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O Ténis Português em 2020

José Maria Reis · 5 min

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Há já algum tempo que a principal, e muitas vezes única, bandeira do ténis português a nível mundial tem sido João Sousa que teve uma época para esquecer. Em contraciclo, Pedro Sousa teve uma época de clara afirmação no panorama mundial onde chegou, pela primeira, a uma final ATP. A nível ITF, Nuno Borges foi o principal destaque com exibições e resultados de encher o olho.

Esta temporada de 2020, por estas razões, acabou por ter um sentimento agridoce para o ténis português. Foi bom termos visto bastantes jovens, e não tão jovens, a jogar bom ténis e a tentar cimentar as suas posições no ranking, correndo o risco de ser injusto, jogadores como Pedro Sousa, Nuno Borges, Frederico Silva, Gastão Elias e, até, Pedro Araújo abriram-nos, decerto, o apetite para os ver jogar em 2021.

Foto de Capa: Federação Portuguesa de Ténis

JOÃO SOUSA

João Sousa teve um ano para esquecer, que venha 2021
Fonte: Federação Portuguesa de Ténis

João Sousa terminou a época de 2019 com uma lesão, no pé esquerdo, que o impediu de preparar a época convenientemente. A recuperação foi tardando, a mazela parecia não dar descanso a João Sousa e a movimentação em court estava, claramente, a sofrer com isso. A pandemia, inicialmente, foi vista como uma oportunidade de repousar e resolver a 100% o seu problema no pé.

Na retoma, João Sousa participou no circuito que a Federação Portuguesa de Ténis (FPT), e muito bem, desenvolveu para dar rodagem, e prize moneys, aos tenistas portugueses, o Circuito Sénior FPT. Depois desta participação, onde pareceu recuperado a nível de lesões, rumou aos EUA para disputar o qualifying no quadro de Cincinnati e o US Open, para o qual tinha entrada direta, dois torneios cujos resultados, e exibições, ficaram bastante aquém das suas expectativas, pois acabou por perder os dois jogos em que participou contra adversários modestos, Majchrzak e Mmoh, respetivamente.

Depois da sua participação no US Open, a verdade é que os adversários com quem se foi batendo foram de nível bastante superior a estes dois últimos e as suas derrotas com jogadores como Hurkacz, Sandgren e Millman foram muito menos desapontantes, não só pela superior valia dos mesmos, mas ainda por ter conseguido equilibrar muito os jogos. No quadro de qualificação para o torneio de Antuérpia, a sua “sorte” voltou a bater à porta e lesionou-se no antebraço. Depois de ainda tentar, sem sucesso, recuperar a tempo de realizar o seu último torneio, acabou por fechar a temporada sem qualquer vitória num quadro principal ATP, uma temporada que quererá esquecer rapidamente.

PEDRO SOUSA

Pedro Sousa, que viu sempre a sua carreira muito posta em causa por lesões, começou 2020 em grande quando, em fevereiro, depois de perder no qualifying e ter sido repescado como Lucky Loser, o tenista de Lisboa conseguiu chegar à final do ATP250 de Buenos Aires antes de perder frente a Casper Ruud. Foi uma semana memorável para Pedro Sousa que nunca haveria sequer chegado às meias-finais de um torneio desta categoria. Ficou bem explícito a surpresa e o valor que esta final tinha para ele quando, em pleno court, depois do jogo decisivo, afirma “vim jogar apenas um ou dois jogos e acabei a pedir cordas emprestadas”, numa tirada deliciosa. No final desta semana, ficou novamente muito perto de reentrar no TOP-100 do ranking mundial, depois de, em 2019, lá ter estado duas semanas. A verdade é que esta semana muito desgastante acabou, também, por ter um peso na forma física do Pedro que acabou por desistir de, na semana seguinte, disputar o ATP500 do Rio de Janeiro onde teria encontro marcado com João Domingues.

Esta época do Pedro Sousa foi claramente marcada por um excelente início e final, já que foi na última semana, e na quarta final do ano, que o tenista lisboeta conquistou o seu único título do ano, no Maia Open. Com esta conquista, igualou o recorde do seu treinador, Rui Machado, como português com mais títulos Challengers (oito).

Para além destas duas semanas memoráveis, destacam-se ainda as chegadas à final nos Challengers de Split e Lisboa e ter ficado a um ponto de vencer o seu primeiro jogo no qualifying de um Masters 1000, na prova de Paris.

NUNO BORGES

Nuno Borges teve esta temporada como o ano de afirmação na Europa
Fonte: Federação Portuguesa de Ténis

Nuno Borges seria um nome que muito pouca gente conhecia no início do ano, pois era um jogador que estava a atuar no circuito universitário americano, onde foi “só” o número 1 do ranking e o vice-campeão nacional em maio de 2019. Por ser uma competição tão periférica, começou só a dar nas vistas no verão passado, quando ainda disputou alguns torneios ITF em Portugal, mas 2020 foi o ano da sua afirmação.

A época de 2020 foi realmente muito saborosa para o tenista maiato o que acabou por se refletir bastante no seu ranking. Depois de ter começado o ano na 675.ª posição do ranking, acaba 2020 dentro do TOP-400 do mundo. Conseguiu ser o tenista com maior número de presenças em finais de torneios ITF (seis), das quais venceu três, em Monastir, Sintra e na Quinta do Lago. Na próxima época iremos certamente ver o Nuno bastante motivado e a ambição dele será tornar as suas presenças em Challengers mais regulares e começar a marcar presença em alguns qualifying de torneios ATP ou mesmo, quem sabe, em quadros principais, ainda que pareça um bocadinho miragem, nesta altura.

GASTÃO ELIAS

Mais um jogador que tem visto a sua carreira, nos seus últimos anos, fustigada por lesões, Gastão Elias mostrou-se a um bom nível depois da paragem do circuito.

Depois de três anos sem títulos, o jogador da Lourinhã conseguiu finalmente erguer um troféu, no Porto Open, torneio da categoria ITF, batendo na final Nuno Borges que o haveria vencido, também na final, no ITF que se tinha realizado em Sintra, três semanas antes. Mais, até, do que os resultados, o nível demonstrado pelo Gastão, que acaba o ano às portas do TOP-400, foi muito satisfatório e aumenta as suas, e as nossas, expectativas para a próxima época.

José Maria Reis

Redação Bola na Rede · ver artigos