Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Há já algum tempo que a principal, e muitas vezes única, bandeira do ténis português a nível mundial tem sido João Sousa que teve uma época para esquecer. Em contraciclo, Pedro Sousa teve uma época de clara afirmação no panorama mundial onde chegou, pela primeira, a uma final ATP. A nível ITF, Nuno Borges foi o principal destaque com exibições e resultados de encher o olho.
Esta temporada de 2020, por estas razões, acabou por ter um sentimento agridoce para o ténis português. Foi bom termos visto bastantes jovens, e não tão jovens, a jogar bom ténis e a tentar cimentar as suas posições no ranking, correndo o risco de ser injusto, jogadores como Pedro Sousa, Nuno Borges, Frederico Silva, Gastão Elias e, até, Pedro Araújo abriram-nos, decerto, o apetite para os ver jogar em 2021.
Foto de Capa: Federação Portuguesa de Ténis
JOÃO SOUSA

Fonte: Federação Portuguesa de Ténis
João Sousa terminou a época de 2019 com uma lesão, no pé esquerdo, que o impediu de preparar a época convenientemente. A recuperação foi tardando, a mazela parecia não dar descanso a João Sousa e a movimentação em court estava, claramente, a sofrer com isso. A pandemia, inicialmente, foi vista como uma oportunidade de repousar e resolver a 100% o seu problema no pé.
Na retoma, João Sousa participou no circuito que a Federação Portuguesa de Ténis (FPT), e muito bem, desenvolveu para dar rodagem, e prize moneys, aos tenistas portugueses, o Circuito Sénior FPT. Depois desta participação, onde pareceu recuperado a nível de lesões, rumou aos EUA para disputar o qualifying no quadro de Cincinnati e o US Open, para o qual tinha entrada direta, dois torneios cujos resultados, e exibições, ficaram bastante aquém das suas expectativas, pois acabou por perder os dois jogos em que participou contra adversários modestos, Majchrzak e Mmoh, respetivamente.
Depois da sua participação no US Open, a verdade é que os adversários com quem se foi batendo foram de nível bastante superior a estes dois últimos e as suas derrotas com jogadores como Hurkacz, Sandgren e Millman foram muito menos desapontantes, não só pela superior valia dos mesmos, mas ainda por ter conseguido equilibrar muito os jogos. No quadro de qualificação para o torneio de Antuérpia, a sua “sorte” voltou a bater à porta e lesionou-se no antebraço. Depois de ainda tentar, sem sucesso, recuperar a tempo de realizar o seu último torneio, acabou por fechar a temporada sem qualquer vitória num quadro principal ATP, uma temporada que quererá esquecer rapidamente.
PEDRO SOUSA
Primeira final ATP da carreira!
Pedro Sousa apurou-se para a final do Argentina Open após desistência de Schwartzman. pic.twitter.com/fu0CvxWViM
— B24 (@B24PT) February 15, 2020
Pedro Sousa, que viu sempre a sua carreira muito posta em causa por lesões, começou 2020 em grande quando, em fevereiro, depois de perder no qualifying e ter sido repescado como Lucky Loser, o tenista de Lisboa conseguiu chegar à final do ATP250 de Buenos Aires antes de perder frente a Casper Ruud. Foi uma semana memorável para Pedro Sousa que nunca haveria sequer chegado às meias-finais de um torneio desta categoria. Ficou bem explícito a surpresa e o valor que esta final tinha para ele quando, em pleno court, depois do jogo decisivo, afirma “vim jogar apenas um ou dois jogos e acabei a pedir cordas emprestadas”, numa tirada deliciosa. No final desta semana, ficou novamente muito perto de reentrar no TOP-100 do ranking mundial, depois de, em 2019, lá ter estado duas semanas. A verdade é que esta semana muito desgastante acabou, também, por ter um peso na forma física do Pedro que acabou por desistir de, na semana seguinte, disputar o ATP500 do Rio de Janeiro onde teria encontro marcado com João Domingues.
Esta época do Pedro Sousa foi claramente marcada por um excelente início e final, já que foi na última semana, e na quarta final do ano, que o tenista lisboeta conquistou o seu único título do ano, no Maia Open. Com esta conquista, igualou o recorde do seu treinador, Rui Machado, como português com mais títulos Challengers (oito).
Para além destas duas semanas memoráveis, destacam-se ainda as chegadas à final nos Challengers de Split e Lisboa e ter ficado a um ponto de vencer o seu primeiro jogo no qualifying de um Masters 1000, na prova de Paris.
NUNO BORGES

Fonte: Federação Portuguesa de Ténis
Nuno Borges seria um nome que muito pouca gente conhecia no início do ano, pois era um jogador que estava a atuar no circuito universitário americano, onde foi “só” o número 1 do ranking e o vice-campeão nacional em maio de 2019. Por ser uma competição tão periférica, começou só a dar nas vistas no verão passado, quando ainda disputou alguns torneios ITF em Portugal, mas 2020 foi o ano da sua afirmação.
A época de 2020 foi realmente muito saborosa para o tenista maiato o que acabou por se refletir bastante no seu ranking. Depois de ter começado o ano na 675.ª posição do ranking, acaba 2020 dentro do TOP-400 do mundo. Conseguiu ser o tenista com maior número de presenças em finais de torneios ITF (seis), das quais venceu três, em Monastir, Sintra e na Quinta do Lago. Na próxima época iremos certamente ver o Nuno bastante motivado e a ambição dele será tornar as suas presenças em Challengers mais regulares e começar a marcar presença em alguns qualifying de torneios ATP ou mesmo, quem sabe, em quadros principais, ainda que pareça um bocadinho miragem, nesta altura.
GASTÃO ELIAS
Gastão Elias é o grande vencedor da 21.ª edição do Porto Open! 🏆
Parabéns, campeão. 👏 pic.twitter.com/fj2g6dIJ1g
— Porto Open (@PortoOpen) October 4, 2020
Mais um jogador que tem visto a sua carreira, nos seus últimos anos, fustigada por lesões, Gastão Elias mostrou-se a um bom nível depois da paragem do circuito.
Depois de três anos sem títulos, o jogador da Lourinhã conseguiu finalmente erguer um troféu, no Porto Open, torneio da categoria ITF, batendo na final Nuno Borges que o haveria vencido, também na final, no ITF que se tinha realizado em Sintra, três semanas antes. Mais, até, do que os resultados, o nível demonstrado pelo Gastão, que acaba o ano às portas do TOP-400, foi muito satisfatório e aumenta as suas, e as nossas, expectativas para a próxima época.













