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WTA 1000 Miami | Dois anos depois, Ash Barty sagra-se bicampeã

Pedro Marques dos Santos · 6 min

WTA 1000 Miami | Dois anos depois, Ash Barty sagra-se bicampeã
Foto: WTA

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Se a competição masculina ficou marcada pela ausência de vários nomes de peso que optaram por não fazer a viagem até aos Estados Unidos antes do início da temporada europeia de terra batida, o torneio feminino de Miami contou no seu elenco com as principais tenistas do circuito, à exceção de Serena Williams, e as poucas surpresas nas rondas iniciais proporcionaram inúmeros encontros de alto nível entre as cabeças de série nas fases mais adiantes do Miami Open.

DUAS SURPRESAS ENTRE A SUPREMACIA DAS FAVORITAS

Ao contrário daquilo que tantas vezes se verifica no circuito WTA, a edição de 2021 do torneio de Miami pautou-se pelo domínio das tenistas mais credenciadas nas rondas iniciais. As cabeças de série venceram, na sua vasta maioria, os encontros de estreia na competição, mesmo que algumas tenham suado para o conseguir.

Apenas seis das 32 mais bem classificadas na hierarquia mundial à partida para o torneio caíram logo à primeira no torneio. Cori Gauff, a jovem de 17 anos e atual número 36 do mundo, foi um desses casos, embora a derrota perante a talentosa Anastasija Sevastova (57.ª do ranking WTA) não seja um resultado surpreendente. Mais desapontantes foram as prestações de Kiki Bertens (11.ª), Yulia Putintseva (28.ª) e Petra Martic (21.ª), que também saíram cedo de cena.

A número um do mundo, Ashleigh Barty, a disputar pela primeira vez um torneio fora da Austrália desde o regresso das competições após a pausa provocada pela pandemia de COVID-19, tremeu na estreia, mas acabou por conseguir salvar match points frente a Kristina Kucova (149.ª). O mesmo fez Aryna Sabalenka (8.ª) frente à veterana Tsvetana Pironkova, vinda do qualifying.

Ainda assim, a supremacia geral das jogadoras com melhor ranking não impediu o aparecimento de alguns nomes inesperados em fases adiantadas do torneio. Uma delas foi Ana Konjuh, atualmente fora do Top 300 e que beneficiou de um convite da organização para jogar a prova. A croata começou por bater Madison Keys (19.ª), a que se seguiu outra vitória inesperada perante Iga Swiatek (16.ª), atual campeã de Roland Garros. Acabaria derrotada nos oitavos de final por Sevastova, que na ronda anterior tinha aproveitado a desistência da lesionada Simona Halep (3.ª).

Por sua vez, a espanhola Sara Sorribes Tormo (58.ª), que venceu o seu primeiro título WTA há uma semanas, em Guadalajara, confirmou o estatuto de maratonista ao somar consecutivas vitórias em três partidas. Primeiro foi Jennifer Brady (14.ª), finalista do Open da Austrália, depois Elena Rybakina (23.ª), Ons Jabeur (30.ª), a tunisina que tinha eliminado Sofia Kenin (4.ª), norte-americana que continua a desapontar neste início de temporada. A espanhola apenas sucumbiu nos quartos de final perante Bianca Andreescu (9.ª), encontro que também precisou de três sets para ficar resolvido.

CONFRONTOS DE ALTO NÍVEL, O REGRESSO EM PLENO DE ANDREESCU E O FIM DA INVENCIBILIDADE DE OSAKA

Como já foi referido, o WTA 1000 de Miami foi rico em confrontos entre os principais nomes do circuito feminino e eles começaram logo na terceira ronda. Marketa Vondrousova (20.ª) superou Belinda Bencic (12.ª) numa batalha de três partidas, enquanto Petra Kvitova (10.ª) bateu, sem qualquer dificuldade, a britânica Johanna Konta (18.ª), por 6-1 e 6-2.

