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Benfica – Bayern: De 2016 para 2018

João Reis · 8 min

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O sorteio da Liga dos Campeões ditou, novamente, um embate entre o Benfica e o Bayern Munique. Desta vez os jogos iram realizar-se ainda na fase de grupos. Primeiro jogo será em Lisboa, no estádio da luz, no dia 19 de setembro e o segundo, no dia 27 de novembro na Alemanha.

Muito mudou desde esse tal confronto entre estes dois gigantes do futebol europeu. Muitas caras novas e com algumas já bem conhecidas. No lado dos técnicos, Rui Vitoria por cá continuou mantendo-se como treinador principal. Pep Guardiola que na altura comandava a equipa bávara, está agora no atual campeão inglês, o Manchester City. Niko Kovac, o atual treinador, é o responsável por conduzir a equipa alemã a mais um ano recheado de novas conquistas.

Na altura em que o Benfica carimbou a passagem aos quartos de final da liga dos campeões, já se sabia que o patamar de exigência seria muito acima das possibilidades de uma equipa portuguesa. Para termos uma noção das prestações do clube da Luz, na liga milionária, só pela segunda vez nos últimos dez anos, é que chegou a atingir o pote dos oito finalistas.

A diferença abismal que existe entre os grandes tubarões e os outros clubes competitivos, torna-se quase impossível sequer pensar em chegar ao top-4 (meias finais). Mas a verdade é que a sensação que ficou presente naquela eliminatória, é que o Benfica poderia ter eliminado o todo poderoso Bayern.

Quando se pensou que seria outro desastre europeu, a lembrar os tempos de má memória como os 7-0 do Celta de Vigo, eis que o Benfica arranca um resultado muito curto na Alemanha e que chegou a surpreender tudo e todos. Para quem se lembra bem daquele jogo em Munique, ficou mesmo a ideia que o resultado até poderia ter sido outro.

O placar ficou se pela margem mínima. 1-0 foi o resultado. Todos os jornais na Europa realçaram a qualidade da equipa encarnada e a fantástica exibição personalizada que foi capaz de apresentar. Para alem de que, os vários holofotes surgiram-se nas pérolas jovens que Rui Vitoria tinha apostado nesse ano, como os casos de Ederson, Lindelof, Nelson Semedo, Gonçalo Guedes e Renato Sanches.

O jogo da segunda mão em Lisboa, fez lembrar aquelas míticas noites à “Champions”, que tanto um adepto de futebol sonha. Mas mais que um sonho, foi mesmo a sensação que por mais um pouco teríamos ganho o jogo e a eliminatória. O resultado na altura ficou 2-2, com golos de Jiménez e Talisca.

Apesar de o Benfica não ter conseguido ultrapassar o Bayern, os adeptos encheram-se de orgulho naquela equipa fantástica que foi capaz de se debater, cara a cara contra uma das equipas favoritas a ganhar a Champions, todos os anos.

Naquele ano, complicado devido ao verão escaldante que houve pelos lados de Lisboa, a expectativa dos benfiquistas, não foi a melhor de todas. Mas no final, em maio, foi celebrado mais um título de campeão nacional.

Aquela equipa que conseguiu bater de frente contra os alemães, resta apenas pouco mais de metade. Os maiores valores jovens que naquele ano ajudaram a concretizar grandes feitos, saíram para patamares muito superiores.

2015/2016 ficou marcado pela aposta nos jovens jogadores
Fonte: SL Benfica

Mas falando mais detalhadamente sobre o jogo em si, é de referir a equipa, os jogadores, o staff técnico, um a um. Em relação à equipa, o Benfica, não dispunha de um plantel largo, que fosse capaz de Rui Vitoria, fazer rodar os jogadores de competição em competição. Mas apesar de um plantel curto, tínhamos um onze bastante estruturado e compacto, capaz de executar na perfeição os trabalhos de casa indicados pelo treinador. A equipa como um todo, reunia várias características para várias situações distintas do jogo. Completavam-se dentro de campo. Muita experiência e irreverencia é o equilíbrio chave que fazia daquele Benfica uma equipa a ter em conta.

Ederson Moraes era o guarda-redes sensação na altura na Europa, e em que Pep Guardiola via nele um futuro de excelência. Hoje trabalham juntos, no clube inglês, em Manchester, por pedido expresso do técnico espanhol.

Victor Lindelof e Jardel foram os patrões do centro da defesa. Com uma fantástica forma de Jardel, que possivelmente foi o seu melhor ano até hoje no Benfica. O jovem Sueco vindo da equipa B, agarrou o lugar depois da lesão de Luisão, que nunca mais deixou fugir, somando excelentes exibições a bom nível europeu.

André Almeida e Eliseu tiveram a sorte de Nelson Semedo ter se lesionado logo no início e de Grimaldo ter vindo com problemas físicos do Barcelona. Mas nesse ano, e em especial nesse jogo, conseguiram cumprir sempre com os mínimos possíveis. Nunca deixando a equipa em maus lençóis.

