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1994, ano da fundação

André Eusébio · 2 min

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1904/Ano da fundação/Nasceu o clube do meu coraç… Então, No Name? Essa matemática está a atraiçoar-vos. Confundiram o 9 com o 0, não foi? O Benfica foi fundado em 1994, pela mão do malandro do Manuel Damásio. No auge da corrupção e obscuridade do futebol português, este Presidente conseguiu um campeonato nacional logo no ano de estreia do clube e uma Taça de Portugal no ano seguinte. Nada mau para um clube recém-criado, que veio substituir o saudoso Sport Lisboa e Benfica e parece até assemelhar-se a uma espécie de mito urbano. Ficou enterrado há dezanove anos e deixou as suas memórias, glórias e golos apenas e só para quem o viu e sentiu no sangue e na pele. Hoje apenas podemos admirar e imaginar como era esse clube por VHS. Desde então, no Benfica, não mais se viu jogadores portugueses aos molhos, pilares de estádios a tremer ou assembleias-gerais a terminar à pancada pela única causa que unia aquelas gentes: o Sport Lisboa e Benfica.

Voltemos, pois, ao Benfica. Manuel Damásio despediu Toni (primeiro treinador campeão pelo Benfica), foi buscar Artur Jorge e uns sujeitos que se dizia serem jogadores de futebol e começou aí a enterrar o Benfica. Acabou também com as redes que separavam as bancadas do relvado na antiga Luz e mandou construir um fosso. Mas o principal fosso que criou foi entre o Benfica e os adeptos do Sport Lisboa e Benfica. 1997 foi o ano de entrada do pior Presidente da história do Benfica, João Vale e Azevedo. Foi o primeiro vendedor de sonhos demagogos num Benfica podre. Burlão por natureza (Jonathan Vale e Azevedo nas burlas para inglês ver), esgotou as finanças do Benfica até ao mais ínfimo cêntimo entre negócios ruinosos, pedidos de esmola na televisão e Rojas e Bossios no relvado.

2003 (apago Manuel Vilarinho como fez o salvador Vieira) chega e aparece o herói Luís Filipe Vieira. Quando chegou, só havia as pedras da calçada e diz-se que o novo Estádio da Luz é sua obra. O despedimento de Fernando Santos foi apenas uma pedra no caminho que Vieira chutou para fora à primeira jornada. Dez anos se passaram com este Presidente, que conseguiu um invejável palmarés a nível futebolístico, senão vejamos a incrível conquista de dois (!) campeonatos nacionais e uma Taça de Portugal neste período. Comparado com a pior década da história do clube temos então, pela mão do herói Vieira, mais um título. Honrosos números, vergonhosos se comparados com o Sport Lisboa e Benfica. A propaganda vierística deixa as culpas dos não-títulos para o sistema, esse bicho com o qual Presidente compactua ao apoiar ex-portistas para a Liga e Federação. O Sport Betão e Benfica, os jogadores emprestados às ligas mais competitivas do mundo (Dubai Soccer League, é assim?), o endividamento gigantesco não passam de argumentos bacocos utilizados por quem deve querer voltar ao tempo do Vale e Azevedo. Luís Filipe Vieira não marca golos, lembremo-nos sempre disto, e não tem culpa de coisa alguma.

Luís Filipe Vieira em amena cavaqueira com Pinto da Costa Fonte: noticias-do-futebol.com
Luís Filipe Vieira em amena cavaqueira com Pinto da Costa
Fonte: noticias-do-futebol.com

“Toda a gente sabe que há uns anos eu era um homem de confiança de Pinto da Costa”
Só tem culpa disto.

André Eusébio

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Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
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