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Depois do clássico, temos de falar

Pedro Afonso · 3 min

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Foi em 2014 a última vitória do Benfica, na Luz, frente ao grande rival FC Porto, mas no passado domingo, a história escreveu-se de maneira diferente e atualizou estes dados. O golo solitário de Seferovic deu a vantagem mínima aos encarnados para vencerem o primeiro clássico da temporada. Foram necessários oito jogos (casa e fora) para que as águias superassem novamente os dragões, sendo esta a primeira vez que Rui Vitória o consegue fazer na sua carreira. Para o treinador português, foram necessários 20 jogos – sete empates e 12 derrotas em toda a sua carreira – para vencer os azuis e brancos.

De tudo isto – das estatísticas, do jogo em si e do que virá depois – há muita coisa que se pode concluir.

No primeiro ponto, quebrou-se o enguiço quanto ao Benfica de Rui Vitória não conseguir vencer contra o FC Porto. Esta vitória demonstra que o treinador é capaz de o fazer, superiorizando-se aos dragões ao longo de todo o jogo e conseguindo conter as investidas mais perigosas do rival depois da expulsão aos 82 minutos da partida.

Muito embora o jogo tenha sido fraco no que toca a futebol propriamente dito – houve poucos remates, muitas faltas, poucos lances de perigo -, o Benfica foi superior (em qualidade e em golos) e Rui Vitória encheu-se de orgulho com tal feito inédito na sua carreira. Poderá isto ajudar a que o timoneiro de Alverca perca a insegurança quando orienta a equipa em partidas desta envergadura, nomeadamente contra os grandes clubes em Portugal.

Noutro lado da moeda, fica então a ideia do fraco futebol deste clássico que nos faz perguntar se a qualidade dos clubes portugueses – mesmo os ‘grandes’ – não está em declínio, de há uns anos para cá, em tempos de descida da Liga no ranking da UEFA que provocou cortes nas vagas europeias da Primeira Liga Portuguesa. Além disso, o que se espera do Benfica nesta fase é mais do que aquilo que se demonstrou em campo. Se um FC Porto frágil e desamparado esteve na Luz no passado domingo, a obrigação dos encarnados, a jogar o que têm jogado (melhor do que aquilo que se viu no último jogo), era a de ganhar a partida por uma vantagem mais confortável!

O golo surgiu aos 62 minutos pelo pé de Seferovic, depois de assistência de Pizzi
Fonte: SL Benfica

Outro ponto que se tem de tocar é o seguinte: o Benfica acaba um jogo com 10 elementos há três partidas consecutivas. Algo parece estar mal. Ainda por cima, todos centrais enquanto Luisão se reformou e Jardel está a recuperar de lesão. Conti e Lema foram expulsos contra o GD Chaves e FC Porto, respetivamente, e Rúben Dias contra o AEK, em Atenas. Resta assim este último para a Primeira Liga e os dois primeiros para a Liga dos Campeões, caso Jardel não regresse de lesão no recomeço da competição. Se a expulsão de Lema é duvidosa, as de Rúben Dias e Conti não o são, pelo que terá de haver uma análise interna a esta imprudência defensiva.

Por fim, a consequência positiva da vitória do clássico – além do facto de ter vencido o rival do Norte – é a liderança partilhada com o SC Braga, não deixando fugir a equipa minhota para a liderança isolada (beneficiando também do empate dos bracarenses frente ao Rio Ave), fugindo a dragões e leões (tirando partido da derrota por 4-2 do Sporting CP em Portimão) e a vila condenses (que estão a três pontos do lugar cimeiro, na quarta posição).

Agora vem uma nova paragem para as competições das seleções nacionais, recomeçando a época de clubes com a terceira jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, que opõe AFC Ajax e Benfica em Amesterdão na luta pelas duas vagas que dão acesso à fase seguinte. No regresso à Primeira Liga, o Benfica desloca-se ao Restelo para enfrentar o Belenenses SAD.

Saudações Benfiquistas!

 

Foto de Capa: SL Benfica

 

 

Pedro Afonso

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