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Mutua Madrid Open: Regresso ao Passado, Parte II

Francisco Sampaio · 3 min

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Cabeçalho modalidadesA temporada de terra batida conheceu em Madrid a sua penúltima grande paragem antes de Roland-Garros. Se em Monte-Carlo “El Toro” Rafael Nadal se superiorizou a toda a concorrência, em Madrid o cenário acabaria por se repetir. Num ano tenístico que se trata de um verdadeiro regresso ao passado, com Roger Federer e Rafa Nadal a apresentarem um significativo ascendente sobre toda a concorrência, o tenista maiorquino renovou e reforçou a sua candidatura à conquista de “La Decima” na capital francesa.

Mas começando pela vertente feminina, sem as melhores tenistas do circuito WTA em competição (Serena Williams e Victoria Azarenka) a temporada tem sido pródiga em surpresas. Seria expectável que, pese embora tenha vindo a apresentar-se aquém das expetativas, Garbiñe Muguruza pudesse regressar aos grandes triunfos na superfície que, pela agressividade do seu jogo, mais a favorece.

Contudo a espanhola, que continua a atravessar um mau momento, foi contundentemente eliminada por Timea Bacsinszky logo na primeira ronda do torneio, deixou uma pálida imagem do seu ténis, e pareceu colocar-se numa posição de “não favorita” à conquista de Roland-Garros, torneio que conquistou na temporada passada. Assim sendo, em Madrid quem mais brilhou foram mesmo Simona Halep e Kristina Mladenovic.

Fonte: Página do Facebook do Mutua Madrid Open
Fonte: Mutua Madrid Open

Se a romena parece ter dado um pontapé na crise, a francesa demonstrou estar a atravessar um grande momento em terra batida, repetindo a final alcançada há 15 dias no Porsche Tennis Grand Prix. Numa final bem disputada, a consistência no fundo do court de Simona Halep sobrepôs-se à maior agressividade de Mladenovic e culminou num regresso da romena à conquista de grandes títulos.

Porém, ambas as tenistas deram boas indicações e, face ao mau momento de Angelique Kerber e de Garbiñe Muguruza, à inconsistência de Karolina Pliskova, e à busca de Maria Sharapova pelo seu melhor ritmo de jogo, estas parecem mesmo colocar-se “na pole position” para a conquista de Roland-Garros.

Já na vertente masculina bem se pode dizer que o Mutua Madrid Open foi “mais do mesmo”, sobretudo no que concerne ao vencedor. Rafa Nadal começou o torneio em busca do seu melhor ritmo e foi precisamente na segunda ronda, diante de Fabio Fognini, que cedeu o único set. Daí em diante o domínio foi absoluto: fantástica deslocação no court, extraordinária capacidade defensiva, nenhuma bola era dada por perdida, e cada bola era batida como se fosse a última. Garra, capacidade física e agressividade sempre foram predicados de “El Toro” e, nesta temporada, estes parecem estar renovados.

Mesmo sendo obrigado a disputar encontros teoricamente difíceis, frente a adversários como Nick Kyrgios ou Novak Djokovic, Rafa Nadal nunca tremeu e, numa final disputada contra outro tenista que também bate com muita força na bola (sobretudo na sua pancada de direita), o maiorquino superiorizou-se a Dominic Thiem em dois sets disputados com uma intensidade absolutamente extraordinária.

Com Djokovic ligeiramente melhor do que em torneios anteriores (mas ainda longe do Nole do início de 2016) e com Andy Murray a confirmar o seu péssimo momento, a única dúvida que resta é: irá Roger Federer estar presente em Roland-Garros? Tudo indica que sim mas, caso tal não se verifique, Rafael Nadal tem uma passadeira vermelha estendida para, em Paris, fazer (mais) história no ténis e, em particular, em terra batida.

Fonte: Página do Facebook do Mutua Madrid Open
Fonte: Mutua Madrid Open

A temporada tenística de 2017 tem sido marcada pela incerteza. Porém, se na vertente feminina esta se acentua com a ausência de Serena Williams dos courts, na vertente masculina Rafa Nadal faz acreditar que, na atualidade, um tenista atinge a sua maturidade desportiva cerca dos 30 anos de idade.

A garra é a mesma de sempre, a dimensão física já não o é, mas a capacidade de leitura dos diversos momentos do encontro coloca “El Toro”, cada vez mais, como um adversário temível para qualquer que seja o seu opositor. Se tal se verifica em qualquer superfície, em terra batida ter Nadal do outro lado da rede torna-se um verdadeiro pesadelo. A ver vamos se esse “pesadelo” se tornará num sonho para todos os amantes de ténis em Roland-Garros…

Foto de Capa: Mutua Madrid Open

Francisco Sampaio

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