Ainda assim, o encontro de maior cartaz foi o embate entre Victoria Azarenka (15.ª) e Angelique Kerber (26.ª), duas antigas número um e campeãs de Grand Slams. A bielorrussa levou a melhor em dois sets, com os parciais de 7-5 e 6-2, mas a primeira partida atingiu níveis estratosféricos e foi do melhor que se viu ao longo do torneio. Apesar do seu bom nível, acabou derrotada nos oitavos de final por Barty, num set decisivo em que voltou a acusar os problemas físicos que a têm apoquentado nas últimas semanas.

Esta fase do torneio seria também o primeiro sinal de que Andreescu, a jovem canadiana que esteve mais de um ano sem competir depois de vencer o US Open, em 2019, estava a chegar à boa forma que apresentava antes da lesão, ao bater Amanda Anisimova (32.ª) em três sets. No dia seguinte, nova vitória em três partidas, desta vez frente a Garbine Muguruza (13.ª), uma das melhores jogadoras neste início de época. Sempre obrigada a jogar um terceiro set, bateria ainda Sara Sorribes Tormo e Maria Sakkari (25.ª) no caminho até à final.

Outra jogadora que se apresentou a grande nível neste Miami Open foi Elina Svitolina (5.ª), responsável pela eliminação de Petra Kvitova e Sevastova. A ucraniana só caiu aos pés da número um na meia-final. Depois de salvar match points na sua estreia no torneio, a campeã em título do Miami Open bateu Azarenka, Sabalenka e Svitolina no percurso até ao encontro decisivo.

Pelo caminho ficou Naomi Osaka (2.ª), a japonesa que viu a sua sequência de 23 vitórias consecutivas, iniciada no torneio de Cincinatti, em 2020, terminar de forma inesperada frente a Sakkari, com os parciais expressivos de 6-0 e 6-4.

ASHLEIGH BARTY VS. BIANCA ANDREESCU: LESÃO DA CANADIADA DÁ VITÓRIA AGRIDOCE À CAMPEÃ EM TÍTULO

Previa-se um bom encontro naquele que foi o primeiro confronto entre as duas tenistas do Top 10. A número um mundial, vencedora do torneio em 2019 – em 2020, a competição foi cancelada devido à pandemia -, procurava fazer aquilo que nunca tinha feito na carreira, ou seja, defender um título, enquanto Andreescu disputava a sua primeira final desde o regresso à competição no Open da Austrália, em fevereiro, depois de mais de um ano sem competir devido a lesão.

Com duas jogadoras com um ténis muito completo e uma enorme diversidade de soluções técnico-táticas, foi Barty que entrou melhor na primeira partida, ao tirar melhor proveito das condições ventosas que se verificavam em Miami. A jogar a favor do vento, a australiana entrou de forma demolidora, a empurrar a canadiana para longe da linha de fundo, e chegou aos 3-0 com apenas sete minutos decorridos.

Com a mudança de lado, foi a número um mundial que começou a sentir dificuldades em lidar com o vento, o que permitiu a Andreescu recuperar a break sofrido e somar dois jogos consecutivos. Mantendo a tendência, a mudança de lado seguinte trouxe mais dois jogos de serviço seguidos para a jogadora apoiada pelo vento, desta vez para Barty, que elevou o parcial para 5-2.

A servir pelo set contra o vento, a australiana voltou a sentir dificuldades, mas conseguiu selar a vitória na primeira partida por 6-3, num set em que se revelou quase sempre a tenista mais forte e com maior capacidade para lidar com as condições atmosféricas.

A segunda partida começou de forma semelhante à primeira, com duas duplas faltas da canadiana a ajudarem Barty a conseguir a quebra o serviço logo de entrada. O 2-0 chegou de forma rápida e quando a número nove mundial servia para evitar o duplo break para a australiana, sofreu uma queda que a obrigou a pedir assistência médica, já depois de estar confirmado o 3-0.

Ashleigh Barty ainda fez o 4-0, mas Bianca Andreescu acabaria por desistir e confirmar a revalidação do título para a número um mundial, depois de ter salvo match points na segunda ronda. Com esta vitória, a australiana solidificou a sua posição no topo do ranking e chega aos dez títulos na carreira, enquanto Andreescu vai subir ao sexto lugar da hierarquia, restando saber qual é a gravidade da sua lesão.

Foto de Capa: WTA

Pedro Marques dos Santos

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