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Uma das coisas mais misteriosas e fascinantes que o futebol nos dá é a “mentira” que o resultado pode transmitir em relação àquilo que se está a passar num determinando momento de um encontro. Isso aconteceu em Coimbra, à passagem do minuto 26 da primeira parte do Académica Estoril da 28.ª jornada da Liga NOS, com o golo de Gerso, que ditava o 0-2 mas que não espelhava aquilo que se ia passando em campo.

De facto, a Académica “caiu” em cima do Estoril desde o apito inicial e encostou os canarinhos ao seu meio-campo com a vontade e determinação necessárias a quem quer fugir de uma situação precária. Os estudantes puseram as mãos à obra e quase que obtinham a devida recompensa, mas Rui Pedro não teve a arte nem o engenho para responder, de cabeça, na pequena área, a um cruzamento bem medido por Aderlan, saindo a bola ao lado da baliza defendida por Kieskzek.

A pressão da Briosa manteve-se, com boas iniciativas vindas de ambos os flancos, embora sem correspondência em situações de perigo reais, porém, o domínio era evidente… até que surgiu um relâmpago (surgiu mesmo, instantes antes do primeiro golo do Estoril) que parece ter fundido a “luz”, o esclarecimento dos jogadores da Académica, nomeadamente de Rafa Soares, que deixou uma avenida aberta e que quer Anderson Luis quer Leo Bonatini, nas suas derivações para o flanco direito, souberam aproveitar e servir, respectivamente, Matheus e Gerso para os dois golos de rajada da formação canarinha.

Este rombo não abalou, em definitivo, as ambições da Académica, que continuou a pressionar o meio-campo contrário, em busca do golo, mas a organização defensiva do Estoril ia ganhando um duelo renhido com o ataque conimbricense.

No final do jogo, Filipe Gouveia era um homem incoformado com o resultado
No final do jogo, Filipe Gouveia era um homem incoformado com o resultado

No segundo tempo, Filipe Gouveia decidiu arriscar e tirou o desinspirado Rafa Soares para colocar em jogo Gonçalo Paciência, encarregando Nii Plange do flanco esquerdo. A pressão da Académica não acalmou, manteve-se o pendor ofensivo, mas não foi suficiente para inverter o resultado a seu favor e, na sequência de um lance polémico em que Leandro Silva e Fernando Alexandre parecem sofrer falta, o Estoril, em contra-ataque, marca o terceiro, outra vez com Léo Bonatini e Matheus na jogada, com o primeiro a derivar para a direita e a assistir o segundo, sem marcação (Fernando Alexandre estava no chão, magoado, nesta altura), para o golo que sentenciaria o encontro.

A Académica passou a acreditar naquilo que o resultado ia dizendo, mesmo que este fosse mentiroso, e desmotivou-se. Deixou-se desorganizar ofensivamente, atacando de forma muito desapoiada contra uma defesa bem junta e coesa, não conseguindo assustar sequer o seu adversário a partir daqui. Rendeu-se e não soube aproveitar a sorte que a audácia anterior lhe proporcionou – Marinho, Rafael Lopes e Rabiola tiveram a bola ao seu dispor em zona prometedora mas atrapalharam-se.

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