CF “Os Belenenses” 0-5 SL Benfica: Cinco pastéis de Belém na rota do título

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O Estádio do Restelo foi palco do pontapé de saída da jornada 21 do campeonato. As roulottes cheias em torno do estádio denunciavam que esta sexta-feira era dia de jogo grande. Sem Lisandro, Rui Vitória chamou Lindelof para um jogo que poderia valer a liderança isolada aos encarnados, ainda que de forma provisória. O Belenenses procurava dar seguimento à série de bons resultados – não perde há cinco jogos – desde a chegada de Velázquez ao comando da equipa.

O Benfica entrou a todo o gás à procura da vantagem. Logo no início Pizzi ganhou espaço na esquerda e ofereceu o golo a Gaitán, que falhou o alvo quando estava em boa posição. Aproveitando o nervosismo do Belenenses, os encarnados subiram as linhas e fizeram pressão. O resultado foi uma série de passes arriscados – muitos deles atrasos para o guarda-redes Ventura -, que só por sorte não resultaram em intersecções perigosas para a baliza da casa. À medida que o jogo ia avançando foi-se tornado clara a peculiar composição da linha defensiva dos azuis, com apenas um central de raiz, Gonçalo Brandão. Talvez por não estarem habituados a este tipo de esquema defensivo, os azuis eram muitas vezes apanhados em contrapé, surpreendidos com passes longos nas costas da defesa.

A verdade é que o Benfica foi mantendo o controlo do jogo em muitos períodos da primeira parte e esteve completamente instalado no meio campo contrário a tentar encontrar espaços por onde entrar na defesa azul. O regresso de Gaitán também ajudou a dar velocidade ao golo dos encarnados. O primeiro remate do Belenenses apenas surgiu a metade da primeira parte num remate muito torto de Carlos Martins. Enquanto se foi mantendo o nulo, os homens da casa nunca arriscaram muito no ataque organizado mas também não souberam sair em contra-ataque.

Antes de Mitroglou abrir marcador, foi um português que deixou dois avisos aos azuis do Restelo, André Almeida. Pouco depois, o grego correspondeu da melhor forma a um cruzamento de Pizzi da direita, depois de uma arrancada pelo meio de Sanches, e levou o Benfica para o intervalo a vencer. Da primeira parte fica ainda uma referência para Renato Sanches, que falhou alguns passos mas compensou com vários bons lances individuais que levaram a equipa para a frente.

O Belenenses começa a segunda parte com uma alteração táctica, depois do experimentalismo da primeira parte. Ruben Pinto saiu para entrar Gonçalo Silva. A equipa de Belém entrou mais consistente e com as ideias mais bem assimiladas. Parecia uma troca de papéis, o Belenenses pressionava e o Benfica cometia erros básicos no sector mais recuado. Os papéis trocaram-se na defesa, mas não no ataque. Os encarnados foram lá à frente e marcaram numa bola bem colocada de Jonas, que continua a sua caminhada para a Bota de Ouro. O golo não deixou de ser polémico, uma vez que a equipa da Luz jogava enquanto um jogador do Belenenses estava caído no relvado. O Belenenses não se deixou ficar e continuou com a mesma atitude com que começou a segunda parte e obrigou Júlio César a duas intervenções mais apertadas. E o Benfica mais uma vez respondeu com pragmatismo. Numa saída em contra-ataque Pizzi deixa Mitroglou isolado, mesmo junto à linha de golo. O grego não perdoa e bisa no encontro. O Belenenses volta a responder da mesma forma. O irrequieto Miguel Rosa não deixa de ter a baliza como alvo e depois num livre à entrada da área um potente remate e uma recarga a que Júlio César responde de forma imperial. Os adeptos benfiquistas até uma vénia deram ao guarda-redes brasileiro.

O jogo acalmou com os 3 a 0, também a já a pensar no Dragão. Mas a passo e passo se cumpriu o velho ditado: “não há duas sem três”. Gaitán num lance de insistência acabou por oferecer a Mitroglou o seu terceiro golo. O grego não fez fiado e rematou para o fundo das redes. Hat-trick do jogador emprestado pelo Fulham.

Mitroglou continua de pé quente Fonte SL Benfica
Mitroglou continua de pé quente
Fonte SL Benfica

O Belenenses nunca mais acordou e o Benfica acabou por dominar os instantes finais do encontro movido pelos 18 anos de Renato Sanches e pela frescura de Carcela e de Talisca. A equipa da casa pareceu já ter desistido e Jonas não se fez rogado. Excelente trabalho de Carcela na ala a fazer um remate potente para defesa de Ventura… Defesa incompleta que Jonas não desperdiçou para poder bisar no encontro. Mais um do brasileiro no campeonato e mais um para a corrida ao título de melhor marcador da Europa.

No final de contas tivemos mais uma vez um Benfica a confirmar-se demolidor e um Belenenses a confirmar o porquê de ter a pior defesa do campeonato. No Restelo os encarnados passearam, apesar da primeira parte mais apática, ao som do pedido do tricampeonato de uma claque incansável, que não se calou um único minuto. O fim-de-semana vai ser passado em primeiro lugar, mesmo que seja à condição. Depois do jogo de hoje só se pode dizer que essa é a posição mais que merecida para a equipa de Rui Vitória e seus pupilos.

A Figura:

Mitroglou – Quando se marca três golos num jogo é difícil não se ser o melhor em campo.

O Fora-de-Jogo:

Julio Velazquez – Apresentou um Belenenses com muitas alterações sobretudo a nível táctico. A equipa entrou completamente desnorteada e nunca encontrou totalmente o norte.

Sala de Imprensa:

Rui Vitória falou de uma “vitória justa, categórica” e de uma “exibição muito boa”. Questionado sobre a importância desta vitória para o jogo da próxima jornada frente ao FC Porto, o treinador encarnado despachou o assunto dizendo que a equipa não jogou a pensar no jogo diante dos dragões. Vitória garantiu que o Benfica não está preocupado se joga melhor ou pior que os outros e contornou a questão sobre as declarações de Bruno de Carvalho acerca de Luisão. Sobre a evolução de Pizzi, disse que o português “tem vindo a trabalhar bem e tem tido um bom desempenho”. Há pergunta sobre a média impressionante de golos de Jonas, Rui Vitória preferiu destacar o colectivo. Em relação à mais recente lesão de Luisão, disse que a equipa espera que o brasileiro regresse o mais rápido possível e sobre Lindelof garantiu que a exibição segura do sueco não o surpreendeu.

Julio Velazquez abordou a conferência de imprensa de forma tranquila e natural. O treinador espanhol disse que procurou enfrentar o Benfica olhos nos olhos, “ se for para perder que seja com os olhos postos na baliza do adversário”. Velazquez disse que era normal o Belenenses perder contra o Benfica, que esse é o resultado natural, mas que a equipa tudo fez para tentar contrariar isso. Apesar do resultado o treinador da equipa do Restelo afirmou ser o dia em que sentiu mais orgulho dos seus jogadores pela entrega ao jogo. O treinador do Belenenses falou ainda de Aguilar como sendo uma peça fundamental para encarar o que falta da época.

Pergunta BnR: O Belenenses não perdia há 5 jogos. De que forma esta derrota pode afectar a equipa para os próximos jogos?

Julio Velazquez: Acho que isso não afecta a equipa. Nós vamos perder mais vezes, vamos ganhar, vamos empatar. São coisas normais.

Redação BnR
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