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O Belenenses deu, esta quinta feira, um passo importante rumo ao playoff de acesso à fase de grupos da Liga Europa depois da vitória por 2-1, no Estádio do Restelo, frente ao Gotemburgo. Eram duas equipas com rotação diferente as que entravam no relvado do Restelo: do lado do Belenenses, este era apenas o primeiro jogo oficial da temporada; na equipa sueca, o duelo frente aos lisboetas era “apenas” mais um numa época que já contempla dezassete jogos disputados no campeonato do seu país. A liderança após 17 jornadas disputadas fazia deste Gotemburgo o claro favorito frente a um Belenenses que desde 2007 que não anda nas lides europeias. A última vez da equipa do Restelo na Liga Europa havia sido há oito épocas, com Jorge Jesus no comando técnico, numa eliminatória frente ao Bayern vencida pelos alemães.

No jogo desta noite, Ricardo Sá Pinto – técnico que já havia disputado a competição como treinador no Sporting – surpreendeu no onze inicial. Apesar de ter lançado o 4x4x2 expectável em termos táticos, o ex-jogador surpreendeu ao colocar o reforço André Sousa – proveniente do Académico de Viseu – junto ao outro reforço Rúben Pinto – emprestado pelo Benfica – no duplo pivot da equipa do Restelo. À frente destes dois médios, Sá Pinto colocou o tridente que já vinha da época passada, com Sturgeon, Miguel Rosa e Carlos Martins no apoio ao ponta de lança Abel Camará. De destacar que neste onze, o Belenenses tinha apenas quatro repetentes em relação ao último jogo oficial da época passada: Ventura, Gonçalo Brandão, Carlos Martins e Fábio Sturgeon. Do lado sueco, o 4x4x2 foi também o esquema tático utilizado, com o treinador Jorgen Lennartsson a optar preencher o meio campo com Svensson, Eriksson, Dalence e Rieks. Na frente do ataque, os suecos contavam com  Engvall e Bovan para explorarem a falta de velocidade dos centrais do Belém.

Ainda assim, é caso para dizer que a primeira parte do Belenenses foi de luxo. A jogar com grande inteligência tática – sobretudo pela organização defensiva demonstrada – a equipa de Sá Pinto mostrou uma qualidade invulgar para uma fase tão embrionária da temporada. Para que isso tivesse acontecido, em muito contribuiu a maturidade que a equipa demonstrou. Sabendo da maior rotação competitiva do adversário, os lisboetas optaram por dar o controlo da bola ao Gotemburgo no primeiro tempo, procurando depois explorar o espaço entre linhas na defensiva contrária, com a ajuda do tridente Sturgeon, Rosa e Carlos Martins. Foi aliás do experiente médio que surgiram os dois (grandes) golos da equipa do Restelo. O internacional português de 33 anos, muito experimentado nas andanças europeias, foi o destaque da equipa do Belenenses, utilizando a sua experiência em prol do equilíbrio da equipa.

Apoiados por um estádio do Restelo com uma casa digna de registo, os jogadores de Sá Pinto foram mostrando excelentes pormenores na primeira parte. Aos 7 minutos, Miguel Rosa foi o primeiro a mostrar as intenções do Belenenses, com um forte remate que passou por cima da baliza de Alvbage. A equipa do Gotemburgo entrou assertiva no jogo, jogando com um bloco médio alto a procurar tirar partido da maior intensidade que parecia demonstrar. O problema surgiu na verdadeira barreira que encontrou no último terço do terreno, onde a coesão defensiva do Belenenses foi sempre uma constante. Recuperando constantemente bolas, a equipa de Sá Pinto foi saindo com grande facilidade para as transições, com Carlos Martins a funcionar como um verdadeiro playmaker. Ora jogando no meio ora descaindo para as faixas, o médio foi o grande responsável pela superioridade azul durante a primeira parte. Por isso, não foi de estranhar que tenha saído do seu pé direito os dois golos da vitória da equipa do Restelo. O primeiro surgiu aos 22 minutos, após uma bela assistência de Sturgeon que acabou por resultar numa verdadeira bomba de Martins à baliza sueca. O Belenenses estava bem na partida e a vantagem era consequência natural de uma exibição agradável da equipa da casa. A velocidade imprimida pelos flancos era evidente e as dificuldades da equipa sueca em controlar a maior intensidade em zonas de pressão do Belenenses foi uma constante. Depois do remate ao poste num livre superiormente batido por André Sousa, aos 40 minutos Carlos Martins bisou na partida, após mais uma assistência de Sturgeon e mais um belo remate de pé esquerdo à baliza do Gotemburgo.

