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Foi vendido como o jogo do ano e adquirido como isso mesmo. Houve de tudo no Estádio do Dragão para a recepção do FC Porto ao SL Benfica na 24ª jornada. Equilíbrio, emoção, golos, sangue quente, expulsões, ânsia e oportunidades falhadas. Os portistas começaram a vencer, mas viram o eterno rival alterar os rumos dos acontecimentos e perderam por 1-2. É apenas a terceira derrota dos homens de Sérgio Conceição na presente edição do campeonato, a segunda em casa (a primeira foi frente ao Vitória SC) e a segunda com os “encarnados” que saltaram para a primeira posição da Primeira Liga.
As novidades no “onze” inicial dos azuis e brancos demonstravam vontade em mostrar superioridade no último terço. Sérgio Conceição pôde apostar em Marega que regressou à titularidade com algumas novas companhias – Adrián Lopéz e Wilson Manafá, que têm alinhado nos últimos compromissos dos “dragões”. Em bolas longas ou curtas, na primeira parte voltámos a ver o avançado maliano a ser altamente solicitado ao eixo e à direita do ataque do FC Porto – todas as incursões iam animando a maioria da audiência no estádio.
Na perda de bola no meio-campo do SL Benfica, os “dragões” respondiam com pressão bastante alta no primeiro terço. No entanto, os “encarnados” iam contornando a situação antevendo as acções do adversário através do posicionamento sem bola. Ao recuperar, Pizzi, Rafa e João Félix eram os mais solicitados para percorrer alguns metros até à baliza contrária. Com recuperações de bola a favor de ambas as equipas, eis que Brahimi conseguiu driblar e tirar alguns jogadores do Benfica pelo caminho e é “barrado” por Ruben Dias (sancionado com cartão amarelo) na linha da área visitante.
Chamado a bater o pontapé de livre, Adrián Lopez rematou com o pé direito contra a barreira e conseguiu na recarga rematar no fundo das redes de Vlachodimos aos 18′ (1-0). Houve muitas dúvidas se um elemento do FC Porto estava a atrapalhar a visão do guardião do SL Benfica no momento do golo, mas o video-árbitro nada apontou.
Minutos depois chegou a resposta do SL Benfica perante um FC Porto algo subido no terreno. A velocidade do jogo ia aumentando a cada minuto que passava. Pizzi, aos 21′, remata para defesa de Casillas, que também viria a intervir aos 44′, após remate de Seferovic pela esquerda e do golo do empate aos 26′.
João Félix voltou a fazer gosto ao pé depois de receber uma bola isolado no lado direito da área portista. Casillas repôs a bola rasteira, mas Gabriel pressionou um adversário. A bola chegou a Manafá, mas Seferovic roubou a bola e fez um cruzamento rasteiro do lado esquerdo. A bola chegou tensa ao jovem avançado dos “encarnados” que, no meio da área, rematou para o fundo das redes (1-1). A bola passou no meio das pernas, que podia ter feito muito melhor para afastar o perigo.
Apesar da boa reacção dos “encarnados”, o FC Porto foi quem dominou o meio-campo adversário nos primeiros 45 minutos. No entanto, notava-se que a lição estava bem estudada para o SL Benfica, que iria à partida estar mais em missões defensivas. Havia uma enorme atenção em cobrir Alex Telles e Brahimi à esquerda. A capacidade individual de ambos teve de vir muito ao de cima para desbloquear a linha defensiva das “águias”. A aposta natural era recorrer ao lado aposto, onde andou o regressado Marega nas suas habituados corridas desenfreadas entre linhas, sempre à procura do desequilibro. O maliano mostrou estar muitas vezes seguro a receber a bola dos colegas. Foi uma primeira parte que demonstrou, à sua maneira e com várias adaptações dado à importância da partida, o bom momento de ambas as equipas.

Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede
E se o FC Porto procurou entrar no segundo tempo novamente por cima, acabou por ver o SL Benfica a colocar-se em vantagem. Rafa Silva apareceu para finalizar uma jogada que começou pela esquerda do ataque e, depois de tabelar com Pizzi, rematou forte para o fundo das redes de Casillas (1-2). A resposta azul e branca seguiu-se por Brahimi, que atirou a rasar a barra.
