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CF Estrela x SL Benfica | 5 visitas históricas à Reboleira

Pedro Cantoneiro · 7 min

Foto: Carlos Silva/Bola na Rede

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Foi há 33 anos. Em Maio de 1988, o Estrela consumava, finalmente, a subida ao escalão máximo do futebol português. Trabalhão de José Gomes, o empresário local que deu a vida pelo emblema tricolor e partiu inesperadamente em 1989, em paz pelo sucesso alcançado.

Quando entrou, em 1977, o Estrela tinha apenas um peladão sem bancadas – o Campo de Jogos João Pimenta –, uma carrinha a fazer de autocarro e uma equipa a participar na Distrital. Na hora do adeus, o seu Estrela era figura na Primeira Divisão e preparava-se para conquistar a Taça de Portugal, um ano depois. O símbolo maior de uma história que começou em 1933, aquando da reunião de sete amigos. O mais pertinente, Julio da Conceição, olhou o céu estrelado e sacou daí inspiração para o nome.

O equipamento colorido nasceu de amizade inesperada com as gentes do Fluminense, que numa visita a Portugal deixaram uns exemplares seus na sede do clube, como gesto de fraternidade. Como homenagem, o verde-vermelho-branco ficou como parte da identidade – substituindo o azul com lista horizontal verde.

NUM JOGO COM CONTORNOS HISTÓRICOS MARCANTES, O SL BENFICA VISITA A AMADORA COM UM OLHO NA PRÓXIMA FASE DA TAÇA DE PORTUGAL. SERÁ QUE O REGRESSO DE JORGE JESUS VAI SER FELIZ? APOSTA JÁ NA BET.PT!

Os 21 anos que separaram a ascensão e a penosa queda, devido a problemas financeiros, estão cheios de boas memórias. Desses 21, 16 passar-se-iam no primeiro escalão, com cinco intervalos na Segunda para ganhar fôlego. Nomes incontornáveis como João Alves, mister vencedor da Taça, Rebelo, Paulo Bento, Marlon Brandão, Chaínho, Jorge Andrade, Leal, Gaúcho ou Jorge Jesus (1968-1971 na formação, 1984-87 como jogador profissional, 1998-00 e 2001-2003 como treinador) fazem parte do orgulhoso bairrismo latente à eterna luta pela glória do Estrela.

Uma participação na Taça das Taças em 1990-91, e dois sétimos lugares (1993-94 com João Alves e 1997-98, com Fernando Santos) são os maiores triunfos na era dourada. Na Reboleira era difícil passar com os três pontos: a arquitectura do José Gomes implica uma grande proximidade com a massa humana, que parece encolher um relvado de dimensões habituais (105×68).

Em 2008-09, o 11.º lugar implicava a participação na edição seguinte da Primeira Liga. Não aconteceu porque chegaram as dificuldades financeiras e o Belenenses tomou a vaga. Em Novembro de 2008, Lito Vidigal deu uma conferência de imprensa como técnico principal onde expunha os problemas. «Nós estamos no limite. […] Se não nos ajudarem, dificilmente poderemos continuar a trabalhar», pedido de um socorro que nunca chegaria. Quatro meses depois do final da temporada, uma tentativa de PEC – Procedimento Extrajudicial de Conciliação – é rejeitado pela Direcção Geral dos Desportos e os Tribunais declaram o clube insolvente.

Um grupo leal de ex-sócios agarrou no clube. Ficou CF Estrela e funcionou apenas com os escalões de formação até surgir a fusão com o Sintra Football Club – daí nasce o Club Football Estrela, já elegível para criar uma SAD e disputar o Campeonato Nacional de Seniores. É nesse nível que se encontram os tricolores, por estes dias a participar na Série G de forma auspiciosa: oito vitórias e três empates que lhe dão o primeiro lugar destacado.

Na Taça, quatro vitórias sobre o São Roque dos Açores, o Lusitano Vildemoinhos, o primodivisionário SC Farense e o Anadia. Luís Mota, Latón, Paollo Madeira ou Chapi Romano (argentino formado no River Plate) são algumas das principais figuras ao dispôr de Rui Santos, português de 56 anos que iniciou a sua carreira em… 1988-89, no mesmo ano em que o Estrela subia pela primeira vez (convidado do BNR TV na semana passsada).

Será o jogo fácil para o SL Benfica? Não, ou pelo menos tudo aponta para que seja jogo de se levar a sério. Este Estrela tem nível de Segunda Liga e Jorge Jesus está a par dessa realidade. O «meu Estrelinha», como lhe chamou na conferência de imprensa , não será presa fácil para um Benfica ainda a trote na qualidade exibicional. Não ajudará a entrada de segundas linhas, circunstância que se justifica pela proximidade da ida ás Antas, na sexta feira.

