Publicidade

Roland Garros 2021: Krejcikova é a inesperada campeã | Ténis

Pedro Marques dos Santos · 6 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Novamente o segundo Grand Slam do calendário tenístico, após uma atípica edição de 2020 que teve lugar em pleno outono e já depois da disputa do US Open, as melhores tenistas do mundo regressaram, na última quinzena, à terra batida de Roland Garros, onde Iga Swiatek (número nove mundial), procurava revalidar o título da época passada, desta vez já com o estatuto de favorita à vitória.

A PRIMEIRA SEMANA DE DESISTÊNCIAS E SURPRESAS

Já com uma candidata de fora do torneio devido a lesão – Simona Halep (3.ª), campeã de 2018, lesionou-se em Roma e não recuperou a tempo de jogar em Paris -, a competição viu, durante a primeira semana, muitas cabeças de série saírem de cena antes de tempo, algumas das quais devido a desistências. Não foi o caso de Angelique Kerber (27.ª), Petra Martic (23.ª), Johanna Konta (20.ª) ou Kiki Bertens (17.ª) que perderam o seu encontro de estreia.

Também na primeira ronda, Bianca Andreescu (7.ª) foi surpreendida por Tamara Zidansek (85.ª), uma das surpresas do treinador, enquanto Garbine Muguruza (13.ª) perdeu em apenas dois sets frente à jovem Marta Kostyuk (81.ª). Destaque ainda para a vitória de Sofia Kenin (5.ª) frente à antiga campeã Jelena Ostapenko (44.ª), bem como a despedida de Carla Suárez Navarro (118.ª), que regressou após vencer um problema de saúde, para encerrar a carreira com uma derrota em três partidas frente a Sloane Stephens (59.ª), num encontro em que teve match points.

Já a segunda ronda, que viu Belinda Bencic (11.ª) perder com Daria Kasatkina (37.ª) e Sloane Stephens bater Karolina Pliskova (10.ª), ficou marcada por várias desistências, entre as quais a de Naomi Osaka (2.ª), que optou por abandonar o torneio depois da reação à sua decisão de não comparecer às conferências de imprensa. Devido a lesão, a número um mundial, Ashleigh Barty, desistiu durante o seu encontro com Magda Linette (45.ª), enquanto Petra Kvitova (12.ª) foi forçada a abandonar a competição depois de torcer o tornozelo durante os compromissos com a imprensa.

Ainda na primeira semana do Grand Slam gaulês, Aryna Sabalenka (4.ª) foi mais uma jogadora do Top 10 a ser vítima de Anastasia Pavlyuchenkova (32.ª), uma habitual tomba-gigantes, enquanto Elina Svitolina (6.ª) caiu perante Barbora Krejcikova (33.ª), uma das revelações da atual temporada. Por sua vez, Sloane Stephens continuou a sua boa prestação ao bater Karolina Muchova (19.ª), numa terceira ronda que viu também Jennifer Brady (14.ª), finalista do US Open, desistir no encontro com Coco Gauff (25.ª).

NOVOS NOMES EM EVIDÊNCIA E A QUEDA DAS ÚLTIMAS FAVORITAS

Chegados aos oitavos de final, apenas restavam cinco vencedoras de Grand Slams no quadro, mas quatro sairiam de cena nesta fase. Serena Williams (8.ª) sucumbiu perante Elena Rybakina (22.ª), Victoria Azarenka foi vítima da futura finalista Pavlyuchenkova, Maria Sakkari (18.ª) colocou fim ao ressurgimento de Sofia Kenin, enquanto a outra futura finalista, Krejcikova, terminou a boa campanha de Sloane Stephens.

Paula Badosa (35.ª) confirmou as boas indicações dadas nos últimos meses e chegou até aos quartos de final, sendo derrotada por Tamara Zidansek, mais uma das tenistas que ganhou um novo protagonismo neste torneio. Contudo, seriam as derrotas da campeã Swiatek frente a Sakkari e da jovem Coco Gauff diante de Krejcikova os principais destaques desta etapa da competição.

Nas meias-finais, se Pavlyuchenkova venceu em apenas dois sets, ainda que equilibrados, Krejcikova teve uma batalha épica com Sakkari, naquela que foi a mais longa semifinal feminina da história de Roland Garros e que terminou com um 9-7 no terceiro set, após 3h18.

