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Fim da Segunda Vinda à vista. 6 alternativas a Jesus

Márcio Francisco Paiva · 8 min

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A segunda vinda de Jesus ao reino da Luz parece ter fim anunciado…

Com o contrato a expirar e com os objetivos propostos continuamente a escapulirem-se pelos seus dedos, Jorge Jesus parece ter os dias contados na sua segunda vinda ao comando técnico do Sport Lisboa e Benfica. A sua sucessão poderá ocorrer no imediato ou nos finais de maio, mas será inevitável. É tudo uma questão de timing… e de escolhas.

Rui Costa e a direção por si liderada terá que escolher quando substituir JJ e por quem fazê-lo. Neste artigo, olhamos para alguns dos homens sobre quem poderá recair a decisão. Segunda vinda

Não são necessariamente os mais indicados, não são necessariamente os que vão aceitar o desafio, mas são, cremos, os que muito provavelmente vão ser abordados, pelo seu perfil e pelo veiculado sempre que vem à tona o tema “Sucessão de Jesus”.

6. Marco Silva

O técnico de 44 anos está a fazer um trabalho no Fulham FC de qualidade suficiente para que o clube londrino o queira manter e para que o português queira ficar. No entanto, está a fazer também um trabalho que levará, com certeza, Rui Costa a reciclar o interesse benfiquista no lisboeta.

Todavia, dificilmente Marco Silva abandonará o clube inglês no imediato. O Fulham FC está no segundo posto do Championship, posição de subida direta à Premier League. A hipotética chegada à Luz provavelmente só ocorreria no final da época e em caso de insucesso do português no cumprimento do objetivo de subida estabelecido pelos londrinos.

Ainda assim, é previsível que tenhamos nova temporada da novela SL Benfica – Marco Silva. Porquê? Trata-se de um técnico português, jovem, com capacidade para apostar em jovens, conhecedor da realidade de um grande português, com experiências internacionais e com um futebol ofensivo agradável de se ver.

Pela negativa, é um timoneiro pouco titulado (uma Segunda Liga, uma Taça de Portugal e uma Liga Grega) e apresenta uma taxa de vitórias de 50,6% (172 triunfos em 340 jogos) – ainda que minimamente justificada pelo facto de ter estado em vários clubes de fundo de tabela.

5. Abel Ferreira

A saída de Abel do SE Palmeiras tem ganho força especulativa, com rumores de que o Verdão vai mesmo avançar para a sucessão do português (Juan Pablo Vojvoda, do Fortaleza EC, é o nome mais badalado), aconteça o que acontecer na final da Libertadores. Ficando livre do compromisso com o clube paulista, Abel Ferreira vai fazer sombra a qualquer um dos três treinadores dos grandes portugueses.

A saída de um deles – e a de Jorge Jesus é a que se reveste de um maior grau de certeza – vai indubitavelmente ser gatilho de grande especulação ao redor da possibilidade de Abel Ferreira regressar pela porta (de um) grande a terras lusitanas. E, se tal suceder, regressa a Portugal trazendo ouro do Brasil.

Apesar de abandonar São Paulo sem ser campeão brasileiro pelo Verdão, Abel regressaria a Lisboa com uma (ou duas) Libertadores e uma Copa do Brasil no currículo.

A fazer companhia a estes dois (ou três) títulos, Abel Ferreira tem no CV um Nacional de Sub-19, conquistado pelos Juniores do Sporting CP em 2011/12 (Ricardo Esgaio, João Mário e Bruma eram alguns dos jovens que trabalharam com e foram trabalhados por Abel Ferreira). Segunda vinda

Pelo futebol praticado pelo seu SC Braga e pelo seu SE Palmeiras, pela sua juventude e vontade de vencer e pela sua coragem em apostar em jovens (passou pelas equipas B de leões e arsenalistas), o técnico de 42 anos será sempre um nome em cima da mesa. A sua taxa de triunfos, no escalão sénior, situa-se nos 50,8% (194 vitórias em 382 partidas).

4. Paulo Fonseca

Talvez o treinador português desempregado de maior cotação. Paulo Fonseca esteve, veiculou-se, nas cogitações do novo rico Newcastle United FC sem que, contudo, se tenha celebrado qualquer matrimónio entre as duas partes. Assim, o timoneiro de 48 anos continua a especular não com a banca, mas com os bancos.

Caso o do SL Benfica se veja privado de Jorge Jesus, Paulo Fonseca será um dos nomes que com maior proeminência vai figurar nas primeiras páginas dos jornais da especialidade e nas narrativas dos muitos programas de televisão de índole (supostamente) futebolística. E com algum mérito.

Apesar de alguns percalços, o português tem conseguido subir a pulso e tem sido capaz de se manter relevante na cena do futebol europeu (o interesse dos Magpies assim o comprova). Conhecedor do futebol português e da vida de um grande (apesar de não ter sido uma história de grande sucesso a sua passagem pelo FC Porto), Paulo Fonseca carrega consigo igualmente experiências relevantes no estrangeiro.