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Carlos Martins foi a figura da partida
Fonte: desporto.sapo.pt

À saída para os balneários, a ovação que os milhares de adeptos do Belenenses deram à sua equipa era totalmente justa. Apesar do favoritismo adversário, a equipa portuguesa havia feito quarenta e cinco minutos de grande qualidade perante o líder do campeonato sueco. Ainda assim, e como seria de prever, a toada da segunda parte foi ligeiramente diferente. E diferente não tanto na forma mas mais no conteúdo. Apesar do Belenenses continuar a dominar o jogo e a estar sempre mais perto da baliza contrária, a verdade é que o intervalo trouxe um Gotemburgo mais inteligente no relvado do Estádio do Restelo. Ao contrário do que havia surgido no primeiro tempo, em que os suecos tinham entrado mandões no encontro, a segunda parte trouxe uma equipa mais lançada para aproveitar as transições. Por isso, a equipa de Lennartsson acabou por entregar o controlo da partida ao Belenenses, o que acabou por não deixar totalmente confortável a equipa de Sá Pinto. Tal como havia surgido em diversos jogos na última época, as caraterísticas dos jogadores do Belém fazem desta uma equipa nitidamente talhada para jogar em transições. Essa tinha sido a receita que tão bons resultados havia dado no primeiro tempo e que agora, por fruto da estratégia contrária, já não era mais uma realidade. Os suecos souberam corrigir os desequilíbrios nas laterais e o Belenenses acabou por nunca mais causar grande perigo na defensiva contrária.

À medida que os minutos iam passando, percebia-se que o Gotemburgo, ao ter procurado diminuir o ritmo de jogo, estava claramente à procura de uma transição ou uma bola parada para chegar a um golo que poderia ser decisivo no rumo da eliminatória. O golo acabou mesmo por acontecer para o Gotemburgo aos 58′, num remate de Aleesami fruto de um contra ataque mortífero onde a defensiva belenense ficou mal na fotografia. Até ao final do encontro, a toada não mudou: as substituições não trouxeram grande novidade e apesar do Belenenses ter tido mais um ou outro lance de perigo, a verdade é que o guarda redes sueco nunca mais teve grandes problemas na sua baliza. O Gotemburgo foi mais pragmático e apesar de nem sequer ter ido à procura do empate, a verdade é que sai do Estádio do Restelo com a eliminatória totalmente em aberto para o jogo da segunda mão. Ainda assim, e apesar do 1×0 ser suficiente para o Gotemburgo, ficaram excelentes indicações de uma equipa do Belenenses que mostrou atributos capazes de levar a equipa ao playoff da Liga Europa. Para isso, será preciso repetir a exibição da primeira parte e fazer da inteligência tática a principal arma na Suécia. E claro, mais uma ou outra bomba de Carlos Martins também dariam jeito.

 

Figura do Jogo: Primeira parte Belenenses – Os primeiros quarenta e cinco minutos da equipa de Sá Pinto roçaram a perfeição. A estratégia era clara e o aproveitamento dos espaços entre a defesa e o meio campo do Gotemburgo foram o principal alvo de Sturgeon, Carlos Martins e companhia durante a primeira parte. A vantagem de dois golos ao intervalo era elucidativa da exibição de qualidade feita pelo Belenenses.

Fora de Jogo: Golo do Gotemburgo – A coesão defensiva da equipa do Restelo havia sido uma constante durante a primeira parte. A equipa do Gotemburgo, apesar do maior ritmo trazido nos seus jogadores, não havia criado perigo junto da baliza de Ventura. Tudo isso mudou aos 58 minutos, quando Aleesami, numa recarga a um remate igualmente seu, reduziu para a equipa sueca e deu uma esperança renovada para a equipa do Gotemburgo. Depois da exibição desta noite, o Belenenses não merecia um golpe tão duro como o feito por Aleesami.

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