava melhor era Berrettini, que apesar dos 25 anos, era bem mais experiente a este nível do que o tenista de leste, que apenas saltou esta temporada para a ribalta. Num parcial inaugural , em que o atleta de 27 anos, pareceu nas “lonas” em termos físicos e com uma débil concentração, bem como não conseguia desequilibrar com o seu serviço, em contra ponto com a postura do romano: determinada , agressiva e a tirar todo o rendimento da sua primeira bola, vencendo 14 em 16 pontos jogados com essa pancada, a lograr colocar-se na dianteira em apenas 28 minutos.
Já o segundo set teria história bem diferente para contar! Com o russo a fazer uma pequena paragem para se dirigir até aos balneários, regressaria totalmente transfigurado. Adiantando-se para 3-0, sendo que começava a mostrar por que razão superara Djoko na véspera.Com a percentagem de pontos conquistados no primeiro serviço a elevar-se para 77%, conjuntamente com um abaixamento de rendimento do oponente, o russo conquistou o segundo set por 6-3 com a duração de 43m.
Deste modo tudo se resolveria numa terceira e decisiva partida!
Já no terceiro parcial, foi o transalpino a fazer primeiro o break, com o russo a responder de seguida igualando a três. Com as trocas de bolas a intensificarem-se, mas com maiores ou menores dificuldades os servidores iam assegurando… Foi então que todo o trabalho realizado ao longo da semana seria coroado, ou não, com a conquista do caneco! Com a disputa a ser decidida num tie-break, aí foi a maior agressividade, experiência e maturidade de Berrettini a superiorizarem-se à irreverência, ao jogo de ataque e ao poder de Karatsev, com o russo a não arrebatar qualquer ponto neste jogo decisivo.
Foi assim e após 2h30m de bom ténis de ambos, que o natural de Roma fez a festa em Belgrado, assegurando o terceiro título ATP da carreira, o primeiro desde Estugarda 2019.
BRAVO BERRETTINI 👏
🇮🇹 @MattBerrettini outlasts Karatsev 6-1, 3-6, 7-6(0) to clinch the @SerbiaOpen2021 title 🏆 pic.twitter.com/auTpidUizn
— ATP Tour (@atptour) April 25, 2021
Ficou assim concluída uma semana que teve no título de Nadal em Barcelona o seu outro ponto alto.
Agora segue-se o “nosso” Estoril Open, que será alvo de cobertura ronda a ronda aqui no seu BNR, o único local capaz de lhe oferecer informação desportiva isenta, objetiva e rigorosa.
Foto de Capa: Serbia Open









