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O “desaparecimento” de João Sousa e os possíveis sucessores | Ténis

Diogo Rodrigues · 6 min

Foto: ATP World Tour

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Neste artigo de opinião iremos dar destaque ao ténis português, abordando a queda súbita de João Sousa no ranking ATP. Por fim, iremos ainda salientar alguns atletas que, eventualmente no futuro poderão dar muitas alegrias aos amantes lusos da modalidade. Venham connosco!

                                                                                      Foto de Capa: ATP World Tour

UMA CRISE SEM FIM À VISTA

 

Aos 32 anos, o número um nacional João Sousa conta com três títulos ATP, entre eles o nosso Millennium Estoril Open em 2018. Sousa, apesar das conquistas, desde o regresso da modalidade no pós pandemia eclipsou-se por completo.

O “conquistador” não conta, na presente temporada, com qualquer vitória nos quadros de singulares ao mais alto nível, sendo que, por algumas ocasiões nem conseguiu ultrapassar a fase de qualificação, mesmo que por duas vezes já tenha entrado para o QP com o estatuto de Lucky Loser. Tem desperdiçado a sorte que lhe tem calhado em rifa!

Contudo, parece-me que não é uma crise tenística, mas sim de falta de confiança, motivação e de talvez algum défice físico. É importante sublinhar que o ténis ao mais alto nível esteve parado até agosto do ano transato, e como sabemos a confiança é tudo no desporto, e esta modalidade não é exceção! Como é óbvio, o vimaranense – atualmente a residir e a treinar em Barcelona – não perdeu as qualidades de que era mestre no seu jogo, principalmente a sua direita batida: pancada esta que lhe permitiu, e é bom relembrar, estar semanas a fio no Top 50 mundial.

Foi o primeiro luso a conseguir tal feito marcando presença também nas Olimpíadas do Rio em 2016, sendo que foi, inclusive, primeira vez em que a comitiva Portuguesa se fez representar no desporto da bola amarela. No entanto, com os resultados a “descarrilarem” a olhos vistos, e depois de meia dúzia de temporadas vividas entre os 100 melhores da tabela individual ATP, o jogador acabou por sair dessa elite, estando atualmente a militar fora do Top 105. Mesmo assim mantém, no momento, o epíteto de número um luso no ranking. Será que tem concorrente capaz de ombrear consigo ou quem sabe até superar os seus feitos, a nível interno?

Outro fator a ter em conta será a sua veterania visto contar já com 32 anos. Isto, apesar dos exemplos como Rafael Nadal, Novack Djokovic ou….Roger Federer, que leva a questão da idade ao seu expoente máximo, pois aos 40 anos de idade ainda consegue estar perto da sua melhor forma. Portanto, mais dia menos dia ter-se-á de colocar a questão: quais serão os próximos conquistadores?

UMA PROMESSA QUE VIROU CONFIRMAÇÃO

O maiato Nuno Borges, estudante universitário nos EUA, competiu no exigente circuito universitário do país de onde já saíram nomes grados da modalidade. Tal razão levou-o começar tardiamente a sua carreira nos circuitos da ITF, Federação Internacional de Ténis e Chalangers. O tenista luso deu-se a conhecer ao grande público nos torneios realizados em julho e agosto pela Federação Portuguesa de Ténis, que organizou algo replicado pela sua congénere gaulesa: oferecendo ritmo e proporcionando jogos competitivos de modo a preparar os tenistas para o regresso aos respetivos circuitos.

Nuno foi talvez o que mais aproveitou esse “mini-périple” para se afirmar: conquistou uma dessas provas marcando presença em outras duas meias finais. Contudo, a sua grande explosão internacional chegaria num dos Challenges organizados em Oeiras, sendo que, na sua primeira competição jogada a este nível apenas frustrou no encontro final, estando até a vencer com set e break de vantagem. No final da partida, Borges inclusive não escondeu a frustação e a tristeza com o resultado.

