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Top 10: Atletas do desporto (amador) português

João Amaral Santos · 7 min

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1. Rosa Mota

rosa mota

De figura frágil, estatura pequena e corpo franzino, muitos duvidariam da sua capacidade para alcançar as marcas que viria a atingir ao longo da sua carreira. Figura incontornável da cidade do Porto – representou FC Foz (1974-1977), FC Porto (1978-1980) e Clube de Atletismo do Porto (1981-1991) – espantou o Mundo dominando, durante uma década, os mais de 40 quilómetros da maratona. Campeã mundial (Roma, 1987) e Europeia (Atenas, 1982; Estugarda, 1986; Split, 1990) da especialidade, atingiu o auge conquistando bronze (Los Angeles, 1984) e ouro (Seul, 1988) nos Jogos Olímpicos. Neste período, venceu as maratonas de Roterdão (1983), Chicago (1983 e 1984), Tóquio (1986), Boston (1987, 1988 e 1990), Osaca, (1990) e Londres (1991) e é a recordista, com seis triunfos consecutivos (entre 1981 e 1986), da conceituada S. Silvestre de S. Paulo, no Brasil, tornando-se assim uma lenda do desporto português e mundial.

2. António Livramento

António Livramento
Fonte: Página de Facebook: António Parreira Livramento

Considerado o melhor jogador do Mundo de hóquei em patins de todos os tempos. Apaixonado por desporto, experimentou a modalidade onde se fez lenda já na adolescência. Assinou pelo Benfica com 16 anos, clube que representou durante 11 épocas conquistando sete campeonatos nacionais e uma Taça de Portugal. Experimentou a Liga de Itália (Monza e Amatori Lodi), regressando ao seu país para vestir as camisolas do Banco Pinto & Sottomayor e do Sporting. De verde e branco, conquistou a Taça dos Campeões Europeus (em 1977). Ao serviço da selecção nacional venceu três campeonatos do Mundo e sete da Europa. Alcançou a glória também como treinador, vencendo vários troféus nacionais e internacionais no Sporting e no FC Porto. Como seleccionador nacional conquistou dois campeonatos do Mundo e três da Europa.

3. Carlos Lopes

Carlos Lopes
Fonte: Sporting-heroes.net

Foi servente de pedreiro, empregado de mercearia, relojoeiro e contínuo. E sonhava jogar futebol no “seu” Lusitano de Vildemoinhos. Com um grupo de amigos, criou no clube um núcleo de atletismo. O seu talento foi notado por Moniz Pereira, que o recrutou e o trouxe para o Sporting. Em 1976, ganharia pela primeira vez o Campeonato do Mundo de Corta-Mato (feito que repetiria em 1984 e 1985). Carlos Lopes era já a grande esperança da comitiva portuguesa presente nos Jogos Olímpicos de Montreal (1976) e não defraudou as expectativas, conquistando a medalha de prata na prova dos 10 mil metros, naquela que seria a primeira medalha olímpica do atletismo português. Nas olimpíadas de Los Angeles (1984), teria a sua grande oportunidade, não sem antes vivenciar um episódio que lhe poderia ter alterado tragicamente o destino: 16 dias antes da maratona olímpica, foi atropelado quando treinava na 2.ª Circular, em Lisboa. Carlos Lopes venceria a prova de Los Angeles, tornando-se o primeiro português medalhado com o ouro olímpico.

4. Joaquim Agostinho

Fonte: jeandegribaldy.com
Fonte: jeandegribaldy.com

Joaquim Agostinho não era um atleta, mas uma força da natureza. O melhor ciclista português de todos os tempos aprendeu a andar de bicicleta aos 23 anos e começou a praticar a modalidade aos 25, indo ainda a tempo, todavia, de construir uma carreira recheada de vitórias. Destacou-se ao serviço do Sporting, onde venceu várias Voltas a Portugal. Brilhou na Volta a França, Volta a Espanha e nos Campeonatos do Mundo de Estrada. Os seus pontos altos foram um 2.º lugar na Vuelta e dois 3.º lugares no Tour – onde também venceu a mítica etapa do Alpe d’Huez. Em 1984, já com 41 anos, sofreu uma queda na Volta ao Algarve, provocada por um cão que se atravessou no seu caminho. Para manter a camisola amarela, Agostinho montou a bicicleta e, com a ajuda de dois colegas, ainda cortou a meta – a queda, no entanto, provocara-lhe uma fractura craniana e, rapidamente, o seu estado agravou-se fatalmente. Faleceria 10 dias depois, no Hospital da CUF, em Lisboa.

5. Fernanda Ribeiro

Fonte: Biblioteca da FADEUP
Fonte: Biblioteca da FADEUP

Fernanda Ribeiro especializou-se no meio fundo e fundo tornando-se uma das principais referências da história do atletismo português: nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, alcançou o ponto alto da sua brilhante carreira conquistando a medalha de ouro na prova dos 10 mil metros (batendo o recorde olímpico da especialidade). A carreira de Fernanda Ribeira foi, de resto, marcada pelo sucesso: campeã mundial (Gotemburgo, 1995) e europeia (Helsínquia, 1994) dos 10 mil metros; somou ainda ao currículo o título de bi-campeã europeia (Paris, 1994; Estocolmo, 1996) dos três mil metros em pista coberta. Fernanda Ribeiro marcou presença nos Jogos Olímpicos de Sidney, em 2000, onde defendeu o título olímpico conquistado quatro anos antes – dessa vez, não conseguiu terminar no 1.º lugar; no entanto, teve forças suficientes para trazer para Portugal a medalha de bronze.

