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A notícia que surpreendeu o mundo do ténis foi dada a conhecer há quase um mês: Serena Williams está grávida e, consequentemente, após um longo período de domínio do circuito WTA, prepara-se para abandonar de forma mais prolongada o lugar cimeiro do ranking mundial. Para os amantes de ténis, pese embora o significativo declínio de qualidade que significa a ausência de Serena Williams do circuito WTA, esta trata-se de uma oportunidade de ouro para perceber o que valem realmente as adversárias da supercampeã norte-americana.
O ano tenístico tem sido marcado, na vertente feminina, pela incerteza ao nível dos resultados decorrente da inconsistência do desempenho das atletas. Estas parecem ser capazes, de semana para semana, do melhor e do pior, como é exemplo a eliminação de Garbiñe Muguruza na primeira ronda em Madrid e do atingimento da meia-final, logo na semana seguinte e na mesma superfície, do Internazionali BNL d’Italia. Este tem sido também o ano no qual a grande surpresa da temporada transata, Angelique Kerber, que chegou mesmo a “roubar” o lugar cimeiro do ranking WTA a Serena Williams, nunca conseguiu ir além dos quartos-de-final nos principais torneios (no Premier Mandatory de Miami).

Fonte: Facebook Oficial de Angelique Kerber
Roger Federer afirmou recentemente ficar “impressionado” sempre que vê Angelique Kerber jogar, e a verdade é que a tenista alemã tem caraterísticas de extrema relevância no ténis moderno: uma capacidade atlética impressionante para cobrir o court e uma excecional velocidade de reação. Kerber tem no fundo do court a sua zona de conforto e na direita a sua melhor pancada (sobretudo na direita paralela, que lhe permite fazer vários winners); por outro lado, o serviço é o calcanhar de Aquiles da alemã, pese embora esta acabe por obter algum benefício do facto de ser esquerdina.
Foto de Capa: Facebook Oficial de Serena Williams
Tendo em conta o momento de forma atual de cada uma das tenistas do circuito, a posição que ocupam no ranking, e aquilo que ainda falta jogar até ao final da presente temporada (considerando os torneios a disputar e a superfície dos mesmos), lançam-se algumas apostas ordenadas relativamente àquela que poderá terminar o ano 2017 na posição número 1 do ranking mundial:
1 – Karolina Pliskova
A tenista checa não tem conseguido impor-se nos momentos decisivos mas, sobretudo em piso rápido, tem primado pela consistência, tendo atingido a meia-final em Indian Wells e em Miami. O seu serviço é o melhor do circuito WTA na atualidade, tendo esta feito 530 ases ao longo da temporada 2016 (mais 196 do que Serena Williams!). As suas principais dificuldades surgem quando as adversárias a obrigam a deslocar-se no court e a enfrentar longas trocas de bolas. Assim sendo, se a temporada de terra batida não promete ser positiva para a checa, já os torneios em relva e, sobretudo, em piso rápido, poderão leva-la a ascender, pela primeira vez na carreira, ao lugar cimeiro do ranking WTA.

Fonte: Facebook Oficial de Karolina Pliskova
2 – Simona Halep
A tenista romena não é, e quase nunca foi, um exemplo de consistência, pelo que apostar na mesma para terminar a temporada no número 1 do ranking WTA é sempre um risco. Em 2014 Halep foi número 2 do mundo mas, de lá para cá, nunca mais conseguiu manter a regularidade exibicional. A romena é uma jogadora extremamente combativa, desloca-se rapidamente no fundo do court e consegue devolver mesmo as bolas que não parecem alcançáveis. Porém, e apesar de referir que o serviço é a sua pancada favorita, esta não tem uma verdadeira arma no seu jogo fazendo da sua capacidade defensiva o ponto mais forte do mesmo. Halep não deverá ter vida fácil nos torneios em relva, mas terá sempre uma palavra a dizer em piso rápido e em terra batida onde, recentemente, venceu o Mutua Madrid Open. Até ao final da temporada o sucesso apenas dependerá da sequência de resultados porque, como é sabido, Halep tende a transformar a frustração em erros não forçados.

1Fonte: Facebook Oficial de Simona Halep
3 – Angelique Kerber
A tenista alemã não se encontra num bom momento de forma mas, na ausência das duas melhores tenistas do circuito WTA (Serena Williams e Victoria Azarenka) e com Maria Sharapova ainda muito longe dos lugares cimeiros do ranking mundial, esta é claramente a melhor jogadora da atualidade. Neste momento é pouco crível que o ano 2017 termine com Angelique Kerber a ocupar o primeiro lugar do ranking WTA, mas tudo está nas suas mãos; caso consiga ultrapassar o mau momento atual (claramente mais psicológico do que técnico), então restarão poucas dúvidas de que a alemã se sobreporá perante toda a concorrência.
As incertezas são muitas, até porque o circuito WTA já não sabe viver sem Serena Williams. Nesta nova vida do ténis feminino tudo está em aberto e é até possível que surpresas mais significativas aconteçam, como o potencial regresso ao número 1 do ranking mundial de Caroline Wozniacki que, baseada no seu habitual jogo defensivo e na consistência na troca de bolas, tem vindo a apresentar bons resultados ao longo da temporada (em piso rápido). Resta aguardar para ver; até lá, façam-se apostas…













