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Ainda na ressaca das emoções dos Jogos Olímpicos de Tóquio, que reduziram ainda mais o período morno entre Wimbledon e o US Open, o último Grand Slam da temporada tenística tem-se revelado um dos melhores e mais entusiasmantes torneios da história recente da modalidade.
Quando se pensava que a ausência dos campeoníssimos Roger Federer, Rafael Nadal, as irmãs Williams e outros nomes fortes do desporto pudessem tirar algum brilho à 141.ª edição do Open dos Estados Unidos, eis que outras histórias apaixonantes surgiram em seu lugar.
Foto de capa: WTA
RECORDES NO SETOR MASCULINO
Com alguns dos nomes dominadores do circuito ATP ausentes da prova por lesão, o equilíbrio tem sido a nota dominante do torneio masculino.
Na verdade, ainda com quartos de final, meias-finais e final por disputar, o US Open de 2021 já igualou inúmeros marcos históricos de relevo. Os sete encontros decididos no tie-break da quinta partida e as dez reviravoltas a partir de dois sets de desvantagem são recordes à espera de serem batidos.
Contudo, porventura o sinal mais evidente dos encontros bem disputados e emocionantes que o torneio tem oferecido é o número de encontros a desembocar numa quinta e decisiva partida. Para já, foram 31 os duelos resolvidos no último set, sendo que o máximo da competição está cifrado nos 34 encontros da edição de 2004.
Nesse capítulo, há que destacar o épico duelo entre Stefanos Tsitsipas e Andy Murray que, para além da polémica que desencadeou, deu o mote para a prova logo ao primeiro dia.
2021 #USOpen Stats with 15 matches remaining
* 7 Fifth-Set Tiebreaks: Tied with 1980 & 1983 for most since tournament began using TBs in 1970
* 10 Comebacks from 2 Sets Down: Tied with 1974 & 2012 for most in tournament history
* 31 Fifth Sets: Most at @USOpen since 34 in 2004
— ATP Media Info (@ATPMediaInfo) September 5, 2021
ILUSTRES DESCONHECIDOS E O ESTRELATO ANUNCIADO DE ALCARAZ
À imagem do que tão frequentemente acontece no lado feminino, o US Open tem sido também pródigo em surpresas, com a queda precoce de vários cabeças de série, e o momento de afirmação para vários tenistas pouco habituados a estas andanças.
Se os principais favoritos se mantiveram imunes a sobressaltos, casos de Novak Djokovic, Alexander Zverev e Daniil Medvedev, os restantes cabeças de série têm caído aos pés de nomes desconhecidos do comum dos adeptos.
Logo na primeira ronda, o americano Maxime Cressy, vindo da qualificação, eliminou Pablo Carreño Busta no tie-break da quinta partida, a que se seguiram muitas outras eliminações inesperadas. Mas mais do que salientar quem perdeu, há que dar o mérito aos que se transcenderam e conseguiram feitos que se julgavam quase impossíveis.
Ainda em prova, temos o qualifier neerlandês Botic van de Zandschulp, que apenas este ano somou a primeira vitória a nível ATP, e que neste torneio foi responsável pela eliminação de Casper Ruud e Diego Schwartzman, bem como Lloyd Harris, sul-africano que vai dando continuidade ao excelente ano que tem tido e que eliminou Karen Kachanov, Denis Shapovalov e Reilly Opelka.
A estes dois junta-se Carlos Alcaraz, o espanhol de 18 anos apontado como o sucessor de Rafael Nadal, que bateu de forma épica, também no tie-break da quinta partida, Tsitsipas.
Pelo caminho ficaram, entretanto, Peter Gojowczyk, mais um qualifier que apenas caiu para Alcaraz na quinta partida dos oitavos de final, já depois de ter afastado Ugo Humbert, Jenson Brooksby, Wild Card, americano de 20 anos que eliminou Taylor Fritz e Aslan Karatsev antes de perder frente a Djokovic, a quem ainda roubou o primeiro set de forma enfática, Oscar Otte, alemão oriundo da qualificação que eliminou Lorenzo Sonego antes de cair, também nos oitavos, para Matteo Berettini.
