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SL Benfica: As 5 reviravoltas da década

Pedro Afonso · 5 min

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São as reviravoltas no marcador que nos fazem vibrar. Mais do que a vitória, até. Mais do que aquele jogo “fácil” ganho por três golos de vantagem. São aqueles em que vemos a equipa a puxar para além do que seu expoente máximo e sair dali com a vitória, mesmo depois de se terem visto na pior das condições. Aquelas reviravoltas históricas, tiradas a ferro são as que ficam na memória. Vamos viajar pelas cinco reviravoltas encarnadas da década de 2010.

Espero que se arrepiem tanto quanto eu me arrepiei a escrever este artigo e a rever as imagens. Fez renascer a “pica” para a nova temporada!

5.

O momento do 3-2 por Óscar ‘Tacuara’ Cardozo
Fonte: SL Benfica

Época 2011/12: Taça da liga, Meias-finais – SL Benfica 3 – 2 FC Porto – O Benfica via o eterno rival no caminho para a final da Taça da Liga, num jogo único a ser disputado no Estádio da Luz. Conseguiu entrar bem, com golo de Maxi Pereira aos quatro minutos, mas Lucho aos oito e Mangala aos 17, colocaram os azuis e brancos na vantagem.

Porém, antes do intervalo, o espanhol Nolito conseguiu repor a igualdade aos 42 minutos. Foi uma altura de clássicos com muitos golos, com empate a dois no Dragão para a Primeira Liga, 2-3 para o FC Porto na Luz para a segunda volta do campeonato e agora um 2-2 ao intervalo. No entanto, o resultado foi diferente, com o golo de Cardozo aos 77 minutos, uma autêntica cavalgada do paraguaio (que nunca foi famoso pela sua velocidade) desde o meio campo e a rematar rasteiro para o canto inferior esquerdo da baliza defendida por Bracali.

4.

Cardozo festeja o golo que carimbou a passagem à final da Liga Europa em Amesterdão
Fonte: SL Benfica

Época 2012/13: Liga Europa, Meias-Finais 2ª mão – SL Benfica 3 – 1 Fenerbahçe SK – Depois da derrota por 1-0 na Turquia, o Benfica tinha de inverter a eliminatória se queria carimbar o acesso para a final da Liga Europa. Começou com força, com golo de Gaitán aos nove minutos com aquele pé esquerdo a fazer de pé direito, mas Dirk Kuyt, de grande penalidade, igualou o resultado e repôs a vantagem na eliminatória para o Fenerbahçe. Cardozo não gostou e, aos 35 minutos, levou para intervalo o 2-1 no jogo, mas 2-2 no agregado, com vantagem da equipa visitante pelo golo fora. Ficava a ser preciso mais um golo aos encarnados.

Na segunda parte, aos 66 minutos, aconteceu o momento que ainda consegue arrepiar qualquer benfiquista: lançamento longo de Sálvio, desvio de Luisão a sobrar para Cardozo que finaliza com delicadeza para o 3-1 que ditava uma final europeia para o Benfica. Arrepiante!

3.

O momento do cabeceamento de Lima que ditou a reviravolta em dois minutos
Fonte: SL Benfica

Época 2013/14: Primeira Liga Portuguesa, 2ª jornada – SL Benfica 2 – 1 Gil Vicente FC – Estavam completados três anos sem que o Benfica conseguisse levantar novamente o troféu da Primeira Liga Portuguesa. Depois de no ano anterior deitar tudo a perder nos momentos derradeiros da Liga Europa, Taça de Portugal e Primeira Liga, e após a confiança do presidente no treinador Jorge Jesus, havia rédia curta na Luz.

A primeira jornada foi na Madeira e fez os encarnados regressarem a casa sem pontos na bagagem, levando à fúria dos adeptos. No próprio reduto, o Gil Vicente mostrava-se reticente em deixar o Benfica arrecadar os três pontos, aguentando-se sempre até chegar mesmo a marcar o 0-1, por Diogo Viana, aos 69 minutos, depois de uma grande desatenção de Maxi.

Foram longos minutos até ao final do jogo. Muita contestação nas bancadas e poucas ideias em campo. Até que aos 90+1 Markovic igualou o jogo. Mas o empate não era suficiente para contentar as águias. A Luz pedia mais, com os cachecóis erguidos a acreditar na vitória nos 3 minutos que faltavam. Com um cruzamento longo de Sulejmani, Lima foi ao céu saltar mais que Luisão e, no minuto seguinte ao primeiro golo, aos 90+2, levou o Estádio à apoteose com a reviravolta. A Luz acreditou e o Benfica respondeu. A crença deste jogo foi o mote para a reconquista da Primeira Liga, da Taça de Portugal e da Taça da Liga.

2.

Foi Gonçalo Guedes que marcou o segundo golo do Benfica e aplicou a primeira derrota do Atlético no Vicente Calderón em 5 anos na UCL
Fonte: SL Benfica

Época 2015/16: Liga dos Campeões, Fase de Grupos, 2ª Jornada – Atlético de Madrid 1 – 2 SL Benfica – As noites europeias têm sempre algo de magnífico, mágico, entusiasmante. Depois de uma temporada tão escassa neste aspeto, vamos recordar aqui duas reviravoltas brilhantes dos encarnados.

No Vincent Calderón, onde o Atlético de Madrid já não perdia um jogo na prova milionária desde 2009/10, o Benfica foi de top europeu. Começou com a desvantagem aos 23 minutos, com golo de Ángel Correa. O Benfica parecia perdido em campo e o jovem espanhol aproveitou para dar vantagem à turma de Diego Simeone.

Não obstante a passividade inicial, o Benfica foi para a frente e deu a entender das suas intenções pelo pé esquerdo (pois, claro) de Gaitán. Cruzamento do jovem Nélson Semedo, bola a pingar na área sem ninguém resolver e o argentino a encher o pé para o empate aos 35 minutos. Houve festa (e que festa!) nas bancadas e outra igual em campo.

Outrora a marcar, desta vez foi a assistir. O argentino apanhou o sprint de Gonçalo Guedes e passou para o espaço. A aproveitar o falhanço de Filipe Luís, o português, mesmo com um ângulo tão reduzido, marcou a Oblak e levou os benfiquistas ao delírio com a reviravolta em Madrid. Histórico!

1.

É este o sentimento de marcar o golo que decide uma eliminatória da UCL
Fonte: SL Benfica

Época 2015/16: Liga dos Campeões, Oitavos de Final 2ª Mão – FK Zenit 1 – 2 SL Benfica – Depois de passar o grupo C em segundo lugar, o Benfica encontrava o Zenit pela frente nos oitavos de final. A primeira mão em casa deu vitória por 1-0 aos encarnados e na Rússia Hulk gelava a águia encarnada aos 69 ao igualar a eliminatória. A chama imensa dos encarnados não se deixou apagar e a entrada de Raul Jiménez fez toda a diferença.

Foi do pé do mexicano que saiu o remate surpreendente e de longa distância que espantou o guarda-redes dos russos. Defendeu em esforço, mas a bola sobrou para Gaitán que rondava a zona. De cabeça encostou para a baliza vazia e, aos 85 minutos, metia o Benfica com pé e meio nos quartos de final (o Zenit precisava de dois golos para avançar devido ao golo fora do Benfica). A festa aqueceu o gelo Russo, mas ainda houve tempo para mais um, dez minutos depois, aos 90+5, a selar a vitória em solo russo, com golo de Talisca a arrepiar todos os benfiquistas.

Foto de Capa: SL Benfica

Pedro Afonso

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