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Achas que estes 5 golos do SL Benfica merecem destaque na história encarnada?
O exercício é hercúleo, mas nós tentámos, num esforço conjunto entre memória e pesquisa. Certamente que para trás ficaram muitos que nem televisionados foram – como o famoso remate de Eusébio em Turim, a 40 metros do golo – e, portanto, foram cartas fora do nosso baralho.
Outros, tão óbvios que dói – Carlos Manuel na final da Taça nas Antas, o primeiro e o segundo de João Pinto em Alvalade – ficaram no banco a descansar que era tempo de descobrir outros tão bons ou melhores.
Tentámos, a todo custo, conjugar a beleza do golo com a importância de todas as circunstâncias que o proporcionaram: e aqui estão os cinco que não serão os de todos os benfiquistas, que estão convidados a discutir e a sugerir outros, mas um quinteto que merecia prémio.
5. VÍTOR PANEIRA VS BOAVISTA, FINAL DA TAÇA 1992-93
A época não havia começado da melhor forma com Tomislav Ivic no comando, Toni chegara a meio para salvar como tinha salvado em 1987-88, quando acabou por chegar à final da Taça dos Campeões.
O plantel de 1992-93, em qualidade individual, seria capaz do mesmo feito, se existisse a estabilidade de outros tempos: Mozer, Schwartz, Veloso, Kulkov, Paulo Sousa, Rui Costa, Futre, Pacheco, Paneira, Isaías, João Vieira Pinto, Rui Águas, Mostovoi, Yuran.
Ufa, tanta qualidade que teve a sua única demonstração de força na final da Taça, com o golo inaugural a provar que havia matéria para título europeu. Mas o SL Benfica estava doente e Damásio havia substituído Jorge de Brito…
4. EUSÉBIO VS LA CHAUX-DE-FONDS, OITAVOS DE FINAL DA TAÇA DOS CAMPEÕES 1964-65
O vídeo deixa muito a dever aos standards qualitativos atuais no que toca à qualidade e nitidez, mas o essencial não passa despercebido: recepção orientada, chapelada no central francês e bolão na gaveta – o golo é uma réplica de um ainda mais famoso de Pélé, que chapelou dois antes de finalizar, mas não deixa de ser um lance de levantar o estádio.
O SL Benfica venceria o campeão suíço de 1963-64 por 5-0 (depois de empatar a um na primeira mão) e avançaria rumo aos Quartos, preparadíssimo para voltar a defrontar o Real de Di Stéfano, Puskas ou Amancio, o autor do golo de honra dos blancos no… 5-1 do Estádio da Luz. “Depois é que foram elas” comentava, e bem, Rui Tovar.
3. LIMA VS SPORTING CP, PRIMEIRA LIGA 2012-13
O SL Benfica que tudo perdeu era bem mais entusiasmante do que aquele que tudo ganhou: ou seja, o de 2012-13 jogava um Futebol muito mais aberto e alegre que o de 2013-14, que compensava em eficácia e pragmatismo.
E se há lance que expõe o brilhantismo dessa época de má memória é o golo acrobático de Lima criado pelo tango de Salvio e Gaitán, os artistas de serviço que alimentavam o brasileiro e Cardozo, a dupla que acaba a temporada com… 63 golos faturados.
2. POBORSKY VS SC BRAGA, PRIMEIRA LIGA 1998-99
O sprint de Rafa desta época não é original por cá. As semelhanças com o golaço do checo Karel são indesmentíveis.
E se a Poborsky já lhe reconhecia talento suficiente para sacar um destes da cartola, é preciso atentar o contexto para perceber como é que um golo consegue estar ainda hoje fixado na memória de uma geração inteira: o Benfica passava pelo seu ‘Vietname’, era quarto na ordem de prioridades da Liga Portuguesa.
Nessa época, por exemplo, o Boavista, que ainda não era o Boavistão de 200, veio à Luz acabar com as esperanças de título com uns esclarecedores… 0-3 – e caminhava, assim, para a quinta época sem título.
Poborsky, junto a PreudHomme, JVP e Nuno Gomes, eram a única garantia que os adeptos tinham de que em campo jogava o SL Benfica e não qualquer outro clube equipado de vermelho. Um golo destes, no meio de tudo isto, justifica todos os elogios.
1. RICARDO GOMES VS DNIPRO, TAÇA DOS CAMPEOES EUROPEUS 1989-90
Um central brasileiro em acrobacia a rematar ao ângulo num jogo europeu fora de casa. O vídeo podia ser o do golo de Luisão em Eindhoven frente ao PSV, em 2010-11, mas o de Ricardo Gomes é mais adornado no capítulo da classe do gesto e da trajetória da bola – directa ao ângulo superior, não em balão como aquela 21 anos depois.
No frio ucraniano, o golo de Ricardo foi a cereja no topo do bolo de uns Quartos de Final manifestamente fáceis para o SL Benfica, que assim transitava rumo às Meias Finais e ao embate lendário frente ao Marselha.
Artigo revisto por Joana Mendes