6. Nelson Évora

Fonte: Facebook Oficial de Nelson Évora
Fonte: Facebook Oficial de Nelson Évora

Desde cedo se auguravam grandes feitos para Nelson Évora, especialista no salto em comprimento e no triplo salto. Nascido na Costa do Marfim, de nacionalidade cabo-verdiana, foi por Cabo Verde que começou a dar nas vistas, alcançando marcas impressionantes para a idade. Já naturalizado português, Nelson Évora conquistou o europeu de juniores do salto em comprimento e do triplo-salto (Tampere, 2003), naquilo que seria a antevisão para mais altos voos. Dedicado ao triplo-salto, foi gradualmente melhorando as suas marcas, sagrando-se campeão do mundo (Osaka, 2007) e chegando aos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, como um dos principais favoritos à vitória final no triplo-salto. O atleta português não defraudou as expectativas, tornando-se o quarto atleta português – depois de Carlos Lopes, Rosa Mota e Fernanda Ribeiro – a conquistar o ouro olímpico. Em 2012 e 2014, Nelson Évora lesionou-se com gravidade e, neste momento, luta para regressar ao topo do desporto mundial.

7. Francis Obikwelu

Fonte: Facebook de Athletesmondiaux
Fonte: Facebook de Athletesmondiaux

O promissor júnior nigeriano veio disputar o Mundial de Atletismo de 1994 da categoria, realizado em Lisboa, e, nesse momento, tomou a decisão de abandonar o seu país em busca de um futuro melhor. A história de Obikwelu não poderia ser mais actual. No entanto, nem tudo foi fácil: rejeitado por Benfica e Sporting, Francis foi trabalhar para a construção civil no Algarve. O Belenenses proporcionou-lhe condições para recomeçar a correr – mais tarde, assinaria pelo Sporting. Tornou-se cidadão português em 2001 e, de imediato, decidiu representar o país que o acolheu. Retribuiu de forma avassaladora dominando o panorama velocista nacional e europeu. É o actual recordista nacional e europeu dos 100 metros e nacional dos 200. Sagrou-se campeão europeu dos 100 (Munique, 2002; Gotemburgo, 2006) e dos 200 metros (Gotemburgo, 2006). Nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, arrecadou a medalha de prata.

8. Carlos Lisboa

Fonte: SL Benfica
Fonte: SL Benfica

“Cheira bem, cheira a Lisboa”. A canção popular entoa nos pavilhões de Norte a Sul do país há mais de 40 anos, desde que Carlos Lisboa, o melhor basquetebolista português de todos os tempos, alterou por completo o panorama nacional da modalidade. Como jogador, e para além de outros troféus, venceu o campeonato por 14 vezes: três pelo Sporting, um pelo Queluz e 10 pelo Benfica, confirmando o impacto do seu talento no colectivo. Na Luz, tornou-se ídolo, sinónimo de mística glória, comandando uma equipa que dominou a modalidade durante mais de uma década e que brilhou na Europa – um base/extremo que se destacava, sobretudo, pela capacidade de lançamento exterior. Terminada a carreira, tornou-se dirigente e treinador, chegando, com naturalidade, ao “seu” Benfica, onde promete repetir as façanhas alcançadas como jogador: no “banco” já venceu quatro campeonatos, três taças de Portugal e quatro supertaças.

9. Jesus Correia

Fonte: Sporting CP
Fonte: Sporting CP

A lista diz respeito a modalidades (ditas) amadoras; no entanto, Jesus Correia – um dos “Cinco Violinos” do Sporting – passou pelo futebol, entre 1943 e 1953, onde somou sete títulos de campeão nacional e três taças de Portugal de leão ao peito. A questão, no seu caso, é que, em simultâneo, Jesus Correia era jogador de hóquei em patins do Paço de Arcos, clube da sua terra e pelo qual venceu oito campeonatos nacionais. Em 1952, o Sporting tentou garanti-lo em exclusividade; porém, Jesus Correia, pressionado entre as duas modalidades, optaria por aquele que sempre foi o seu grande amor (para espanto geral): o hóquei em patins – com apenas 28 anos, abandonaria a prática do futebol. Representou a selecção nacional de futebol (13 jogos e três golos) e a de hóquei em patins pela qual conquistou, de forma notável, cinco campeonatos do Mundo.

10. Ricardinho

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

O nome Ricardo Braga, assim, de repente, não lhe dirá nada. Porém, se falarmos de Ricardinho, o mágico do futsal, a conversa já é outra. Deu nas vistas no Miramar, de Vila Nova de Gaia, e, com a compra dos direitos desportivos do Miramar pelo Benfica muda-se para Lisboa. Em oito épocas na Luz, venceu cinco campeonatos, quatro taças de Portugal e três supertaças. No entanto, a sua grande vitória pelo clube aconteceu na época 2009/2010, quando, menos de 10 anos após a criação da secção, o Benfica se sagrou campeão europeu da modalidade. Eleito por duas ocasiões como Melhor Jogador de Futsal do Mundo (2010 e 2014), já espalhou a sua magia nos japoneses do Nagoya Oceans (campeão nipónico em 2010/2011 e 2012/2013) e joga, actualmente, nos espanhóis do Inter Movistar, já tendo conquistado por duas vezes aquele que é considerado o melhor campeonato do mundo (em 2013/2014 e 2014/2015).

Foto de Capa: Comité Olímpico Português

João Amaral Santos

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