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Sebastian Baez: Os homens não se medem aos palmos!

Diogo Rodrigues · 5 min

Foto: Estoril Open

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Com apenas 21 anos, e após rubricar a melhor semana de uma ainda curta, mas muito promissora, carreira, Sebastian Baez logrou, no ATP 250 do Estoril, o Estoril Open, conquistar o seu primeiro título entre a nata da modalidade. Visto ter-me impressionado bastante ao longo da sua estadia no Clube de Ténis do Estoril, redijo este artigo por forma a deixar a minha opinião não só sobre aquilo que já é, mas também o que ainda pode vir a ser o seu jogo, explicitando quais os seus pontos mais fortes.

Foto de Capa: Estoril Open 

VENHAM DAÍ CONHECER MELHOR O CAMPEÃO DO ESTORIL OPEN!

Um dos jogadores mais baixos do circuito, desde cedo conseguiu lidar com a necessidade de dotar o seu ténis de “armas” que lhe permitissem “mascarar” esse facto tão menosprezado nos dias que correm, em que a altura média de vencedores de torneios do Grand Slam tem vindo a aumentar, fixando-se atualmente nos 1.96m. O jogador argentino, nascido em Buenos Aires, nada complexado pela altura que ostenta, bem como pelo físico ainda bastante franzino, começou a mostrar todos os atributos ainda enquanto júnior, sendo que chegou a ocupar as posições cimeiras das tabelas do escalão, no qual protagonizou duelos bastante acesos e espetaculares com o norte-americano Sebastian Korda. Eles eram os  melhores tenistas dessa fornada e estão a afirmar-se, sem surpresas, entre a elite. Refira-se que, nos sub18, repartiram entre si os quatro grandes, assim como a liderança do ranking.

É NA TERRA BATIDA QUE SE SENTE EM CASA

Recuando ainda aos primórdios de Baez enquanto projeto tenístico, foi quase que instantâneo, e mantendo a boa tradição do país das pampas, que seria no pó de tijolo que chegaria, aquela que até esse momento era a maior conquista de Seba, o título na catedral do ténis sob terra, Roland Garros, ao derrotar Korda no encontro da glória. De resto, todos os resultados de destaque desde que enveredou pelo profissionalismo, corria o ano de 2018, aconteceram sob terra, alternanda na referida temporada entre eventos alusivos à vertente júnior e competições dos circuitos secundários, os ITF World Tour, sendo por isso um tenista fadado a altos voos na referida superfície, onde se sente como peixe na água.

UMA SUBIDA SUSTENTADA, MAS ESTRATOSFÉRICA

Depois de terminar a temporada de 2019 fora do top 300 mundial, concluindo-a no 317º posto, viu a sua progressão travada pela pandemia, que paralisou, igualmente, por alguns meses o mundo do ténis. Contudo, no retornar da atividade, dispôs de algumas oportunidades para se mostrar ao grande público e, embora não muito bem sucedido, dava já mostras de poder ambicionar a um trajeto bastante auspicioso, com a terra batida a ser o local perfeito para explanar todo o seu ténis, que pecava por ser pouco profundo, intenso, tático e sólido. Tudo mudaria a partir do momento em que os destinos da sua carreira ficariam entregues ao experiente técnico argentino Sebastian Gutierrez, que foi capaz de dotar o seu pupilo de uma resistência física, psicológica e técnica uns bons furos acima do que víamos até então. Tanto assim foi, que Seba ascendia mais de duas centenas de posições no ranking ATP, finalizando 2021 entre os melhores 100 da hierarquia mundial, escalando até ao posto 97. Refira-se que é durante este período que conquista seis provas de categoria ATP Challenger Tour, como não podia deixar de ser, sob pó de tijolo, assinando igualmente uma mão cheia de finais neste piso.

Apesar de, até então, apenas ter competido enquanto profissional em terra, foi de forma surpreendente, e atuando em piso rápido nas ATP Next Jen Finals, o torneio de fecho de temporada para os sub21, realizado em Milão, que, e aproveitando da melhor forma a ausência por lesão do norte-americano Jenson Brooksby  acabaria apenas travado pelo futuro vencedor da competição, o “extraterrestre” Carlos Alcaraz, nas meias finais.

UMA COMBINAÇÃO ENTRE DIEGO E “DELPO” QUE TEM TUDO PARA SER GANHADORA

Após ter atingido a primeira final no circuito ATP em S. Tiago do Chile, onde cedera para o espanhol Pedro Martínez, as comparações com o compatriota Diego Schwartzman foram quase imediatas. A esse respeito, considero-os bastante idênticos: não só nas estratégias usadas, mas, e desde logo, pelo facto de serem, em conjunto com o nipónico Yoshihito Nishioka, os mais baixos do atual top 100 mundial. A garra, a perseverança e espírito guerreiro aplicados em cada encontro também são grandes pontos de contacto entre ambos.

No entanto, e a meu ver, Seba possui não só um maior peso de bola, como é bastante superior no jogo de rede, demonstrando maior talento, sobretudo, em bolas em toque. Mas será, porventura, no primeiro serviço que se notam as maiores diferenças entre os dois “pequeninos”, embora grandes atletas. Em média, Baez retira muito maior partido desta pancada, devido ao baixo lançamento de bola, fundamental para se servir bem, principalmente aquando de dias de vento, como se verificaram na costa de Cascais.

O mais novo procura muitas vezes desequilibrar desde cedo o ponto, explorando o seu golpe de saída. Já o mais velho, não obstante deter um muito competente saque, tendo em conta o seu porte, não serve com o intuito dessa pancada ser uma arma tão letal, apostando na consistência e colocação.

Juan Martín Del Potro, “o bom gigante”, é visto como uma espécie de conselheiro técnico de Baez, conversando muitas vezes com o tenista, pelo que não admira que, por vezes, se veja a tenacidade, calma, sagacidade e inteligência de Delpo incorporadas na mente do discípulo.

Ocupando esta semana o 40º posto ATP, voltará à ação no ATP Masters 1000 de Roma, já na próxima semana, onde procurará dar sequência à melhor fase da carreira.

Com tudo para ser o futuro da modalidade na sua pátria mãe, Baez é um jogador completo, muito consistente de ambos os lados  e  um nome a constar do radar dos amantes do desporto da bola amarela.

Artigo revisto por Gonçalo Tristão Santos

Diogo Rodrigues

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