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Henrique Carrilho · 5 min

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Cabeçalho modalidadesO Masters 1000 de Roma já é, tradicionalmente, o torneio das surpresas na preparação para Roland Garros. Este ano não fugiu à regra, e foi o jovem alemão Alexander Zverev, de apenas 19 anos, que bateu toda a concorrência e levantou o troféu no Foro Italico. Nas senhoras, como já era de prever, surpresa foi a palavra de ordem da competição e na grande Final, foi a ucraniana Elina Svitolina quem levou a melhor entre as oponentes, e venceu a prova.

Começando exatamente por elas, e pela metade do quadro da competição, apenas Simona Halep cumpriu com o que era esperado e avançou até às meias-finais tendo tido de sofrer apenas frente à russa 12ª Cabeça-de-série Anastasia Pavlyuchenkova, que obrigou a romena a disputar 3 sets (Halep d. Pavlyuchenkova 6/1; 4/6; 6/0). Depois disso, Halep confirmou o seu bom momento de forma ao alcançar facilmente a Final, batendo Anett Kontaveit – a atleta estonina que eliminou de forma humilhante a número 1 mundial Angelique Kerber pelos expressivos 6/4 e 6/0. Também Maria Sharapova desiludiu e desistiu do seu compromisso frente à veterana Mirjana Lucic-Baroni quando perdia por 2/1 no 3º set.

Halep iria encontrar na Final Elina Svitolina, 8ª Cabeça-de-Séria da prova romana. A ucraniana teve de suar bastante mais ao longo do seu percurso até à derradeira partida, e protagonizou nos oitavos-de-final aquele que eu designaria como jogo mais estranho de toda a época e, por sinal, simbólico daquela que tem sido a época no circuito feminino: ao defrontar uma Mona Barthel que vinha de uma excelente conquista em Praga, a ucraniana cedeu a primeira partida por 6/3 quando, quase de forma inexplicável, a alemã “adormece” permitindo que Svitolina vire a partida a seu favor vencendo os dois sets seguintes por duplo 6/0. Depois dessa proeza a ucraniana foi somando vitórias e ao encontrar Muguruza nas meias-finais, quase não chegou a aquecer devido à desistência da espanhola logo no 5º jogo do primeiro set.

Fonte: Elina Svitolina
Fonte: Elina Svitolina

No derradeiro encontro, não houve facilidades para nenhuma das duas jogadoras e foi até a romena Halep que entrou melhor, levando de vencida o primeiro set por 6/4. Aí, Elina Svitolina viu-se obrigada a jogar o seu melhor ténis e, num set com vários pontos espetaculares e de belo efeito, a ucraniana conseguiu fazer o break decisivo no último jogo dessa partida, vencendo-a por 7/5. Na “negra” foi por pouco que Simona Halep escapou ao “pneu”, tendo apenas conquistado o único jogo do set quando perdia já por 5/0, pouco antes de a ucraniana comemorar a excelente semana que fez com o troféu de vencedora nas mãos partindo assim para Paris com a sensação de que pode surpreender em Roland Garros.

Também no quadro masculino houve várias surpresas, estando obviamente à cabeça destas a eliminação de Rafael Nadal nos quartos-de-final da prova. Mas começando pela primeira metade do quadro, o número 1 do mundo Andy Murray voltou a desiludir tendo sido eliminado de forma muito contundente perante um inspirado Fabio Fognini – como é espetacular o que consegue fazer o italiano quando concentrado e motivado desde o primeiro ao último ponto – logo na segunda ronda pelos parciais de 6/2 e 6/4.

Nos oitavos-de-final, o “carrasco” do escocês encontrou um autêntico furacão alemão chamado Alexander “Sascha” Zverev e foi precisamente aí que terminou a caminhada para o atleta italiano. Na mesma ronda do torneio John Isner surpreendeu também ao jogar de forma atípica (para um jogador que depende em grande parte do seu serviço e direita) eliminando Stan Wawrinka em 2 sets apenas. Por esta altura Rafa Nadal e Novak Djokovic tinham vencido tranquilamente todas as suas partidas. E é exatamente na ronda seguinte, quartos-de-final, que surge aquele que foi seguramente um dos mais perfeitos encontros da carreira de Dominic Thiem… precisamente frente a Rafa Nadal. Thiem jogou a um nível tal que – arrisco-me a dizer – ninguém no circuito o conseguiria derrotar naquele dia. E foi isso que aconteceu a Nadal que apesar da derrota, sai de cabeça levantada e parte na pole position para aquele que poderá ser o seu 10º título em Roland Garros.

Fonte: ATP
Fonte: ATP

Se esse foi o dia de Dominic Thiem, o dia seguinte foi o dia de Novak “Nole” Djokovic. O sérvio realizou no sábado dois encontros, fruto do adiamento do encontro com Del Potro na tarde anterior, devido a uma forte tempestade que se abateu sobre a capital italiana. De manhã, Nole “despachou” a “Torre de Tandil” concluindo o segundo set (que havia ficado pendente) com o parcial de 6/4 (Djokovic d. Del Potro 6/1; 6/4). E se de manhã o sérvio se desenvencilhou com facilidade do argentino, ao fim da tarde foi ainda mais esclarecedora a vitória frente a Dominic Thiem. Apesar de, depois da vitória do austríaco frente a Rafa Nadal tudo indicar para que fosse épico o encontro frente a Novak Djokovic, o austríaco foi absolutamente cilindrado pelo número 2 do mundo numa partida que chegou a assumir contornos de humilhação para o jovem Thiem (Djokovic d. Thiem 6/1; 6/0 em 59 minutos).

Na outra meia-final, defrontaram-se os dois jogadores surpresa da metade superior do quadro: Sascha Zverev e John Isner. À partida seria um encontro menos sonante, pelo que os dois atletas deram um espetáculo digno de meia-final e foi o atleta de 19 anos que entrou melhor ao vencer o primeiro set por 6/4. John Isner não desistiu e mostrou que também tinha uma palavra a dizer e, apesar de ser um jogador que prefere superfícies rápidas por potenciarem o seu serviço e direita – as suas principais armas – mostrou que trabalhou bastante a sua pancada de esquerda e venceu o segundo set pelo parcial de 7/6 (5) levando o alemão a disputar uma derradeira partida. E nesta, o alemão demonstrou uma maturidade característica dos grandes campeões, e entrou com fogo no 3º set quebrando o serviço de Isner logo na primeira oportunidade que teve e não abrandou o ritmo até chegar ao 6/1 final.

Na grande final, venceu aquele que teve mais consistência tática e conseguiu manter um nível alto até ao fim do encontro – Alexander Zverev – que terminou com os parciais de 6/4 e 6/3. O alemão mostrou que não se intimida perante os atletas de topo e, com a vitória no Masters de Roma, sobe pela primeira vez ao top-10 e tornou-se no jogador mais jovem a vencer uma prova desta categoria desde 2007.

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Foto de Capa: ATP

Henrique Carrilho

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