
Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
Por estes dias, li por aqui, no Bola na Rede, palavras sportinguistas – sempre muitíssimo apaixonadas – de indignação por escrivas benfiquistas versarem, na secção que lhes respeita, textos inteiros devotados exclusivamente ao Sporting e, em particular, àqueles que, actualmente, representam mais visivelmente esse grande clube. Fiquei confuso, confesso, o que até me levou a verificações preliminares e cautelosas antes mesmo de voltar a escrever sobre futebol. Concluí, então: Bruno de Carvalho continuava presidente; Nuno Saraiva continuava director de comunicação; Jorge Jesus continuava treinador; e os arquivos do Bola na Rede continuavam (tal como ainda continuam) activos e disponíveis para consulta.
Devidamente esclarecido, ultrapassados os efeitos que o ridículo provoca, decidi escrever novo texto de opinião, com autor bem identificado e exposto, neste espaço criado para o efeito e onde, segundo julgo saber, príncipios como a liberdade de expressão, de imprensa e de opinião são sagrados e inegociáveis – esta sim, uma recomendação útil para os jornalistas ou aspirantes a jornalistas deste país. Adivinhe então, caro leitor, qual o tema central, sobre que clube e pessoas me dedicarei a escrever esta semana, usando dos limites que a lei e o bom-senso me conferem (e quando tardam os castigos a quem já os ultrapassou largamente): o Sporting Clube de Portugal e, em particular, Jorge Jesus, treinador que normalmente, e de forma limpinha, se apresenta em público por importância decrescente de cargos profissionais: ex-treinador do Benfica, primeiro, e actual treinador do Sporting, depois.
Num extenso auto-elogio publicado no jornal “Marca”, Jorge Jesus voltou, por meio do seu sofrível espanhol, a esclarecer-nos o quanto lhe custou (e ainda lhe custa) a saída do Benfica e a entrada no Sporting. Um passo atrás na carreira que, além de lhe reduzir drasticamente as probabilidades de sucesso – ou talvez exactamente por isso -, acentuou as suas falhas de carácter. É penoso, sempre foi, desde 2010, ler e ouvir Jorge Jesus; a forma como desrespeita tudo e todos, sejam clubes ou pessoas. É ainda mais penoso apanhá-lo a mentir, sem pudor ou contradição, apenas com o mesmo objectivo.
Questionado pelo entrevistador sobre a sua quota parte no título europeu, Jorge Jesus mentiu; e fê-lo não uma, mas várias vezes. Mas alguém com dois olhos na cara acredita que Jorge Jesus faria o que Paulo Bento fez por Rui Patrício; Leonardo Jardim por William Carvalho; ou Marco Silva por João Mário? É mais que penoso. Para mim, como benfiquista, é revoltante ler e ouvir isto vindo de alguém que negou a João Cancelo e Bernardo Silva a possibilidade de jogarem pelo Benfica; que sabotou André Gomes, dando-lhe somente as taças, ou substituições para queimar tempo. Jorge Jesus mente para se colocar em bicos de pés, quando a resposta à pergunta do jornalista teria de ser: a sua quota parte no título europeu foi bola.

Fonte: Sporting CP
Quando realça que Fernando Santos “tirou o melhor de cada um no momento forte dos jogadores do Sporting”, Jorge Jesus não está, ao contrário do que aparenta, a elogiar o seleccionador de Portugal; está, isso sim, a recordar-nos ser ele o autor do tal “momento forte”. Porém, Fernando Santos tem o mérito exclusivo de ter ganhado. Jorge Jesus mente para se colocar em bicos de pés, quando a resposta à pergunta do jornalista teria de ser: no mesmo “momento forte”, período que segundo o próprio se prolongou por uma época inteira, o seu Sporting, como se sabe, ganhou bola.
Quando, logo de seguida, afirma peremptório “porque do Benfica, nem um”, volta a mentir e de forma descarada. Jorge Jesus mente para se colocar em bicos de pés – e, neste caso, para confirmar o seu ressabiamento endémico -, quando a resposta ao jornalista teria de ser: do Benfica houve dois, Renato Sanches (seis jogos; 377 minutos; um golo; e Melhor Jovem da competição) e Eliseu (dois jogos; 180 minutos). Sobre este tema o jornalista poderia, facilmente, acrescentar uma questão ao mister: por quantos partos teria a mãe de Renato de passar, para o Golden Boy 2016 chegar à equipa principal do Benfica, à selecção nacional e ao Bayern de Munique? Provavelmente, Jorge Jesus, também aqui, mentiria para se colocar em bicos de pés; neste caso, todavia, não o saberemos para já.
E quando insiste em falar dos títulos que alcançou no Benfica, evidencia o seu mérito, desvaloriza quem consigo colaborou, o presente, relevando as dificuldades provocadas pela força do mercado, que lhe levava involuntariamente “dois ou três jogadores todos os anos”. Jorge Jesus mente para se colocar em bicos de pés, quando a resposta à pergunta do jornalista teria de ser: as transferências de dois ou três grandes jogadores, por propostas irrecusáveis para o clube e para os próprios, eram, invariavelmente, colmatadas pela contratação de uma dezena de craques por si escolhida, sendo que, como regra, meia dúzia dessa fornada mostrava-se inapta para ser utilizada numa equipa como a do Benfica. Tínhamos, já nessa altura, a nossa dose de Douglas, Petrovic, Bruno Paulista, Meli, Alan Ruiz e Castaignos; e jogavam todos bola.
Termino este texto, dedicado ao Sporting e a Jorge Jesus – que tanto Benfica meteu nesta entrevista -, com uma referência à secção que respeita, para que ninguém possa achar estranho ou fique indignado. Rui Vitória é o treinador do Benfica; o passado não está mal; mas o presente e o futuro são muito melhores.
Foto de capa: Sporting CP