Perante a desvantagem e a necessidade de fazer golos, as primeiras substituições da noite vieram do banco dos dragões, com Conceição a lançar para o jogo Soares e Otávio. E a resposta à desvantagem foi mesmo a pressão e presença na frente, ainda que sem oportunidades claras. Bem posicionado a defender, o SL Benfica ia evitando aquilo que poderiam ser situações de perigo para a sua baliza.
E se a tendência do jogo empurrava o FC Porto para a frente, o minuto 77 veio contribuir para isso mesmo, com o SL Benfica a ficar reduzido a 10 unidades. O lance teve início na reposição de bola de Casillas, que serviu Otávio. O brasileiro foi puxado por Gabriel, caiu e a reação do médio encarnado acabou por provocar a confusão dentro das quatro linhas. No final, Jorge Sousa amarelou Otávio e mostrou dois amarelos a Gabriel, pela falta e pela reação.
Aos 84′ surgiu a grande ocasião para o empate do FC Porto, por intermédio de Felipe. Canto de Alex Telles e o central dos dragões cabeceou sem hipótese para Odysseas, mas a bola acabou por embater no ferro. Claramente à procura do golo, Soares voltou a estar perto do 2-2, com um cabeceamento por cima e, aos 90 minutos, valeu o guardião do SL Benfica, a negar o golo a Felipe. Marega seguiu-se nas tentativas de repor a igualdade, mas a inspiração de Vlachodimos negou o golo ao maliano.
Perante a insistência azul e branca nos últimos minutos, valeu a eficácia encarnada para evitar a divisão de pontos. Depois de já ter tido uma vantagem confortável na liderança da tabela, o FC Porto cedeu o primeiro lugar ao SL Benfica com esta derrota e cai para o segundo lugar, com menos dois pontos.
Onzes e substituições
FC Porto: Casillas, Manafá, Felipe, Pepe, Alex Telles, Herrera, Óliver (Danilo, 81′), Corona (Otávio 60′), Brahimi, Marega e Adrián López (Soares, 60′)
SL Benfica: Vlachodimos, André Almeida, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Samaris, Pizzi (Gedson, 70′), Gabriel, Rafa (Corchia, 87′), Seferovic e João Félix (Cervi, 90′)
A FIGURA

Rafa Silva – O avançado encarnado foi um dos principais municiadores do mortífero contra-ataque do SL Benfica. Acabou por ser determinante na reviravolta com um excelente trabalho na frente dos centrais portistas, que acabou com o remate vitorioso para o fundo das redes de Casillas. No resto dos 90 minutos, foi sempre um perigo à solta e a apreensão no estádio era evidente cada vez que o 27 benfiquista ultrapassava o meio campo em velocidade. Menção honrosa para Seferovic e João Félix, os parceiros de ataque de Rafa, que são ambos determinantes no primeiro golo das águias. O suíço serviu o português para o empate.
Nota positiva também para Iker Casillas, que faz uma série de defesas importantes, que permitiram à equipa do FC Porto serenar na defesa e continuar lançada na partida.
O FORA DE JOGO

Gabriel – Sem temperamento no momento em que se envolve com Otávio, deixando a equipa a jogar com menos um nos últimos dez minutos da partida. Até então, esteve excelente na ocupação dos espaços a meio campo e a funcionar como o dínamo do setor intermediário das ‘águias’. Esteve para ser a figura do encontro, mas deitou tudo a perder.
Do lado do FC Porto, Wilson Manafá apresentou-se bastante batalhador no lado direito da defesa. No entanto, os minutos passavam e a partida mostrava que o jogo não era para ele em diversos detalhes. O ex-Portimonense SC não desistiu de dar alternativas a favor do ataque portista, mas não é a mesma produção que a ala esquerda demonstra, com Alex Telles e Brahimi como protagonistas. A ideia aparentemente visível era que luso-guineense iria ser substituído por Otávio, mas foi Jesús Corona a sair devido a lesão. O mexicano podia facilmente ter desempenhado uma função que cumpriu em algumas ocasiões esta temporada – defesa direito.
