Serena provoca polémica mundial

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Aquela que é considerada por muitos como a melhor jogadora de ténis de todos os tempos, Serena Williams, envolveu-se na final feminina do US Open numa polémica pouco digna de alguém com o seu estatuto, ao entrar em conflito com o árbitro do encontro, o português Carlos Ramos.

Serena Williams procurava conquistar o seu 24.º título em Grand Slams na carreira e o seu sétimo título no US Open, defrontando a jovem japonesa e estreante em finais de torneios do Grand Slam, Naomi Osaka. Na teoria, Serena partia com uma grande dose de favoritismo para a final frente a Osaka, no entanto, com o desenrolar do encontro cedo se percebeu que a teoria é apenas isso, teoria. Osaka tomou as rédeas do encontro e venceu facilmente o primeiro set, para desalento do público norte-americano que torcia pela atleta da casa.

No segundo set e apesar de mais equilibrado, Serena não estava a encontrar ténis para contrariar o jogo da japonesa, gerando bastante preocupação no seu camarote, onde se encontrava o seu treinador, Patrick Mouratoglou. No início do segundo set, Mouratoglou deu indicações a Serena, tendo o árbitro do encontro se apercebido da situação e advertido a norte-americana que não gostou do facto de ser repreendida e começou uma discussão bastante acesa com Carlos Ramos onde lhe disse que não era batoteira, que era mãe (algo completamente desnecessário) e exigindo ainda um pedido de desculpas, algo que o árbitro português naturalmente não acedeu por ter visto o que todo o mundo viu, menos Serena.

A advertência de Carlos Ramos a Serena fez com que a norte-americana transformasse a “raiva” da admoestação em algo benéfico para si e conseguiu quebrar pela primeira vez no encontro a sua adversária, contudo, foi apenas isso, jogos de raiva porque muito rapidamente Serena foi quebrada e descarregou a fúria na raquete, o que levou o árbitro a repreendê-la e desta vez a puni-la com um ponto, levando a norte-americana a manifestar-se novamente de forma muito ostensiva contra o português, afirmando que não deveria ter sofrido a primeira advertência por “coaching”.

Após este incidente Serena não se recompôs mais e após sofrer uma nova quebra de serviço começou a disparatar novamente contra Carlos Ramos, desta vez colocando em causa todo o profissionalismo do árbitro, chamando-o de “ladrão” e “mentiroso”, levando o árbitro a adverti-la e puni-la novamente, desta vez com a perda de um jogo. Após isto foi o descalabro total, supervisores do WTA em Court, Serena a chorar e o público em alvoroço nas bancadas claramente do lado da norte-americana. Quando o encontro chegou ao fim, a norte-americana recusou-se a cumprimentar o árbitro para delírio do público presente no Artur Ashe Stadium.

O árbitro português saiu de Court escoltado pela segurança, algo poucas vezes visto no mundo do ténis, em que o árbitro após arbitrar a final de um torneio na cerimónia de entrega de prémios recebe sempre uma distinção, mas dado o clima de tensão vivido, Carlos Ramos acabou por não comparecer.

Carlos Ramos é um dos árbitros mais cotados a nível internacional, tendo já arbitrado todas as finais de torneios do Grand Slam, Jogos Olímpicos, Taça Davis e Fed Cup. Se de um lado da rede estava Serena Williams, tal como já referido neste artigo, uma das melhores de sempre, sentado na cadeira ao centro do court estava também um dos melhores árbitros do mundo. Pelo palmarés e por tudo o que tem feito pela modalidade, o árbitro português não merecia ter sido tão maltratado em Nova Iorque, tendo acertado praticamente todas as decisões que tomou ao longo do encontro, fazendo apenas cumprir as regras de jogo.

Relativamente a Serena Williams, não é a primeira vez que demonstra uma grande falta de respeito por árbitros, em 2009, durante as meias-finais do US Open, ameaçou de morte uma juíza de linha após esta assinalar uma falta de pés no seu serviço. A norte-americana a nível tenístico pode ser considerada uma das melhores de sempre, o seu palmarés fala por si, mas falha muito na parte humana e sobretudo no “fair play”, um grande desportista não se vê apenas nas vitórias mas também nas derrotas, e neste último parâmetro, Serena está longe de ser um exemplo.

Naomi Osaka ergue o seu primeiro título do Grand Slam
Fonte: WTA

A final que tinha tudo para ser um grande espetáculo a nível tenístico, acabou por ser um encontro daqueles que vai ficar na memória mas pelas piores razões. Um desporto como o ténis não merecia que uma das maiores embaixadoras da modalidade, Serena Williams, estragasse daquela forma o espetáculo. Uma coisa é certa, se há alguém que vai recordar para sempre pelos melhores motivos a final do US Open 2018, essa pessoa é Naomi Osaka que conquistou o seu primeiro Grand Slam da carreira.

Foto de Capa: WTA

João Pereira Rodrigues
João Pereira Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
Algarvio de gema mas portista de coração, cresceu a ver o FC Porto conquistar tudo, pode-se dizer que teve uma infância feliz. É amante e aficionado do desporto em geral, mas é no futebol, ténis e ciclismo onde mais vibra desde criança.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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