Ora, após uma derrota que até poderia ter sido traumática pelo modo como ocorreu, eis que o maiato tratou de dissipar todas as questões quanto a isso, encetando a trajetória que todos acompanharam no Millennium Estoril Open! Derrotou um Top 90 na fase de qualificação, tombou um tenista pertencente aos 60 melhores da tabela ATP, sendo que esteve apenas a seis pontos de fazer cair o «gigante Marim Cilic», que no final reconheceu que o tenista português ainda vai dar muito que falar.

Eu concordo totalmente com Cilic. Vejo no Borges capacidade para ser “perigoso” em todas as superfícies, visto ter poder de fogo no serviço, uma direita portentosa e bastantes “mãozinhas” à rede. Com tais atributos e continuando a este nível, com margem de progressão por sinal gigante, Nuno poderá ser o grande porta-estandartes da bandeira lusitana nos grandes eventos desta fantástica modalidade nos próximos longos anos.

OUTROS NOMES A NÃO PERDER DE VISTA

Tiago Cação, Top 600 mundial, também tem impressionado pela sua regularidade, bem como pela quantidade de encontros vencidos nas categorias inferiores, averbando vitórias sobre jogadores melhor colocados na tabela individual ATP. Embora ainda esteja em fase de consolidação, o português poderá ascender bastante nos próximos tempos, embora não tenha nível de jogo para competir com Borges pelo posto de melhor luso no ranking mundial.

 Frederico Silva, mais experiente (26 anos e dentro do Top 200), teve boas prestações em torneios de menor calibre e tem visto sempre por uma “unha negra” a presença em quadros principais, mas sempre vendendo bem cara essas derrotas. O caldense, sobretudo em terra batida, poderá quem sabe a breve trecho lograr uma boa semana, pois tem nível e estofo para chegar ao Top 100. Isto, se estiver saudável, confiante e com todo o seu jogo bem afinado. Fruto da sua capacidade combativa é dos tenistas mais difíceis de “vergar”.

Quanto a Pedro Sousa, o mais veterano e azarado de todos os tenistas lusos, de novo com a lesão de sempre a apoquentar o lisboeta, é, contudo, dos mais talentosos de sempre a ter pisado os courts em terras de Cabral. Extremamente completo, com um serviço que lhe pode dar, se estiver num bom dia, ascendente imediato sobre o oponente e com boa capacidade de bater e acelerar a bola tem mais que condições, apesar da idade já ir pesando, para voltar a reentrar nos 100 mais onde já marcou presença após o memorável trajeto em 2019 rubricado no “pó de tijolo” no ATP 250 em Buenos Aires, apenas travado no derradeiro embate diante do atual Top 20 o jovem norueguês Casper Ruud.

 Gastão Elias, parece ter visto a sua carreira estagnar nos tempos mais recentes. Não obstante ter sido presença na final de um dos já referidos torneios jogados em Oeiras o mês passado. Contudo parece ser na atualidade demasiadamente irregular e pouco consistente nas suas performances ao longo dos encontros, para voltar à nata da modalidade, sendo que acompanhou o “conquistador” na expedição brasileira! Será que o lourinhanense poderá voltar a dias de glória? Veremos se tal se verificará.

Gonçalo Oliveira parece-me ser outro nome a estar debaixo de olho, dado que revela bastante apetência, não só para a variante de singulares, como também na vertente de duplas onde até está melhor classificado no ranking. O algarvio, extremamente completo, sereno e psicologicamente forte, tem tudo  para se afirmar brevemente no circuito maior do ténis a nível mundial, pois talento tem que chegue e sobre!

Por fim, de salientar nome como João Domingues, que também está longe do que já mostrou, Pedro Araújo, de apenas 19 anos, ou o ainda júnior Miguel Pinto, que apesar dos seus 16 anos já esteve na qualificação para o maior torneio a nível nacional. Estes três  são outros atletas com capacidade de vir a transportar bem alto os sonhos dos fãs lusitanos.

Agora, é torcer para que todos possam competir e evoluir, tornando a modalidade ainda mais representativa e com cada vez maior projeção no panorama desportivo nacional.

Diogo Rodrigues

Redação Bola na Rede · ver artigos