BnR na Conferência de Imprensa
FC Porto
Sérgio Conceição
Outras respostas: “Momentaneamente, ficamos desiludidos com este resultado. Disse na antevisão que ainda há 30 pontos em disputa e vamos lutar por eles. Fica mais difícil porque não dependemos de nós, mas vamos lutar”
“O SL Benfica foi igual a si próprio. Nós estávamos precavidos. Acho que entramos bem, conseguimos fazer o mais difícil, que foi estar em vantagem. Depois, inexplicavelmente, o primeiro golo do Benfica surgiu de alguma precipitação nossa. Não foi este ou aquele, foi a equipa e isso foi uma vitamina importante para o SL Benfica. Na segunda parte, a primeira vez que foram à baliza fizeram golo. Não fomos eficazes, faltou alguma agressividade ofensiva, sobretudo dentro da grande área, no último terço”
“O SL Benfica foi muito igual ao que costuma fazer. No primeiro momento tenta condicionar a nossa fase de construção, não conseguindo juntava as suas linhas no seu meio campo defensivo, depois, de forma simples e direta, tentava sair para o ataque. Não houve nada de diferente neste Benfica. Houve sim a nossa falta de eficácia”
“Nunca me desculpei com os lesionados, com os jogadores que estão fora. Os treinadores são pagos para solucionar os problemas. Tanto no jogo em Alvalade como em Guimarães, tivemos mais do que ocasiões para chegar ao golo. Não há o que lamentar, há sim o foco para seguir”
“Fiz o que achei melhor para o FC Porto. O Adrián estava a bom nível, achei que dava garantias e que tinha a capacidade para criar dificuldades à linha defensiva do SL Benfica”
SL Benfica
Bruno Lage
Outras respostas: “Tudo igual, a diferença de dois pontos com imensos jogos por disputar, vejo tudo igual. Temos que recuperar bem, preparar as competições europeias, a nossa caminhada é esta, jogo a jogo, é assim que vamos até ao fim…”
“O que eu acreditava era em fazer um bom trabalho e isso vem da disponibilidade e atitude dos jogadores. Eles estão a fazer de mim treinador. Fico satisfeito pelo percurso que estamos a fazer. Temos tido a capacidade de preparar bem os jogos e vence-los”
“Foi importante ter ganho, vencemos e temos dois pontos de vantagem, com muito pontos por disputar, temos de continuar no mesmo registo. o clube Benfica é que deu a volta à situação, nao foi o Bruno Lage. tivemos a capacidade de reconquistar os adeptos.
“Seferovic e Pizzi falharam duas bolas de golo, na minha opinião fomos a melhor equipa na primeira parte. Há uma entrada forte do Porto. Estava planeado não jogar dentro, não colocar os médios a receber a bola de costas porque o adversário estava preparado para isso. Puxamos a pressão às nossas saídas por fora e com o tempo o jogo adequou-se à nossa forma de estar. Quando estamos por cima o Porto chegou à vantagem, continuamos a fazer o nosso papel, conscientes do que tínhamos de fazer. Fizemos os golos e tivemos mais oportunidades. Depois da expulsão sofremos um bocadinho mas é justo”
“Não era um onze difícil de acertar o nosso, olhando para os últimos jogos. A equipa técnica do porto é muito competente e tentou perceber e contrariar as nossas dinâmicas. Nós temos de nos reinventar e cada jogo tem a sua historia. estávamos preparados para um 4X4X2 ou 4X3X3 e disse aos jogadores que tínhamos de perceber a posição de Herrera. São nuances que preparamos. Nos trabalhamos bem. Assistiu-se a um grande jogo”
Rescaldo com a opinião de: Joana Quintas, Ricardo Anselmo e Francisco Correia
Foto de Capa: Diogo Cardoso/Bola na Rede
artigo revisto por: Ana Ferreira