Mais conhecidos do público, mas ainda assim com performances assinaláveis, o veterano Andreas Seppi chegou à terceira ronda depois de eliminar Marton Fucsovics e Hubert Hurkacz, enquanto Francis Tiafoe caiu nos oitavos de final para Felix Auger-Aliassime, depois de eliminar Andrey Rublev.
Novak Djokovic continua a ser o principal favorito à vitória, mas as exibições autoritárias de Medvedev e Zverev não deixam antever tarefa fácil ao número um mundial.
DOMÍNIO DAS CABEÇAS DE SÉRIE E ENCONTROS DE ALTA QUALIDADE
Se no setor masculino as surpresas foram muitas, o torneio feminino tem sido pautado pelo domínio das tenistas mais credenciadas, algo que poucas vezes acontece. Fruto disso, o US Open de 2021 tem, desde a terceira ronda, proporcionado fascinantes duelos entre as melhores do mundo na atualidade.
Exemplo disso foram as vitórias de Angelique Kerber frente a Sloane Stephens, em três partidas, de Garbine Muguruza diante de Victoria Azarenka, também em três sets, e da regressada Simona Halep no embate com Elena Rybakina, igualmente decidido na terceira partida.
Além disso, houve ainda duelos interessantes entre Maria Sakkari e Petra Kvitova, que sorriu à grega, e Iga Swiatek com Anett Kontaveit, com vitória polaca.
Já nos oitavos, Barbora Krejcikova, campeã de Roland Garros, derrotou, com algum drama à mistura, a espanhola Muguruza; Aryna Sabalenka continuou imperial no torneio não dando hipóteses a Elise Mertens; Elina Svitolina derrotou Halep; Karolina Pliskova afastou Anastasia Pavlyuchenkova, enquanto a campeã olímpica Belinda Bencic e a Sakkari brilharam diante de Swiatek e Bianca Andreescu, respetivamente.
O brilho da juventude e a deceção das favoritas
Apesar de um menor número de derrotas inesperadas do que aquele que se costuma verificar no setor feminino, o Open dos Estados Unidos manteve a tradição recente dos Grand Slams de catapultarem novos nomes do circuito WTA para a ribalta.
Neste caso, foram duas jovens de 18 anos – uma fez ontem 19 -, que roubaram para si todos os holofotes.
No caso da britânica Emma Raducanu, vinda do qualifying, trata-se da confirmação das boas indicações deixadas em Wimbledon, onde desistiu durante o encontro dos oitavos de final devido a um ataque de ansiedade.
A jovem não só tem impressionado pela qualidade do seu jogo e maturidade apresentada, como é a tenista que cedeu menos jogos de serviço no caminho até aos quartos de final.
The fairy tale run continues for @EmmaRaducanu!
The 18-year-old 🇬🇧 is into the #USOpen quarterfinals. pic.twitter.com/VjFJMjVDlt
— US Open Tennis (@usopen) September 6, 2021
Por sua vez, Leylah Fernandez, mais um jovem talento do Canadá, foi a responsável pela eliminação de Naomi Osaka, que continua a batalhar com problemas do foro emocional, e deu seguimento a essa exibição com uma vitória frente da experiente Kerber.
Para além da alegria no court, a canadiana, que celebrou ontem o 19.º aniversário, destaca-se pela enorme variedade que apresenta no seu jogo.
Além de Osaka, também a número um mundial Ashleigh Barty desiludiu ao cair perante Shelby Rogers na terceira ronda, voltando a demonstrar alguma irregularidade em momentos críticos.
Com apenas uma detentora de Grand Slams ainda em prova – Krejcikova -, a porta está escancarada para que venhamos a ter mais uma nova campeã de Majors no US Open.
Artigo revisto por Joana Mendes











