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O melhor tenista português de todos os tempos voltou a não conseguir ganhar um encontro no maior torneio de ténis realizado em Portugal. Em 2014, saiu derrotado por Leonardo Mayer.
Em 2015, não foi capaz de vencer Rui Machado. Em 2016, perdeu com o futuro campeão do torneio: Nicolas Almagro. Em 2017, foi a vez de Bjorn Fratangelo derrotar o número um português.
O que explica as quatro derrotas consecutivas do número um nacional no Estoril Open? Em primeiro lugar é essencial perceber que nem todos estes desaires aconteceram pelas mesmas razões.

Fonte: Ténis Portugal
- Inferioridade
Em 2014 e 2016, por exemplo, e por muito que nos possa custar a admitir, a verdade é que os adversários de João Sousa são/foram melhores jogadores do que o português. Nicolas Almagro já figurou entre os dez melhores jogadores do mundo e alcançou por três vez os quartos de final de Rolland Garros. Leonardo Mayer já foi 21º do ranking e no seu palmarés conta com o torneio de Hamburgo (ATP 500).
- Pressão
Por sua vez, em 2015, a derrota de João Sousa frente a Rui Machado tem outras explicações. Quando dois jogadores da mesma nacionalidade se defrontam, o encontro tem sempre características muito especiais. Neste caso, a verdade é que o mais velho dos portugueses conhecia Sousa na perfeição. Rui Machado sabia exatamente o que tinha de fazer para se superiorizar ao vimaranense e soube ainda jogar com o ascendente mental que tinha sobre o vimaranense.
Por último, a derrota frente a Bjorn Fratangelo. Não deixei o ano de 2017 para último apenas por uma questão cronológica. Neste caso, os motivos são muito mais gerais. É certo que o norte-americano estava a atuar em estado de graça, mas o português tem ténis mais do que suficiente para derrotar Fratangelo.

Fonte: Millennium Estoril Open
Então, afinal de contas, como é possível que um tenista que está nos 50 melhores jogadores do mundo há quase dois anos seja derrotado por um jogador bem fora do top 100? A explicação é bem mais simples do que parece: pressão. João Sousa não sabe lidar com a pressão. O facto de todo um torneio ser construído à sua volta, o facto de Sousa ser de longe o melhor tenista português de todos os tempos e ainda o facto de nunca um português ter conquistado o Estoril Open explicam a tensão com que o vimaranense entra em campo. Mas nada disto é uma surpresa. No challenger que se realizou em Guimarães, terra de onde João Sousa é natural, o português teve de salvar match points logo na primeira ronda. É certo que acabaria por vencer o torneio, mas os indicadores estavam lá.
- E agora, como ultrapassar a barreira psicológica?
Bem sei que tudo isto parece fácil. Não o é, acreditem. Mas, afinal de contas, como pode o português ultrapassar esta barreira psicológica? A resposta pode muito bem não ser a politicamente correta, mas a verdade é que João Sousa deve marimbar-se para o que os outros pensam ou dizem. Sousa é, de longe, o melhor tenista português de todos os tempos e não tem que provar nada a ninguém. A melhor forma de ter sucesso em Portugal é encarar o torneio como encara as outras dezenas em que participa por ano.
Desta forma, pode até nem ganhar, mas estará sempre mais perto de o fazer.
Foto de Capa: Instagram Oficial de João Sousa