No super meio campo e mais que reforçado, estavam, o tanque sérvio, Fesja, mais a locomotiva irreverente, Renato Sanches, um super Pizzi no lado direito e o génio argentino Nico Gaitan. Estes quatro, formavam um meio campo capaz de aguentar os 90 minutos em alto rendimento constante. Tanto atacar como a defender, o Benfica proporcionava num conjunto total e em harmonia, um espetáculo de eficiência pura.

Na frente de ataque, o recém-chegado Mitroglou, revelou um par perfeito para Jonas. Ambos marcaram mais de 50 golos em todas as competições. O grego era capaz de agarrar jogo na fase de construção, seja em bola aéreas ou rasteiras, libertando sempre o máximo possível, o magico eterno Jonas. Que por si só escusa qualquer tipo de apresentações.

Mesmo pela ausência de Jonas, no jogo da segunda mão, foi questionado por muitos, se com o brasileiro em campo, o Benfica teria tido outra sorte no resultado, apesar de Jiménez ter feito um dos golos mais celebrados no novo estádio da luz.

Atualmente o Benfica passa por uma fase de reconstrução do plantel. Muitas são as caras novas que entraram desde então. A situação que hoje se vive no ceio benfiquista não é de todo a melhor. Após o campeonato perdido para o FC Porto, o Benfica tem a difícil tarefa de conseguir a reconquista. A conquista do 37.

A época começou bem cedo. Com o início dos trabalhos em vista á qualificação para a fase de grupos da liga dos campeões. Uma meta muito importantíssima que foi logo estabelecida pela direção encarnada como obrigatória. O encaixe financeiro tinha de ser algo quase garantido, devido ao forte investimento no mercado. Não só se consegue criar uma equipa competente, com mais soluções e qualidade, mas como também é possível criar uma estrutura permanente, que permita ao treinador dar consistência coletiva aos seus jogadores.

Em termos de comparação de uma equipa para outra, a coisa é muito diferente. Apesar de alguns titulares se manterem, a química da equipa é completamente diferente. Existe mais qualidade e quantidade no plantel, mas a equipa num onze titular, é mais fraca como equipa em comparação á época de 2015/2016.

Na baliza temos Vlachodimos que por agora tem demonstrado bom serviço. Na defesa em geral, até se pode considerar que há mais qualidade individual. André Almeida não conta por ser repetente tal como Jardel, sendo que Ruben Dias e Grimaldo são os que mudam nesta organização tática. Ruben Dias á margem de Lindelof, também subiu da equipa B para a principal, onde agarrou o lugar desde a época passada. Grimaldo é atualmente um dos maiores valores ativos do plantel. Um verdadeiro craque na sua posição, que comparando a Eliseu, fica bem distante no que toca a qualidade individual.

No centro do campo temos o mesmo tanque, Fesja, que desta vez está acompanhado por outro jovem da academia do seixal. Gedson faz e muito lembrar, Renato Sanches e a sua ascensão meteórica. Pizzi mantem-se no onze também, mas desta vez atua mais pelo lado interior do campo à frente de Fesja.

Um super Pizzi que já leva seis golos esta época
Fonte: SL Benfica

No ataque muito muda com o sistema tático da equipa. Jogando agora no atual 4x3x3, Sálvio e Cervi são as motas muitas vezes descontroladas que fazem este Benfica muito previsível de jogar.

No lugar de Jonas, Mitroglou ou até mesmo de Jiménez, temos Facundo Ferreyra ou Seferovic. Isto por agora. A pensar no primeiro jogo no dia 19 de setembro. Vistos que Jonas e Castillo ainda se encontram em recuperação depois da lesão contraída logo no início da época, as opções para o ataque são bem menores e mais fracas.

Se naquela época, foi difícil criar situações de perigo frente a um todo poderoso Bayern, com os imensos problemas ofensivos de que o Benfica tem tido, será expectável que a atarefa de marcar aos alemães não será nada fácil.

No lado dos alemães pouco muda, a não ser o treinado. Agora com Niko Kovac, as ideias mudaram. O Benfica pode ou não beneficiar disso, possibilitando uma forma de jogar mais em posse do que aquela que teve frente ao Bayern de Pep Guardiola.

Na minha opinião, este Benfica, apesar de mais forte individualmente, tem menos chances de fazer um bom resultado devido à fraca relação entre os jogadores no onze titular. Coletivamente deixa muito a desejar.

Não será fácil de todo, tendo em conta as fracas exibições do Benfica nos jogos que realizou até agora, as expectativas não são as melhores. A realidade dos adversários não tem qualquer semelhança. Se formos a imaginar o quanto se torna difícil para uma equipa como o Benfica com a qualidade que tem, arranjar sempre a melhor forma para vencer nos jogos do campeonato, então quando se debater contra grandes adversários em que a qualidade individual e coletiva está muito mas muito acima, a coisa pode muito bem correr mal.

Vale a pena não esquecer a horrorosa campanha europeia do Benfica na época passada. Não quero acreditar que os adeptos do clube iram deixar passar em branco mais uma igual. Com o forte investimento, a obrigação de fazer mais e melhor é negável. Esperar para ver agora, se com estes jogadores, o Benfica consegue fazer melhor que em 2015/2016, algo semelhante ou simplesmente deixar-se humilhar mais uma vez.

Foto de Capa: SL Benfica

João Reis

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