Apenas três pontos separam os grandes

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Na passada sexta-feira, tivemos um clássico daqueles só para homens de barba rija, à antiga. Oportunidades de golo em abundância, muita tática à mistura e uma pitada de polémica, foram os condimentos necessários para se poder assumir que foi um bom jogo entre dois candidatos ao título.

O Benfica entrou melhor, muito pressionante e a conseguir ter momentos em que surpreendeu o Porto, ao contrário do que Sérgio Conceição disse na antevisão do jogo, que sabia em 99% como o Benfica iria jogar, mas a verdade é que não deixei de sentir alguma dificuldade dos portistas em parar os encarnados nos primeiros 25 minutos. Depois dos ajustes, principalmente dos quatro jogadores do meio campo do Porto que não conseguiam parar as dinâmicas do trio do Benfica, este guiado principalmente por Krovinovic, o Porto tomou conta do jogo.

Sacudida a pressão inicial, o Porto agarrou no jogo e viram-se bem as dinâmicas dos avançados Aboubakar e Marega, com as suas desmarcações desconcertantes e um poderio físico que faz com que raramente percam um duelo. Também são bem ajudados pelos os três jogadores do meio campo, Herrera, Danilo, Sérgio Oliveira e ainda um quatro, Brahimi, que introduziu talento e mostrou que os sistemas táticos são dinâmicos, passando muitas vezes de um 4.3.3 para um 4.4.2 sem quase se dar por isso. Mas são estas mesmas dinâmicas que expõem as fragilidades da defesa do Benfica e não fosse um senhor chamado Varela, em noite sim, e estávamos aqui hoje a discutir uma vitória do FC Porto.

Como já referi, em clássico que é clássico, não podem faltar casos, e este jogo, mesmo com a ajuda do vídeo árbitro, não deixou de os ter. Ora comecemos pela falta de Felipe sobre Jonas, em que nem amarelo levou depois de uma entrada bárbara junto ao tornozelo. Não sei aliás, como Felipe conseguiu acabar o jogo e com Zivkovic foi a intransigência que se viu.

O Clássico foi intenso, como já se esperava Fonte: SL Benfica
O Clássico foi intenso, como já se esperava
Fonte: SL Benfica

Contudo, os lances mais polémicos caíram para o lado do Porto: um golo mal anulado, com a marcação de um fora de jogo inexistente, e um lance de Luisão dentro da área, onde não conseguimos perceber se a bola bate na anca ou na mão, o que sabemos é que foi uma má abordagem do capitão ao lance, quis jogar com a cabeça onde podia ter jogado com o pé.

Infelizmente, enquanto benfiquista, assumo que o Porto esteve mais perto da vitória que o Benfica mas isso acabou por não acontecer e o que poderia ser o afastamento do Benfica dos primeiros lugares, foi pelo contrário, o relançar de um campeonato a três.

Assim, em jeito de reflexão pós-clássico, podemos antever um campeonato renhido e que será certamente, decidido por detalhes. O Porto e o Sporting, que garantiram presença nas competições europeias, terão, inevitavelmente, uma carga maior e se não se reforçarem em Janeiro, creio que terão grandes dificuldades. O Porto, porque tem um plantel curto e um treinador extremamente exigente, acusará um desgaste que poderá vir a ser um ponto de fraqueza a explorar. Já o Sporting, apesar de ter um plantel um pouco maior, tem, como todos sabemos, um treinador que não gere muito bem os seus recursos, utilizando quase sempre o mesmo onze base, pelo que se prevê as mesmas dificuldades, se se confirmar o maior número de jogos.

O Benfica, fora das competições europeias, que alguma vantagem tem que ter, disputará jogos de semana a semana, o que requer menos desgaste e maior foco.

Em suma, o clássico equilibrou as contas do campeonato, em que três pontos apenas separam as três equipas e, sem dúvida, que a equipa que for mais consistente, será a que em Maio acabará em primeiro. Até lá, estamos juntos na luta!

Foto de Capa: SL Benfica

Patrícia Ribeiro Fernandes
Patrícia Ribeiro Fernandeshttp://www.bolanarede.pt
Desde que se conhece que a Patrícia gosta de bola e chegou mesmo a jogar, mas a vida seguiu por outros rumos. Como mulher de paixões que é, encontra no Benfica a maior de todas e é a escrever que se sente em casa.                                                                                                                                                 A Patrícia escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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