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Carta Aberta à “Dupla” Federer / Nadal

Francisco Sampaio · 3 min

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cartaabertaCaros Roger Federer e Rafael Nadal,

Escrevo-vos hoje em nome de todos os amantes de ténis que convosco aprenderam a amar a modalidade ou que, após a retirada de outros grandes nomes da mesma (como Pete Sampras, Björn Borg, Jimmy Connors, Rod Laver, Ivan Lendl, John McEnroe ou Andre Agassi), encontraram em vós novas referências no desporto que tanto nos apaixona. Escrevo-vos hoje pouco após o término da Laver Cup, o torneio “a feijões” que durante três dias nos colou aos ecrãs, para vos descrever aquilo que senti quando vos vi abraçados a festejar uma vitória que nada valia como se fossem dois meninos acabados de vencer o primeiro torneio das vossas vidas.

O ténis é, todos sabemos, uma modalidade especial. O fair play está cristalizado nos hábitos dos jogadores e a integridade é caraterística basilar nos mesmos. Sempre assim o foi, desde os primórdios, mas se ainda assim o é muito se deve a vós. “Caramba, como é possível num desporto individual haver respeito e, imagine-se, amizade entre os dois maiores da atualidade?”, perguntarão alguns. “Porque somos tenistas”, responderão vós. A Laver Cup foi apenas a expressão máxima dessa realidade e foi, permitam-me dize-lo, uma chapada de luva branca em todas as modalidades nas quais a mediocridade fora de campo chega a sobrepor-se à arte com a qual os seus executantes nos brindam dentro do mesmo.

Federer e Nadal divertem-se a fazer aquilo de que mais gostam Fonte: Laver Cup
Federer e Nadal divertem-se a fazer aquilo de que mais gostam
Fonte: Laver Cup

Roger e Rafa, tantas e tantas batalhas depois, tantas e tantas horas dentro dos courts a lutar até que a força mental se sobrepusesse à força física, tantas e tantas emoções! No final, faz-se hoje a mesma pergunta que sempre foi feita: quem é o melhor? Vocês certamente riem e pensam para vós mesmos: o que interessa isso quando ambos fazemos aquilo de que tanto gostamos? Todos sabem que tu, Roger, és um prodígio técnico, que és poesia em movimento, que te moves no court como se estivesses num bailado de Tchaikovsky. E todos sabem que tu, Rafa, és a personificação perfeita de “la furia española”, que sempre figurarás na história como um dos maiores guerreiros da história do desporto.

Foram tantas as vossas conquistas, foram tantas as estórias por vós escritas na história do ténis e, no final, tudo se resume àqueles conselhos técnicos, àqueles gritos de incentivo, àquelas unhas roídas, àqueles festejos exuberantes e, acima de tudo, àquele abraço. Sim, aquele abraço que todos achamos (quase) impossível, por exemplo, entre Ronaldo e Messi; aquela genuína felicidade que não se finge, mas antes se sente por quem tem a dimensão humana necessária para tal.

Há imagens que valem mais do que mil palavras Fonte: Laver Cup
Há imagens que valem mais do que mil palavras
Fonte: Laver Cup

Todos sabemos que amanhã é outro dia e, brevemente, novas batalhas serão travadas entre vós, assim como todos sabemos que Federer / Nadal nunca será a melhor dupla de pares do mundo. Porém hoje, como há já muitos anos, devo-vos (corrijo, devemos-vos) um enorme e sentido “obrigado”! A Laver Cup não tem qualquer interesse competitivo, provavelmente amanhã ninguém se lembrará do que se passou na cidade de Praga por aqueles dias, mas uma coisa é garantida: sempre que uma criança pegar numa raquete de ténis, dever-se-á lembrar de vós e do dia 24 de setembro de 2017. O treinador daquele menino que um dia virá a ser número um do ranking ATP mostrar-lhe-á as imagens do vosso abraço e dir-lhe-á: “Estás a ver estes dois? São dois dos maiores de sempre, e sabes porquê? Porque ao invés de se encavalitarem nas costas do rival na derrota, optem por saltar para o colo um do outro na vitória para que possam chegar cada vez mais alto”.

Obrigado, Roger! Obrigado Rafa! Por tudo…

Francisco Sampaio

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