A FINAL

PAVLYUCHENKOVA VS. KREJCIKOVA: UMA NOVA CAMPEÃ DE MAJORS EMERGE

Numa final de todo expectável, duas tenistas fora do Top 30 e sem grande histórico em Grand Slams – em singulares, uma vez que Krjecikova já venceu Majors em pares – chegaram ao encontro decisivo do torneio parisiense com uma oportunidade de ouro na carreira de ambas para colocarem um Major no seu currículo, naquele que era o primeiro confronto entre as duas atletas.

De um lado, Pavlyuchenkova, com 29 anos e 12 troféus de campeã na bagagem, tentava finalmente aproveitar o seu há muito conquistado estatuto de tomba-gigantes, fruto das inúmeras vitórias conseguidas frente a jogadoras do Top 10 ao longo da carreira, e atingir um novo patamar na carreira.

Do outro, Krejcikova procurava dar continuidade à grande época que está a realizar e mostrar que também é capaz de grandes feitos em singulares, depois de já ter conquistado vitórias importadas na variante de pares, onde também atingiu a final nesta edição de Roland Garros.

O início do encontro parecia indiciar algum ascendente para a mais experiente das duas tenistas, com Pavlyuchenkova a quebrar o serviço em branco da checa. No entanto, a número 33 do ranking recuperou o break logo de seguida, num jogo que se estendeu para lá dos cinco minutos. Graças a uma maior variação de pancadas e uma movimentação no court mais assertiva, Krejcikova causava problemas à russa e somou nova quebra de serviço para avançar para o 4-1.

A consistência do fundo do court da tenista de 25 anos começou a criar dúvidas no jogo de Pavlyuchenkova, que acumulou erros não forçados e permitiu à checa ter a oportunidade de servir para fechar o set aos 5-1. Apesar do 0-30 inicial, a especialista de pares somou quatro pontos consecutivos para vencer a primeira partida por 6-1, em 32 minutos.

Tal como no primeiro set, o arranque da segunda partida deu um indicador contrário ao que se viria a passar nos minutos seguintes. Pavlyuchenkova foi forçada desde logo a salvar um ponto de break. Contudo, a russa, num excelente jogo de resposta, amealhou três oportunidades para quebrar o serviço de Krejcikova e à terceira confirmou-a para fazer o 2-0 e, de imediato, chegar ao 3-0.

A maior confiança traduziu-se em mais winners da russa, que continuou a assegurar os seus jogos de serviço. Um segundo break colocou a número 32 do mundo a servir para fechar o segundo set por 6-1, mas as boas respostas ao serviço por parte da checa adiaram esse desfecho e colocar o marcador em 5-2. Apesar de ter necessitado de ser assistida ao adutor da perna esquerda após ser quebrada, Pavlyuchenkova conseguiu voltar a fazer o break para ganhar a segunda partida por 6-2.

O set decisivo começou com equilíbrio, mas foi Krejcikova a primeira a conseguir quebrar o serviço da adversária, com uma dupla falta a custar caro à tenista russa. Contudo, a resposta foi imediata, com Pavlyuchenkova a chegar rápido ao 0-40 e, ao terceiro ponto de break, fazer o 2-2.

Aos 3-3, e depois de conseguir o primeiro jogo de serviço em branco da final, a checa somou vários winners para fazer novo break, qua acabaria por confirmar, nas vantagens, para chegar ao 5-3. Obrigada a servir para não perder a final, a russa viu a número 33 mundial colocar o pé no acelerador e chegar aos Championship Points. No entanto, acabaria por salvá-los e obrigar Krejcikova a servir para confirmar o título.

Ainda desperdiçou mais um ponto de torneio com uma dupla falta, mas a checa acabaria mesmo por selar a vitória por 6-4, conseguindo o seu primeiro Grand Slam, em singulares, cerca de oito meses depois de se ter estreado no Top 100 e alargando para 12 a sua atual sequência de vitórias.

Com este resultado, Krejcikova vai ascender ao 15.º lugar da hierarquia mundial, um novo máximo de carreira, enquanto Pavlyuchenkova sobe até ao 19.º posto.

Pedro Marques dos Santos

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.