É, talvez, menos prolífico na sua capacidade de colocar as suas equipas a brilhar dentro de campo, mas será taticamente mais forte do que outros nomes na lista. Com o renome que já granjeou e com nove títulos em carteira, Paulo Fonseca quererá ter controlo sobre o seu trabalho e terá maior capacidade para se impor perante a administração encarnada. Estará Rui Costa preparado para isso?

A taxa de vitórias da carreira de Paulo Fonseca cifra-se nos 53% (314 triunfos em 593 jogos).

3. Nélson Veríssimo

O outsider (corre por fora) Nélson Veríssimo surge em terceiro na lista por ser precisamente um… insider (está dentro do clube). É o treinador com menor experiência a um nível mais alto, mas será uma das soluções magicadas pela estrutura encarnada. A equipa B das águias, sob o seu comando, segue na liderança da Segunda Liga e apresenta um futebol minimamente agradável.

A história de encantar vivida por Bruno Lage (num primeiro momento) vem à cabeça quando se imagina uma eventual subida à equipa principal de Veríssimo, mas nada garante que se repita. Alguns pormenores, todavia, previsivelmente vão ser mimetizados. Acima de tudo, a aposta em jovens formandos do Benfica Campus seria, neste cenário, uma garantia.

Também a motivação do técnico de 44 anos seria uma garantia, tendo ele consciência da necessidade de provar o seu valor rapidamente, para agarrar a oportunidade. Além disso, Nélson Veríssimo tem provado o seu valor tático e estratégico, sendo especialista na construção de esquemas de bola parada.

A sua inexperiência, não obstante, é inegável, mas contornável. Veríssimo regista uma taxa de vitórias de 46,2% (18 triunfos em 39 encontros na condição de treinador principal).

2. Pepa

Aos 40 anos, o torriense vai já na nona época como treinador principal no escalão de seniores. Tem construído uma carreira sólida, subindo a pulso, e com raízes exclusivamente em Portugal (curiosamente, ainda só treinou equipas do Mondego para cima). Taticamente inteligente, comunicativamente assertivo e com uma boa filosofia de jogo e de vivência desportiva, Pepa teria no SL Benfica um regresso a casa.

De entre os treinadores no ativo em Portugal, aparenta ser a melhor solução (excluindo, naturalmente, o treinador campeão em título, Rúben Amorim). Ainda assim, Pedro Filipe viveria nas águias o primeiro grande desafio da carreira. Contudo, convém lembrar que o último treinador a trocar o Vitória SC pelo SL Benfica também deu, então, o maior salto da sua carreira e veio a sagrar-se bicampeão nacional.

Também com Pepa haveria garantias de que se materializaria aquela que tem sido apontada pelo próprio clube como “a” fórmula de sucesso para o futuro: a aposta na formação. A especulação e os rumores relativos a uma eventual chegada de Pepa ao SL Benfica têm sido tão ruidosos que já chegaram aos ouvidos do próprio.

Pepa apenas venceu uma Taça da Liga, pelo Moreirense FC… mas não disputou a final-four (fez parte da época, mas viria a ser substituído) e leva 131 vitórias em 311 jogos, numa taxa de sucesso de 42,1%.

1. Marcelo Gallardo

Rui Costa faz um raide pela América do Sul. Deixa Jorge Jesus no Rio de Janeiro, no centro de treinos do CR Flamengo, e segue para Buenos Aires. Da capital argentina, traz para Lisboa Marcelo Gallardo e Julian Álvarez, do centro de treinos do CA River Plate, e Pablo Aimar para fazer a ligação entre o clube/equipa e o técnico argentino. Por mim, era isto e era já.

Não sei se será a decisão tomada por Rui Costa. Caso seja, acho que não podia ser mais acertada. Trata-se do melhor treinador da última meia década do futebol sul-americano, com 13 títulos em carteira: seis nacionais (incluindo uma Liga Uruguaia) e sete internacionais (incluindo duas Copas Libertadores e uma Copa Sudamericana). Curiosamente, ainda não conseguiu sagrar-se campeão argentino, facto que não lhe retira o carácter de treinador apetecível.

Gallardo tem um perfil muito sóbrio e assertivo (para um treinador com sangue latino), transmitindo confiança em todos os momentos. Consegue sempre colocar o seu CA River Plate a praticar bom futebol, regra geral com muitos jovens no plantel, e tem crescido bastante taticamente, muito graças às muitas finais que tem disputado.

Já sabe o que é estar em momentos de grande pressão (incluindo uma final da Libertadores frente ao CA Boca Juniors jogada em Madrid) e já sabe o que é ganhar. Não obstante, chegado à Europa teria por certa uma motivação e uma ambição renovadas, por querer e precisar de provar a sua valia no futebol do Velho Continente.

Bom futebol, bom perfil, bom trabalho com jovens, muitos títulos, muita motivação… Para mim, “a” escolha. Marcelo Gallardo leva na sua carreira de treinador 200 vitórias em 372 jogos (53,8%).

 Segunda vinda

Márcio Francisco Paiva

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