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A resposta de Marco Silva à armadilha de Petit | Santa Clara 1-2 Benfica

Duarte Rêgo · 3 min

Marco Silva Benfica
Foto: Rafael Canejo/Bola na Rede

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Promover seis alterações no onze inicial após uma jornada europeia comporta sempre um risco calculado, sobretudo numa deslocação a Ponta Delgada para defrontar um adversário invicto e na luta direta pelo segundo lugar. Contudo, a primeira parte do Benfica nos Açores falhou, acima de tudo, pela absoluta incapacidade de Rafa Silva e Georgiy Sudakov assumirem a batuta criativa quando o jogo mais pedia personalidade entrelinhas.

Mesmo privado de Gonçalo Paciência, a sua principal referência ofensiva, Petit recusou qualquer complexo de inferioridade. O Santa Clara subiu linhas, condicionou a primeira fase de construção encarnada e fechou o corredor central com um posicionamento irrepreensível de Pedro Ferreira.

Sudakov passou 45 minutos escondido atrás da linha de pressão insular, lento a decidir, previsível na receção e incapaz de girar o jogo para acelerar de frente para a defesa contrária. Ao seu lado, Rafa Silva protagonizou uma exibição igualmente cinzenta e desconectada do coletivo, sem espaço para embalar em transição, revelou-se inconsequente no jogo associativo em espaços curtos e nunca atacou a profundidade quando Vangelis Pavlidis recuava no terreno para arrastar a marcação de Emanuel Moreira. Com os seus dois desequilibradores interiores reduzidos a corpos estranhos, o Benfica tornou-se uma equipa partida, burocrática e inofensiva, ao ponto de chegar ao descanso sem forçar Lucas França a uma única intervenção de relevo.

Do outro lado, o conjunto açoriano mostrava como ferir com critério. Aproveitando a passividade lisboeta na reação à perda, o trio composto por Brenner Lucas, Vinícius Lopes e Fernando castigou constantemente as costas da defesa encarnada em ataques rápidos. Depois de Samuel Soares e de um corte providencial de Alexander Bah terem adiado o pior, uma mão na bola de Samuel Dahl na área permitiu a Fernando inaugurar o marcador da marca de grande penalidade, traduzindo no marcador a superioridade clara dos visitados até então.

O mérito de um treinador numa equipa grande mede-se, muitas vezes, pela frieza com que corrige as próprias escolhas sem ficar refém do estatuto dos seus jogadores. Marco Silva leu a apatia do seu corredor central e não esperou pela hora de jogo, deixou Rafa e Sudakov no balneário ao intervalo e lançou Andreas Schjelderup e Dodi Lukebakio.

Mais do que refrescar as alas com dois extremos puros capazes de fixar os defesas laterais, essa dupla substituição libertou Gianluca Prestianni para pisar exatamente os terrenos onde os seus colegas tinham naufragado na primeira metade.

Antes de o talento do argentino virar o encontro, houve, porém, um momento invisível na ficha de jogo que manteve o Benfica vivo na discussão dos três pontos. Pouco antes da hora de jogo, Samuel Dahl redimiu-se por completo do penálti cometido no primeiro tempo ao intercetar, no limite, um passe de Tiago Ribeiro na área que deixaria Vinícius Lopes com a baliza escancarada para fazer o 2-0.

Sobrevivendo a esse calafrio, o palco ficou por conta de Prestianni. Solto nas costas de Pavlidis, o camisola 25 fez em poucos minutos tudo o que Sudakov e Rafa não conseguiram fazer em toda a primeira parte, pediu bola em zonas congestionadas, encarou adversários em condução e obrigou Pedro Ferreira a sair da sua zona posicional. Num espaço de seis minutos, o jovem argentino desmontou a organização açoriana, primeiro ao rasgar pela esquerda para oferecer o empate a Pavlidis na pequena área e, logo a seguir, ao surgir na meia direita, após combinação com Lukebakio, para assinar a reviravolta com um remate cruzado.

Em vantagem, o Benfica soube arrefecer o ímpeto insular através da posse de bola, gerindo os ritmos perante um Santa Clara que acusou o desgaste físico da pressão exercida na etapa inicial. A equipa de Petit perde a invencibilidade, mas confirma que a presença no topo da tabela assenta numa ideia de jogo muito bem trabalhada, já Marco Silva sai de São Miguel com os três pontos e uma certeza evidente de que contra blocos competitivos, o estatuto não ganha jogos e a chave criativa desta equipa passa, hoje, obrigatoriamente pelos pés de Prestianni no corredor central.

Duarte Rêgo

Redação Bola na Rede · ver artigos

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