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A Fórmula do Sucesso

Pedro Afonso · 5 min

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É inegável. O Benfica encontra-se nestes anos a passar a melhor fase desportiva das últimas décadas. Não é por acaso que se encontra neste momento a defender o título de campeão português pelo terceiro ano consecutivo. Sim, tricampeão! Já não era bicampeão há 31 anos, nem tricampeão há 39 anos. Na última época conquistou o 35º título caseiro. Nas últimas 3 épocas ganhou mais títulos que toda a década passada. No total são 11 contra 6 desde 2000 a 2010.

Na era Jorge Jesus conquistou 10 títulos (2 deles na década passada) e, mais recentemente com Rui Vitória ao comando, conquistou outros 3: campeonato, taça da liga e supertaça. Totalizam-se 11 títulos em 6 anos, contra apenas 6 numa década inteira. Sendo 9 destes nas últimas 3 épocas, entende-se a supremacia encarnada na história do futebol português nas mais recentes temporadas. Além disso, nota-se também uma decadência do FC Porto nestas épocas mais recentes que não conquistaram nenhum troféu. Mas isso é outro assunto.

O que conta aqui é que sim, o Benfica está a mandar no futebol português atualmente e o que se vai investigar é o que levou a este salto para o comando deste desporto no país.

Se isto tudo é inegável, então também é inegável que o FC Porto, desde 2000 até há três anos atrás era o máximo clube português no que toca a títulos (tendo em conta o período de análise que foi escolhido). Porém, como já foi referido acima, não inscreve o seu nome em nenhuma taça nesses mesmos três anos. O declínio dos dragões deu espaço à ascensão e prosperidade encarnada que fez questão de se impor e ganhar tudo o que antes parecia estar entregue aos rivais da invicta.

A contratação de Rui Vitória mostrou a sobriedade dos encarnados mesmo após troca de treinador Fonte: SL Benfica
A contratação de Rui Vitória mostrou a sobriedade dos encarnados mesmo após troca de treinador
Fonte: SL Benfica

O ponto de viragem foi a contratação de Jorge Jesus para o comando das águias que, com a parceria e confiança do presidente, conquistou 10 títulos e se tornou no treinador mais titulado da história do Benfica, ultrapassando Otto Glória (9 títulos). Apesar do percalço entre 2010/11 e 2012/13, Jesus voltou glorioso não ao 3º dia, mas à 3ª época sem ser campeão português. E desde aí que mais nenhum clube ostentou o emblema do troféu nas camisolas.

De seguida, Jesus decidiu trocar o Benfica pelo Sporting e viajar para o outro lado da segunda circular para orientar às ordens de Bruno de Carvalho. Seguiu-se então o agora treinador do Benfica, Rui Vitória. A aposta pessoal de Luís Filipe Vieira, após perder a supertaça para o ex treinador das águias, e depois de um conturbado início de época, Vitória assumiu de rédea curta o comando da carruagem Benfica que viria a acabar a corrida em primeiro lugar.

Falei, a título de contexto, do presidente Luís Filipe Vieira. E o que consta é que ele também faz parte deste sucesso do Benfica. Estabilidade. Esta é a palavra chave. Enquanto que o Sporting teve 5 presidentes ao longo deste século, o Benfica teve apenas 2. Manuel Vilarinho fez 3 anos de presidência e, de seguida, deu o lugar ao atual Luís Filipe Vieira que reina até hoje. O FC Porto tem o mesmo presidente, Pinto da Costa, desde 1982. Isto é estabilidade. E é demasiado importante para ser ignorada.

O Benfica, neste momento, e desde há 3 anos para cá, é uma equipa incrivelmente estável. Presidente a cumprir o quinto mandato, Jesus comandou a equipa por 6 temporadas e agora Rui Vitória aparenta fazer parte dos planos do clube por vários anos.

Partindo agora para um ponto mais futebolístico e pondo de parte o lado estrutural. Focando-me no jogo corrido, o Benfica é, sem dúvida, uma equipa inteiramente madura. Sabe o seu lugar na tabela, no jogo, dentro e fora de campo. Conhece as equipas que vai enfrentar, conhece o jogo cá dentro, o campeonato, a liga e os treinadores e seus respetivos métodos de jogo. Contudo, não se adapta a nenhum deles. Tem o seu próprio e é fiel ao si mesmo. Jesus jogava de uma forma faminta em 2009/10, mas depois de 3 anos sem vitórias, foi claramente uma equipa diferente a ganhar o campeonato seguinte. Mais calma, serena, decidida e madura para perceber o seu lugar na cadeia alimentar onde os encarnados querem ser sempre o predador. Um jogo pávido e rápido ao mesmo tempo, taticamente coerente e organizado. Muito longe daquilo que Jorge Jesus apresentou na primeira época. Esse era uma equipa rápida e veloz, faminto de golos e de jogadas bonitas, forte e eufórico. Mas deixou de o ser. E, sinceramente, apesar de adorar ver aqueles 8-1 ao Setúbal e goleadas consecutivas com nota artística, a maturidade e estabilidade é o que rende a este Benfica.

Neste momento o Benfica encontra-se líder, a 5 pontos dos segundos classificados, Porto e Sporting. Antes do clássico, a diferença pontual para o Sporting era de 7 pontos. Em dezenas de plataformas de comunicação social foi relembrado que há um ano a situação era inversa. O Benfica de Vitória 7 pontos atrás do Sporting de Jesus. Porém, e a meus olhos, as situações são incomparáveis.

Há um ano, o Sporting de Jesus era o Benfica de Jesus na sua primeira época: eufórico, possante e motivado. Mas essa mesma época comprova que isso não é suficiente para ganhar campeonatos onde se encontram clubes estáveis, confiantes e maduros como é o Benfica. E quem ganhou fomos nós, benfiquistas.

Este ano, a euforia desvaneceu-se e a chama apagou-se do Sporting como o Jesus de águia ao peito em 2010/11 que acabou a 21 pontos do Porto. E pode ser essa uma das razões que os leva a estarem a 5 pontos do líder. O Benfica é esse líder e não ocupa essa posição pelas razões que o Sporting a ocupava em 2015, mas sim pelo seu conhecimento interior, pelo seu compromisso próprio, por saber o seu lugar na tabela classificativa. E é exatamente onde está. E é também exatamente por isso que acho que nada disto tem a ver com a época passada e que o Benfica, em condições normais vai acabar a sorrir. Sem querer formalizar prognósticos (exageradamente) antecipados, no final da época veremos se tenho razão.

Saudações benfiquistas!

Pedro Afonso

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