Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google
Em semana de dérbi olha-se para todas as estatísticas e mais algumas em prol de fazer uma análise o mais meticulosa possível. Vêem-se os golos, os resultados anteriores, o número de argelinos que participaram em jogos destes, quantas queijadas foram vendidas nos últimos 15 jogos entre Benfica e Sporting no Estádio da Luz; enfim, conta tudo.
Como tal, e porque o pessoal que faz isto, por vezes, se esquece de algumas que fazem sentido e até têm alguma curiosidade, eis mais uma para o saco daquilo a que eu gosto de chamar: “Informação para Futebol-o Dependentes”.
Tinha eu dez anos quando fui pela minha oitava vez ao Estádio da Luz ver o Glorioso. A minha companhia era a do costume, a personagem responsável por me incutir este hábito e esta paixão pela camisola encarnada, o meu tio Miguel. Das outras sete vezes pouco importava contra quem era; o que interessava era ter ali uma tarde/noite bem passada entre sobrinho e tio. Mas, naquele dia, foi diferente.

Fonte: SL Benfica
Era de noite e eu sabia que algo mudara. O ambiente na chegada ao recinto era outro. Havia tensão, nervos, suspense, e tudo aquilo era um pouco novo, pelo menos para mim. Perguntei ao Miguel o que é que se passava; ele disse que se ganhássemos éramos campeões. Como devem calcular, miúdo de dez anos ouve a palavra “campeões” e pensa logo em festa, bolo, Coca-Cola, hambúrgueres, tudo!
Notoriamente satisfeito por saber daquilo, a pergunta óbvia que se seguiu foi: “Contra quem é?”. Por entre os bafos do Lucky Strike, um olhar semicerrado, e uma clara suspeita e intranquilidade, ouvi: “Sporting”. Logo de seguida percebi o porquê de o meu tio ter reagido daquela forma. Ele explicou-me que a confiança dele para os dérbis dependia muito de quem estava no banco a comandar as tropas e da experiência dele nestas coisas de vencer sportinguistas.
Se continuar o resto da história vocês vão perceber que foi a primeira vez que bebi cerveja “à séria”, que festejei como um homem grande, que vi o Benfica ser campeão. Mas aquele dado, embora simplista, ficou-me retido na memória: O homem do leme em jogos destes.
Rui Vitória vai para o seu segundo dérbi, em casa, frente ao Sporting. O primeiro, como se sabe, não lhe correu de feição. O Benfica perdeu por uns absolutamente abissais e entristecedores três a zero. Mas Rui Vitória sabe o que é ganhar em casa ao Sporting. Ora vejamos.
Logo na época de estreia no principal escalão do futebol português, Rui Vitória, então treinador do Paços de Ferreira, começou a época de 2010/2011 com um triunfo em casa frente ao Sporting, com um golo de Mário Rondón. Não está mau.
Depois do Paços, seguiram-se quatro épocas de Guimarães. Na primeira de todas, derrota em casa frente aos leões, com golo aos sete minutos de Diego Capel. Lembram-se, verdes e brancos, do “Mochilas”?
Nova época e, tal como em 2010, arranque em casa frente à equipa de verde, desta vez com um nulo no marcador. Apenas desinteressante. Na época seguinte, nova derrota por zero a um, com ajuda de Slimani aos noventa, mas a cereja de Vitória sobre o Sporting vem no ano 2014/2015.
O Vitória de Guimarães, na última época em que o vila-franquense foi treinador no berço, recebeu e venceu por três a zero, com golos de Saré, um autogolo de Maurício, e um golo do agora portista e personificação daquele sketch dos Gato Fedorento, onde uma criança foi baptizada no cume de uma montanha e por isso o seu segundo nome é igual ao primeiro, André André.
Olhando para a estatística, são duas vitórias, três derrotas, a do ano passado, e um empate. Ou seja, um registo não muito inspirador. Infelizmente, já sei que o Miguel não vai estar particularmente confiante para o jogo de domingo, mas, sendo eu fruto de uma nova geração que supostamente é diferente da anterior, acredito que Rui Vitória vai fazer esquecer estas duas derrotas mais recentes e ajudar o Benfica a conquistar três importantes pontos, em casa, frente ao Sporting.
Foto de Capa: SL Benfica













