A derrota do Benfica frente ao St. Gallen, por 2-1, não decide uma eliminatória, muito menos uma época. É apenas o primeiro jogo oficial de uma equipa que inicia um novo ciclo, agora sob o comando de Marco Silva. Seria precipitado retirar conclusões definitivas ou colocar em causa um projeto que deu os primeiros passos.
Mas há derrotas que levantam questões que vão muito além do resultado. E esta foi uma delas.
Havia uma enorme expectativa em torno deste primeiro encontro. Não apenas pela estreia de um novo treinador, mas porque os benfiquistas ansiavam por encontrar uma equipa diferente daquela que tantas vezes os desiludiu nas últimas temporadas. Mais do que um novo sistema tático ou novas ideias de jogo, esperava-se uma mudança de atitude. Intensidade, personalidade, ambição e a sensação de que um novo ciclo tinha realmente começado. Nada disso ficou evidente.
O Benfica entrou em campo com um treinador novo, mas apresentou demasiados comportamentos antigos. Faltou agressividade na pressão, faltou capacidade para reagir à adversidade e voltou a faltar aquela urgência competitiva que sempre fez parte da identidade do clube. Em demasiados momentos, a equipa pareceu confortável em jogar abaixo da intensidade que um jogo desta importância exigia.


Foi um Benfica novo na fotografia, mas um Benfica antigo dentro das quatro linhas. E esse é o verdadeiro problema.
Os adeptos não esperam que uma equipa em reconstrução apresente um futebol perfeito logo no primeiro jogo oficial. O que esperam é reconhecer a identidade do clube. Querem uma equipa que pressione alto, que dispute cada bola como se dela dependesse o resultado, que imponha o seu ritmo e que entre em qualquer estádio convencida de que a vitória é uma obrigação e não uma possibilidade. Esse Benfica não apareceu na Suíça.
Os benfiquistas chegam a esta temporada com pouca margem para novas desilusões. Foram anos de promessas de mudança que raramente se traduziram em exibições consistentes. Foram demasiados jogos em que a equipa pareceu desligada da exigência e da ambição que fazem parte da história do Benfica. Por isso, este primeiro tropeção pesa mais do que seria normal para um encontro disputado em julho.
Não porque define a época, mas porque faz regressar dúvidas que nunca chegaram verdadeiramente a desaparecer.
Enquanto isso, os principais rivais deixaram sinais encorajadores neste arranque de temporada. Mostraram uma identidade vincada, uma intensidade elevada e uma ideia de jogo facilmente reconhecível. O Benfica, pelo contrário, voltou a transmitir a sensação de estar preso ao mesmo “poucochinho” que tantas vezes limitou as últimas épocas. É um sinal de alerta, não uma sentença.


Marco Silva merece tempo para implementar as suas ideias e construir uma equipa à sua imagem. Nenhum projeto sólido nasce de um único jogo. Mas o futebol também vive de sinais, e o primeiro sinal deixado pelo Benfica foi tudo menos tranquilizador.
O jogo da segunda mão passa, por isso, a ter uma importância acrescida. Não basta garantir a qualificação. O Benfica precisa de mostrar que aprendeu com os erros, que é capaz de competir com outra intensidade e, acima de tudo, que existe uma verdadeira diferença entre o passado e o presente.
Se este novo ciclo quiser conquistar a confiança dos benfiquistas, terá de começar por mudar aquilo que mais os afastou da equipa nos últimos anos: a atitude. Só quando essa mudança for visível dentro das quatro linhas é que deixará de existir um Benfica novo apenas no banco para passar a existir um Benfica verdadeiramente novo em campo.

