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A data 13 de Maio de 2017 ficou marcada na memória de muitos benfiquistas como o dia em que o seu clube conseguiu o histórico Tetra-Campeonato ao vencer no Estádio da Luz o Vitória de Guimarães por uns expressivos 5-0. Algumas horas antes, a poucos metros dali, no Pavilhão da Luz, a equipa de voleibol do Benfica vencia o Sporting de Espinho por 3-0, sagrando-se também assim campeã nacional.
Este era o terceiro título de campeão nacional conquistado pelo Benfica nas últimas quatro épocas, vencendo ainda duas Taças de Portugal nesse período. A esta data o Benfica vinha ainda numa sequência de cinco Supertaças de Portugal conquistadas de forma consecutiva.
Para que se entenda a supremacia da equipa encarnada no panorama nacional, na última edição do Campeonato Nacional (2016/2017) o Benfica venceu a fase regular com 22 vitórias em 22 jogos, cedendo apenas 5 set’s em toda esta fase.
Foi neste contexto que, a 5 de Junho de 2017, o Sporting CP anunciava em comunicado oficial o regresso de uma equipa senior ao Voleibol, 22 anos depois da extinção da modalidade no clube.

Fonte: Sporting CP
O clube de Alvalade tentou passar uma mensagem de calma e ponderação, não querendo assumir desde logo uma posição de candidatura ao título, tendo inclusivamente o treinador Hugo Silva dito após a vitória frente ao Benfica na primeira jornado do campeonato que “Quem diz que o Sporting é candidato não percebe nada disto”.
Percebe-se a mensagem que o clube tentou passar, sabendo-se que poderiam surgir dificuldades normais na criação de uma equipa de raiz, sem rotinas de jogo. No entanto, parecia óbvio que o regresso do Sporting CP à modalidade iria aumentar a qualidade do campeonato e transformar o mesmo numa competição mais equilibrada.
Quando um dos chamados “clubes grandes” aposta numa modalidade, tipicamente consegue resultados de uma forma rápida. São inumeros os casos de sucesso em situações deste género.
O Benfica criou a sua equipa de futsal em 2001/2002, adquirindo os direitos do GD Olímpico (11º classificado em 2000/2001), apostando em vários jogadores dessa equipa e noutros de equipas como o Atlético, o Correio da Manhã e até o Sporting, clubes fortes daquela época, sendo muitos destes jogadores internacionais. Logo na época de estreia o Benfica conseguiu ficar em segundo lugar, sendo campeão na época seguinte. Desde então, em conjunto com o Sporting, os rivais lisboetas têm dominado a modalidade, não tendo existido outro campeão nacional.
O Sporting tinha extinto o Hóquei em Patins, tendo voltado à modalidade na época de 2010/2011. Ao contrário do que aconteceu no Voleibol, o Sporting teve de recomeçar na 3ª Divisão Nacional. No entanto, no espaço de 6 épocas, o clube chegou à 1ª Divisão, já se afirma como um sério candidato ao título e já conquistou inclusivamente uma Taça CERS.
Também o FC Porto tem um histórico de sucesso nestes regressos a modalidades extintas. No final da época 2011/2012, após ver o Benfica ser campeão nacional em sua casa, de forma algo inesperada, o FC Porto anunciou que iria deixar de ter uma equipa senior de Basquetebol no principal escalão. Depois de um ano sem actividade e de dois anos a jogar em divisões inferiores, o FC Porto voltou ao campeonato nacional em 2015/2016 e venceu logo a competição no ano do seu regresso.
Dado o seu poderio financeiro face à concorrência e até o seu estatuto, com alguma facilidade, estas equipas conseguem “roubar” jogadores à concorrência e formar um plantel suficientemente forte para ser campeão num curto/médio prazo.
Foi precisamente essa a receita utilizada pelo Sporting neste regresso ao voleibol. Os leões apostaram num treinador cotado, que já foi seleccionador nacional (Hugo Silva) e conseguiram constituir um plantel formado por vários jogadores com provas dadas no voleibol nacional, contratando jogadores a equipas como Fonte do Bastardo, Castêlo da Maia e Sporting de Espinho. Só a esta última equipa, foram contratados quatro jogadores, entre eles o experiente Miguel Maia, um histórico do voleibol português, que fazia inclusivamente parte do plantel do Sporting no último campeonato dos leões.
De forma complementar, o Sporting ainda conseguiu adicionar a esta base alguns jogadores de qualidade inegável, provenientes de outros mercados, como são os casos de Robinho, Ivan Márquez, Ángel Dennis e Valdir Sequeira. A estratégia dos leões parece ser para manter, visto que para o mercado de inverno já foram assegurados mais dois reforços: o colombiando Liberman Agámez e o norte-americano Garret Muagututia.

Fonte: Sporting CP
Será arriscado dizer que o Sporting será o principal favorito a vencer o título, mas a realidade é que os leões fecham o ano 2017 na liderança do campeonato com mais um ponto que o Benfica, somando 13 vitórias em 14 jogos e, nesta fase, já ninguém deverá ser acusado de “não perceber nada disto” se apontar o Sporting como candidato ao título.
Se em relação às contas do título, as mesmas ainda estão longe de estar fechadas e ainda ser cedo para balanços, uma coisa é certa: É inegável que o regresso do Sporting à modalidade aumentou o nível da mesma, tanto pelo voleibol praticado pelos leões, como pelo impacto que este regresso tem nos rivais, que terão de se superar para fazer frente ao Sporting.
É portanto de louvar esta aposta do Sporting e, se não for pedir muito, desejar que o mesmo aconteça noutras modalidades, como poderão ser exemplos a entrada do FC Porto no futsal ou a entrada do Sporting no basquetebol.
Foto de Capa: Sporting CP













