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Entre o mal e o bem

Francisco Vinagre · 4 min

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coraçãoencarnado

Bem-vindos a mais um “Coração Encarnado”. Esta semana vou tentar falar um pouco de tudo, na tentativa de tocar os pontos essenciais que na minha opinião afectam alguns benfiquistas. 

Começando pelo menos bom: aquele jogo da Choupana deu para roer demasiadas unhas. Tal como o meu homónimo Francisco Vaz de Miranda escreveu no rescaldo desse mesmo jogo, “um Benfica eficaz e a jogar q.b. foi suficiente para trazer os três pontos da Choupana.” Pois é, aquela segunda parte deu para muitos gritos, murros e quase um computador partido. Um Benfica sem chama, cansado, e o pior de tudo, sem meio-campo. Era aí mesmo que queria chegar: ao nosso meio-campo, ou à falta dele. A inexistência deste sector leva-nos a ter cada vez menos bola, a perder eficácia na forma como lidamos com ela quando a temos, e pior do que tudo, leva a que jogadores como Enzo ou Talisca não possam dar tudo o que têm (pois é, mesmo com o nosso Rivaldo a marcar por todos os lados eu acredito que, com um meio-campo sólido, o “miúdo” poderia ter bem mais liberdade na frente). Mas não me fico por aqui; como disse anteriormente, Enzo é um dos maiores prejudicados desta realidade: o argentino anda muitas vezes perdido em campo, sem saber onde tem de compensar; por fim, Enzo anda demasiadas vezes a ter de funcionar como “número seis”, tal é a incapacidade de jogadores como Samaris. E apesar de tudo o que tenho ouvido, a verdade é que não vejo forma de solucionar este problema e por isso confesso que estou preocupado – e cada vez mais focado na data em que Sílvio e Fejsa voltam aos relvados – esses sim, serão os grandes reforços de Inverno.

Em seguimento dos meus últimos comentários, não poderia deixar de referir que quando Eliseu voltar aos relvados sou da opinião que deve ser André Almeida a ocupar a posição de trinco, de forma a dar mais liberdade e coerência durante o jogo a Enzo. Esquecendo a segunda parte do último Domingo, foquemo-nos no que aí vem (até porque ganhámos dois pontos aos nossos rivais directos… sorriso de líder, lá está ele outra vez).

A partida na Choupana foi uma verdadeira "luta" para o Benfica Fonte: Facebook do CD Nacional
A partida na Choupana foi uma verdadeira “luta” para o Benfica
Fonte: Facebook do CD Nacional

Prosseguindo nesta caminhada, queria deixar uma palavra ao mister: algo tem de ser feito naquele meio-campo e claramente Talisca não é o homem certo para jogar a “oito”. Percebo que a limitação de opções seja uma realidade, mas há muito mais a fazer: Samaris trabalha com a equipa há mais de três meses, como é possível que não tenha sequer ideia do que são as rotinas da sua posição? Mais, se puseres (Jesus, deixa-me tratar-te por tu) o Enzo a trinco, por que não dar uma oportunidade ao Samaris ou ao Cristante para jogarem mais à frente no meio-campo? Têm treinado assim tão mal? Finalmente, sempre que Eliseu não puder ajudar, por que não meter André a “seis” e dar mais uma oportunidade a Benito? Bem sei que aquele jogo em Covilhã deixou muito a desejar, mas mesmo assim parece-me mais prudente do que simplesmente jogar sem meio-campo como aconteceu na semana passada. Uma palavra de alento para o mister, que no fim do jogo da Choupana foi criticado pela entrada de Samaris – na altura concordei com a alteração, pena que o grego (mais uma vez) não tenha correspondido. 

Agora vamos animar um pouco mais o tema. Falar de Júlio César, esse Guardião com G grande. Bem-vindo, campeão; quero que sejas o meu anjo da guarda para sempre. Tudo o que fazes, fazes bem! Sinto-me bem mais seguro e já não tremo nos cantos defensivos. Continua a trabalhar e não te esqueças: todos os dias massagem nessas costas… 

E o que vem no fim sabe melhor. Liderança. Sorriso de líder. Continuamos com isso tudo, apesar das fracas exibições. Benfiquistas, não ouçam o que por aí anda a ser dito porque, falo por mim, eu quero é sorrir no fim e a verdade é que o nosso caminho está a ser traçado. Estamos em boa posição de passar na Liga dos Campeões (o nosso Coração Encarnado vai aquecer aquela Rússia e já estou a ver Talisca a “metê-la” no ângulo outra vez). Quero-vos preocupados, mas com a equipa. Com receio, mas sem medo. Com consciência dos problemas que ultrapassamos, mas com sorriso de líder durante o dia todo. E por fim, com a noção de que nenhum de nós olha para cima, de que já estamos habituados a jogar (muito) mais a partir de Janeiro e de que por enquanto temos muito mérito na caminhada percorrida.

Uma palavra de apoio para todos os familiares e amigos do corajoso José Luís Vaz, que após cinco décadas a trabalhar de corpo e alma para a instituição do Sport Lisboa e Benfica nos abandonou na tarde de ontem. Um abraço caloroso, com a esperança e o foco no próximo jogo da Taça com o Moreirense. Vejo-vos no próximo Sábado.

Foto de capa: Flickr (Tom Brogan)

Francisco Vinagre

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