Até essas dificuldades acrescidas farão relembrar os saudosos velhos tempos. Decidimos recordar cinco das mais marcantes visitas do Benfica à Amadora, contextualizadas por ordem cronológica.

5.

CF Estrela da Amadora 1-2 SL Benfica (Campeonato Nacional 1988-89) – A primeira ida de sempre do Benfica à Reboleira, precisamente no ano de estreia dos tricolores no principal escalão, fica marcada pelo golaço de Magnusson – técnica modernista ao dispôr da eficácia escandinava, que garantiu mais três pontos numa caminhada imaculada dos encarnados.

O título ficou selado no jogo da segunda volta, numa Luz a abarrotar que assistiu a um festival de futebol ofensivo: 3-0 e Toni confirmava-se o segundo treinador português campeão pelo Benfica em 85 anos de história, a seguir a Mário Wilson.

4.

Fonte: RTP Arquivos

CF Estrela da Amadora 0-0 SL Benfica (Campeonato Nacional 1994-95) – Primeiro ponto ganho ao Benfica no José Gomes. Um Estrela comandado por Fernando Santos impôs àquele cadavérico conjunto um empate no meio do marasmo daquele final de época.

A meio da semana, o Benfica tinha ido a Setúbal ser eliminado da Taça de Portugal, derrota que abriu ainda mais brechas comunicacionais entre o lote de capitães e o staff técnico. Paneira é expulso apôs discordância com o árbitro, Damásio acusaria de desleixo o lote de capitães e multava-os, dando voto de confiança a Artur Jorge: o treinador que, no final da noite, preferiu apanhar um… táxi, de maneira a evitar confrontos com os jogadores no autocarro, diria-se.

Foi nestes contornos que se tentou encarar a ida à Reboleira como ponto de viragem. Os três pontos, porém, foram miragem dada a ausência de futebol. Na semana seguinte haveria derrota (1-2) na Luz frente ao Sporting de Carlos Queiroz, confirmando ainda mais a ideia de um final de época aterrorizante.

3.

CF Estrela da Amadora 3-0 SL Benfica (Campeonato Nacional 1999-00) – Numa das piores épocas de sempre dos encarnados, houve piada do destino só agora discernível. Já depois de Vigo, o Benfica de Jupp Heynckes deslocava-se à Amadora para defrontar o competente Estrela de… Jorge Jesus, que naquela noite não teve pejo em atropelar uns frágeis encarnados e construir o mais avultado resultado contra eles na história do clube: arranjou espaço que permitisse ao craque Verona encarar Rojas no um-para-um varíadissimas vezes, e foi ele o responsável por fazer ruir o que restava do castelo encarnado.

O brasileiro, que faria depois carreira no Belenenses original, teve ali o jogo da sua vida e permitiu a Gaúcho bisar – o artilheiro que se transformaria depois também numa lenda do Marítimo.

2.

CF Estrela da Amadora 0-3 SL Benfica (Taça de Portugal 2005-06, Meia-final) – Trapattoni tentava atingir o final da Taça de Portugal, faltando apenas vencer na Amadora frente a um Estrela que, apesar de disputar a Liga de Honra, contava com bons valores no plantel: havia Paulo Lopes, Santamaria, o agora técnico da Roma Paulo Fonseca, Zamorano, Quim Berto ou António Semedo.

Na Reboleira não jogou Rômulo, o melhor marcador da equipa (10 golos) – e assim talvez se explique a inoperância ofensiva dos tricolores, que fizeram figura de corpo presente na grande exibição de Nuno Gomes, que bisou e só não fez mais por manifesto desperdício.

1.

CF Estrela da Amadora 1-2 SL Benfica (Campeonato Nacional 2005-06) – O Benfica de Koeman não alcançou a glória com o desempenho nacional, onde muitas vezes não atingia os índices competitivos adequados à exigência dos adversários.

Depois de ter vencido (1-0) o Liverpool na Luz na primeira mão dos quartos da Liga dos Campeões, a visita à Reboleira transformava-se em incómoda tarefa – daquelas que se fosse permitido passar à frente, ninguém hesitaria.

O Sporting CP e o FC Porto fugiam na tabela (seis e oito pontos a mais, respectivamente) e era imperativo somar os três pontos, se o campeonato ainda fosse objectivo pertinente nas prioridades da equipa.

Laurent Robert não comparece à peleja, mas assinala o golo do empate e, já depois do tempo regulamentar, surge Miccoli a desempatar, com remate desenrascado à entrada da área.

Enorme explosão de alegria e um boost motivacional para o cerco de Anfield – quão diferente seria aquela segunda mão se na Amadora tivesse existido a desilusão do empate?

Pedro Cantoneiro

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