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Carlos Alcaraz: um “menino” que joga como gente grande! | Ténis

Diogo Rodrigues · 5 min

Carlos Alcaraz ténis ATP
Foto: ATP Tour

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Se o jovem Carlos Alcaraz já era dado como o futuro herdeiro de Rafael Nadal, como comandante dos espanhóis no que ao Ténis diz respeito, tal condição parece ter ganho ainda mais força depois de no ATP 250 de Umago, disputado em terras croatas, ter arrecadado o seu primeiro título de campeão entre a nata do Ténis mundial.

Esta surpreendente vitória de Carlos Alcaraz parece-me motivo mais di que óbvio para a redação deste artigo, no qual daremos conta desta sua meteórica ascensão, destacando ainda pontos fortes e a melhorar por parte do jovem jogador natural de Múrcia.

Para concluir, aspetos nos quais Alcaraz pode evoluir por forma a atingir grandes feitos numa carreira que se adivinha bastante auspiciosa, repleta de títulos e uma das melhores da nova vaga de jovens presentes na maior categoria da modalidade a nível mundial.

UMA HISTÓRIA QUE COMEÇOU A ESCREVER-SE AOS 15 ANOS 

Proclamado como uma das maiores vedetas  desta década no Ténis juvenil castelhano, foi, sem grandes surpresas, para os mais atentos ao desporto da bola amarela, que o então ainda adolescente , murciano, Carlos Alcaraz começaria a fazer “correr” bastante tinta em torno do seu nome, aquando da sua primeira vitória ocorrida em 2018.

Isto em quadros principais (QP) de provas pontuáveis para o circuito ATP. Tal facto aconteceria no ATP Masters 1000 jogado em Cincinnati, na zona sul dos EUA.

Contudo, e após esta aparição que deixava água na boca aos fãs deste desporto, e ainda que com ótimos resultados, o conterrâneo do antigo Top 10 mundial, o já retirado Nicolás Almagro, optou por competir essencialmente na segunda divisão mais importante do Ténis: os torneios Chalangers, categoria na qual foi acumulando várias finais e títulos, que deixavam eminente a sua subida ao mais alto patamar do Ténis a nível mundial.

Todos pensavam que tal situação poderia suceder entre o meio da temporada de 2019 e o começo da época seguinte. Contudo, e à semelhança de tantas e tantas outras questões no desporto em geral, a pandemia adiaria os planos do jovem espanhol, pupilo do antigo número um mundial,  “o mosquito” Juan Carlos Ferrero.

LISBOA – O PONTO DE VIRAGEM E CONSOLIDAÇÃO DE ALCARAZ

Após competir a nível bastante superior ao inscrito no seu CC – em Barcelona, num torneio ATP 500, e em Madrid, numa prova ATP Masters 1000 – o atleta participou num dos quatro eventos organizados com a chancela da Federação Portuguesa de Ténis. Este o de maior prestígio, visto tratar-se de um torneio que atribuiria 125 pontos para quem emergisse vitorioso nos courts do Jamor.

De salientar que, no ATP Madrid, teve a honra e privilégio de atuar frente ao seu ídolo Rafael Nadal em pleno court central da “Caja Mágica”, no dia em que completou o seu 18º aniversário.

Nessa competição em solo nacional, Alcaraz quase que como “passeou” pura classe, uma vez que sairia de Oeiras coroado campeão do evento, sem ceder qualquer partida a caminho de tamanha conquista.

Esse sucesso em terras de Cabral colocava o “menino” murciano pela primeira ocasião dentro dos 100 primeiros da classificação individual masculina, de onde não mais saiu até à data.

Arriscamos dizer que este deverá ter sido, em muitos e longos anos, o derradeiro evento desta categoria por ele jogado, dado pertencer a um nível claramente ATP.

Com as suas prestações a indiciarem que algo grandioso estaria na forja, este vaticínio concretizou-se na passada semana ao sair de Umago como vencedor da prova croata.

Alcaraz revelou grande autoridade numa final em que teve do outro lado da rede o antigo top-10 mundial, o gaulês Richard Gasquet.

A vitória, selada em menos de duas horas, foi a extensão de tudo o que de melhor se espera para um jogador que tem na sua poderosa e fulminante direita, bem como na consistência, os seus principais predicados.

Já a baixa percentagem de primeiros serviços e o pouco partido que extrai desse mesmo golpe serão pontos a melhorar. Algo que, diga-se, e uma vez que o seu corpo ainda “encherá” bem mais em termos musculares, poderá desenvolver com muito trabalho físico, esta “pancada”.

Contudo, a sua potência de jogo é algo incrível para quem ainda tem o corpo em desenvolvimento.

A conquista deste seu primeiro torneio ATP levá-lo-ia, e após ascender 18 postos, a “aterrar” na 55ª posição da hierarquia mundial.

Dito isto, e como nem só de sucessos se fez esta última semana para Carlitos, a sua falta de paciência e a procura em terminar de forma muito rápida todos os pontos, serão características a melhorar futuramente.

A prová-lo, a sua queda precoce na 1ª ronda do ATP 250 de Kitzbuhel na Áustria, aos pés de um tenista caseiro, apenas classificado na 297ª posição do ranking, que atuava pela primeira vez num palco de tão relevante valor.

Outra questão, que a meu ver terá sido mal gerida pelo seu staff, tem a ver com o facto de, e após a melhor semana da sua vida tenística, o mesmo não ter cancelado a sua inscrição na prova austríaca.

Posto isto, acabou por sucumbir ao desgaste de uma semana intensa, quando poderia perfeitamente ter poupado energias de modo a encontrar-se em melhor condição física para abordar a prova seguinte.

Mesmo com muito para melhorar e evoluir, Alcaraz, mantendo-se saudável e sem deslumbramentos, tem tudo para tornar-se num dos futuros membros do top-10.

Em adição, sob pó de tijolo poderá mesmo ombrear com os melhores da modalidade.

Alcaraz é um nome a seguir que poderá  ameaçar tomar de assalto o Ténis mundial!

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

Diogo Rodrigues

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